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Zelaya realiza turnê pela América do Sul, buscando apoio para sua estratégia de retornar ao país

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No dia 10 de maio, o presidente de Honduras, Porfírio “Pepe” Lobo, confirmou que só irá à Europa (Madrid) no último dia de reunião da “6a Cúpula América Latina, Caribe e União Européia”, 19 de maio, para evitar transtornos e problemas gerados por um possível encontro com os presidentes de Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva), Equador (Rafael Correa), Bolívia (Evo Morales) e Venezuela (Hugo Chávez).

No mesmo dia em que fez a declaração, o ex-presidente do país, Manuel Zelaya, afastado do cargo por acusações de crimes políticos e comuns, iniciou um périplo pela América do Sul (começou pelo Equador).

O objetivo é conversar com os presidentes dos países da região sobre uma proposta de acordo político com o atual governo de Honduras. Ele tem se referido a ela como “restabelecimento da democracia e da reconciliação nacional”. O teor não foi detalhado, mas se sabe que tem usado do argumento de que para Honduras receber a aceitação internacional o atual presidente deverá dar “garantias constitucionais para que ele e outros exilados retornem (…) com seus direitos civis e políticos”.

Indiretamente, o ex-mandatário tem recebido apoio de parte da mídia internacional que sempre se refere ao seu afastamento como causado pela acusação de ter cometido crimes políticos, reduzindo o problema à sua ação pelas mudanças constitucionais, para tentar a reeleição. É uma forma de passar mensagens subliminares.

Com essa forma de divulgação Zelaya pode reduzir seu discurso a um problema e fazer acusações a Lobo, afirmando para a comunidade mundial que não recebeu Anistia. Isto também serve para reforçar a tese de que para Honduras ser aceita novamente no “concerto das nações” o presidente deve “[cumprir] uma agenda de respeito aos direitos humanos que estão sendo violados” no país.

Com esta abordagem, reforçada pela maneira como a imprensa tem se referido ao seu afastamento, consegue taticamente desviar a atenção do fato de que foi perdoado dos crimes políticos (logo foi anistiado), podendo retornar a Honduras, mas, ao chegar, como qualquer cidadão, terá de responder pelas acusações de crimes comuns, dentre eles: corrupção, desvio de verbas públicas e fraudes em licitações.

Isto é algo que poderá ser comprovado pela “Comissão de Verificação”, já instaurado no país. Analistas têm apontado que seu receio decorre da provável comprovação das acusações, agora que haverá mecanismo verificador com respaldo internacional, impedindo quaisquer movimentos que ele possa executar posteriormente.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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