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Surgem indícios de afastamento entre os conservadores iranianos

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Passados os primeiros momentos pós-eleições no Irã, os fatos começam a demonstrar que está ocorrendo separação entre os membros da linha mais conservadora da política iraniana.

 

A manutenção dos resultados eleitorais de Mahmoud Ahmadinejad  foi conseguida com apoio expresso do Líder Supremo Ali Khamenei, que identifica o discurso do presidente reeleito como adequado aos posicionamentos políticos e ideológicos dos religiosos que detém o poder no país.

Apesar das acusações de fraude eleitoral, das exigências de recontagem dos votos e da pressão internacional, Khamenei, garantiu o seu escolhido para se manter no posto, mesmo tendo sido identificadas fraudes na recontagem dos primeiros 10%, razão pela qual foi cancelada a revisão que estava sendo feita.

Esperava-se que o Ahmadinejad mantivesse seu posicionamento. A surpresa veio quando indicou Esfandiar Rahim Mashai para primeiro vice-presidente (o mais importante dos 12 vice-presidentes, pois é o que substitui o presidente no caso de sua morte). Independente das relações familiares entre ambos, a questão que movimentou o Irã é a posição, senão pró Israel, no mínimo não antagônica a este país.  A reação de Khamenei foi de exigir o afastamento do indicado pelo presidente.

No domingo (dia 19 de julho) havia sido anunciada renúncia Mashai, prontamente negada no dia seguinte, afirmando que isso foi uma ação coordenada do ocidente para desestabilizar o seu governo.

Hoje, as posições estão mais enrijecidas, sabendo-se que o Líder Supremo não tolerará a indicação e nem o Parlamento iraniano está aceitando. Deve-se ter em conta que os políticos do país passam pelo crivo de vários Órgãos do Estado, tanto que a indicação de candidatos à eleição de parlamentares deve ser aprovada pelo Conselho dos Guardiões (que também analisa as leis do Parlamento) além de consultar o posicionamento do Líder Supremo e da Assembléia dos Peritos (todos devem ser clérigos e responsáveis pela escolha do Líder entre eles, para mandato vitalício). Ou seja, a participação na política exige uma dose mínima de aceitação do sistema iraniano.

O que se mostra no momento é que a situação interna do país está provocando divisão social que só foi abafada internacionalmente devido à crise de Honduras. Da mesma forma, estão ocorrendo rachas entre os conservadores, provavelmente sobre táticas para enfrentar a divisão social que se avizinha e apenas a repressão não conseguirá frear.

Os passos de Ahmadinejad demonstram que objetiva se apresentar como o ponto de equilíbrio entre a oposição, incorporando as questões que são levantadas por ela (crise econômica, desemprego e habitação) e tenta relativizar sua imagem de ultraconservador, colocando como número dois do governo um homem que está sendo avaliado pela aceitação do Estado de Israel, o que demonstra apenas uma diferenciação em termos de planejamento geoestratégico, mas não que seja oposição. O problema que Ahmadinejad terá de enfrentar é como convencer os ultra-conservadores de que, taticamente, o discurso de Mashai é adequado ao equilíbrio do país no sistema internacional, mesmo porque sua influência possa ser anulada.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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