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VISITA DE LULA AO IRÃ VOLTA A GERAR PROTESTOS NO BRASIL E NO EXTERIOR

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fará nova visita ao Irã no próximo final de semana, dias 15 a 17 de maio de 2010, e já está recebendo críticas internas e externas acerca da validade de suas negociações, bem como sobre a postura pragmática que tem adotado, ao ignorar as questões políticas e os Direitos Humanos neste país.

 

Ontem, dia 10 de maio, enquanto realizava discurso em uma “unidade de estudos estratégicos e capacitação da Embrapa”, um grupo denominado “Estruturação” (composto por homossexuais, bissexuais e transexuais), se manifestou, levantando bandeiras com inscrições que afetam diretamente o posicionamento moral e ideológico do mandatário brasileiro, bem como do seu partido, o PT (Partido dos Trabalhadores).

Numa delas estava escrito “lulanao.com”, indicação de seu site, em cuja página inicial pergunta-se se “vale a pena ignorar direitos humanos, em troca de acordos comerciais com o Irã”.

No mesmo sentido, o dissidente político iraniano Akbar Ganji, fez declaração à mídia brasileira e internacional afirmando que a questão nuclear é o que menos importa, não sendo possível ignorar o que tem ocorrido dentro de seu país.

A afirmação tem o mesmo teor daquela apresentada pelo grupo Estruturação, pois eles levantam o problema de não se poder ignorar as violações cometidas pelo governo iraniano contra a sua sociedade por questões puramente econômicas. Em suas palavras, em entrevista concedida ao Jornal “O Estado de São Paulo” (Brasil): “se o presidente Lula diz que o Irã não está desrespeitando o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), isso não é problema meu; nosso problema é democracia e direitos humanos. Líderes como Lula e outros no Ocidente não podem pensar apenas em seu benefício econômico“.

Na viagem do presidente brasileiro irá uma comitiva de ministros e empresários para tratarem de acordos envolvendo áreas como agricultura, técnica, meio ambiente, veterinária, esportes, estandes industriais, turismo, políticas industriais, energia, eletricidade, geologia, produção de etanol, comunicação, produção de medicamentos, mineração etc.

De acordo com dados disseminados na mídia ao longo do ano passado, as exportações brasileiras para o Irã cresceram apenas 7,5% , passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,2 bilhão, o que corresponde a apenas 0,8% do total das exportações brasileiras.

Por esta razão, as críticas têm se intensificado, pois, mesmo pensando exclusivamente de forma pragmática, não se acredita que os acordos firmados beneficiarão outros grupos além daqueles que já são beneficiados, nem significará crescimento significativo na balança comercial do país.

Analistas têm levantado dúvidas acerca desta aproximação comercial perguntando sobre os teores dos acordos, suas reais dimensões, o que será feito, quais empresas serão diretamente beneficiadas, qual de o planejamento, além de trabalharem com a realística e provável hipótese de que um conflito na região anularia quaisquer ganhos relativos obtidos nestes Acordos.

O próprio dissidente iraniano, Akbar Ganji, afirmou também em sua entrevista que “o apoio do governo brasileiro ao regime iraniano só trará prejuízo no longo prazo, pois o povo iraniano sabe que esse é um regime criminoso. A aliança do Brasil com esse regime determinará o relacionamento com futuros governos”.

Ou seja, numa provável queda deste governo o Brasil será prejudicado, pois o povo do Irã não o apóia e identificará a aliança brasileira como uma aliança com  o regime que foi afastado prejudicando as relações bilaterais futuras entre os dois países. Em síntese, está afirmando que os riscos da aposta feita pelo governo Lula é estrategicamente errada e não proveitosa ao Brasil.

Devido aos questionamentos deste teor, têm surgido suspeitas internacionais acerca do verdadeiro interesse brasileiro no relacionamento com o governo de Teerã, como a levantada pela revista alemã “Der Spiegel” (O Espelho) de que a intenção brasileira é investir no desenvolvimento de armas nucleares, constituindo-se a aproximação do governo Lula com o governo Ahmadinejad uma manobra da estratégia brasileira para desviar a atenção do verdadeiro foco. As especulações geradas estão atingindo a imagem do governo do Brasil e de suas lideranças, refletindo diretamente na campanha eleitoral de Dilma Roussef, candidata da situação na eleição presidencial a ser realizada em 3 de outubro de 2010.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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