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VENDA DE ARMAS NORTE-AMERICANAS PARA TAIWAN PÕE EM RISCO A ATUAL HARMONIA DAS RELAÇÕES SINO-AMERICANAS

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Desde que Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos da América, as relações sino-americanas vêm se mantendo em um ritmo estável. Porém, um Contrato anunciado pelos estadunidenses de venda de armas para Taiwan poderá ser o início de uma crise nas relações entre norte-americanos e chineses.

Os Estados Unidos estabeleceram com Taipei (Taiwan) um acordo de venda dos mísseis balísticos de defesa “Patriot”, conhecidos pela sigla PAC-3, e fabricados pela empresa Lockheed Martin.

 

Esses mísseis são os melhores de sua classe e estavam incluídos no pacote de 6,5 bilhões de dólares, em vendas de armas para Taiwan. A negociação foi aprovada no final do ano de 2008, durante a gestão do então Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Devido a essa venda de armas para a ilha de Formosa, no dia 7de janeiro, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Jiang Yu, em entrevista coletiva para a imprensa em Beijing, afirmou que “a China opõe-se firmemente à venda de armas por parte dos Estados Unidos para Taiwan. Nossa posição é consistente e clara. (…). Estamos reconhecendo as graves conseqüências da venda de armas dos Estados Unidos, (…) descumprindo os três comunicados conjuntos entre a China e os EUA, especialmente os princípios estabelecidos no Comunicado Conjunto de 17 de agosto de 1982”.

A declaração conjunta do dia 17 de agosto de 1982 afirma que os Estados Unidos não podem desenvolver uma política de venda de armas para Taiwan em longo prazo e devem reduzir de forma gradual o número de negócios militares com este país.

Jiang também pede a empresa envolvida que interrompa as negociações, para não interferir na Soberania e nos interesses da China em Taiwan, além de prejudicar a segurança nacional da China.

A aprovação da venda dos mísseis balísticos americanos provocou grande “insatisfação” de Beijing com Washington. No dia 9 de janeiro, o Ministério da Defesa chinês publicou em seu site oficial (www.mod.gov.cn) a sua “raiva” sobre a venda dos mísseis Patriot, no artigo “China ‘strongly’ urges U.S. to immediately stop arms sales to Taiwan / China insta ‘vigorosamente’ os E.U. a interromper imediatamente a venda de armas à Taiwan”.

Durante sua entrevista ao canal de informações oficial chinês, a estatal Xinhua, o vice-chanceler da China, He Yafei, novamente fez declarações contra a venda dessas armas, exigindo que o governo dos Estados Unidos cancele de imediato o contrato e quaisquer contratos militares entre eles e a ilha de Formosa.

He Yafei alega que os Estados Unidos não estão respeitando os princípios das relações sino-americanas, ao desrespeitar a política de “uma só China” com este negócio que estão fazendo com os taiwaneses.

Para ele, o governo norte-americano reconhecem esta política do governo de seu país desde 1979, deixando de reconhecer Taiwan como um Estado. Porém, continua sendo o seu maior aliado, interferindo nos interesses chineses nas negociações de reunificação dos dois lados do estreito de Taiwan. A partir do momento em que estabelece acordos militares e laços diplomáticos com Formosa, mostram-se contraditórios, pois reconhecem a Ilha como uma nação independente.

O ano de 2010 inicia com desentendimentos entre os governos chinês e norte-americano e o caso de Taiwan pode interferir seriamente nas relações entre os dois países, pondo-as em risco*. He Yafei pede que o governo estadunidense fique atento ao comunicado conjunto do dia 17 de agosto de 1982 e, com base nele, retroceda em sua decisão de vender as armas, cancelando o Acordo.

A questão de Taiwan é um problema importante e sensível entre China e EUA. O contrato de venda de armas aumenta a visão negativa do governo chinês para com Washington e aumenta ainda mais a “barreira” que impede o avanço de melhores laços nas relações diplomáticas bilaterais.

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* Em análise de conjuntura publicada no site do CEIRI, no dia 4 de janeiro, com o título “AS RELAÇÕES DOS ESTADOS UNIDOS COM A CHINA E O CASO DE TAIWAN”, observou-se o desafio de Obama em manter os contatos com Taiwan, sem abalar suas relações com a China continental. Também foram apresentadas análises sobre os problemas que tem o presidente americano com relação à venda de armas, como os caças F-16 para a renovação da frota taiwanesa.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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