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ZELAYSTAS ADOTAM OUTRA ESTRATÉGIA PARA TORNAR ELEIÇÕES ILEGÍTIMAS

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Faltando dezesseis dias para o pleito eleitoral que elegerá o Presidente da República de Honduras, os Deputados do Congresso e os Prefeitos, os partidários de Manuel Zelaya, ex-presidente, afastado por acusações de crimes políticos e eleitorais, estão adotando estratégia diferente para deslegitimar as eleições.

 

Até o momento, foram feitos chamados à sociedade internacional para que não reconheça os resultados do pleito, exceto no caso de ocorrer o retorno do ex-presidente ao cargo presidencial. Da mesma forma, até o presente, a quase totalidade da comunidade internacional tinha se posicionado contra o atual governo e a favor do retorno de Zelaya, centrando suas observações no fato de o ex-presidente ter sido expulso do país por um grupo de militares, no decorrer da madrugada, e ignoraram as razões alegadas para o afastamento, diante da violência da ação.

O grande suporte a esse posicionamento estava na neutralidade, ou suposto apoio indireto dado pelos EUA à restituição de Zelaya, uma vez que os norte-americanos estavam acompanhando as decisões da sociedade internacional.

Passados três meses, começaram a surgir cisões na OEA (Organização dos Estados Americanos), quando os estadunidenses divergiram do posicionamento de alguns membros do Órgão, especialmente do Brasil, ocorrendo debates, discussões e diálogos ríspidos, quando ficou clara a discordância dos representantes do EUA, acerca conduta dos brasileiros.

Seguiram-se outras manifestações até o momento de, no final de outubro, por intermédio de enviados do governo norte-americano, ter-se chegado a um acordo, o qual está sendo abandonado pela interpretação particular de cada uma das partes.

A questão agora se coloca em outros termos. A proximidade das eleições trouxe para  Zelaya a situação de não poder mais acatar qualquer ação pacificadora e isso está sendo ignorado pela sociedade internacional.

A violência está se instalando no país com seguidos assassinatos, os quais estão exigindo o aumento nas medidas de segurança, algo que está sendo utilizado pelos zelaysta, como forma de mostrar ao mundo que as eleições serão realizadas sob um regime de exceção.

No limite, é um componente tático, de uma estratégia mais ampla, que inclui outras medidas. Dentre elas, está à renúncia à candidatura presidencial de Carlos H. Reyes, da CI (Candidatura Independente, vinculada à Frente de Resistência). Ele o fez alegando protesto contra a não restituição de Zelaya ao cargo.

Observando-se de forma ampla, a ação vai além dessa manifestação. A renúncia atrapalhará a eleição, podendo, caso não seja corrigida a cédula eleitoral, gerar uma alteração geral nos resultados e confusão na contagem dos votos.

Ao contrário de uma simples manifestação de apoio à Zelaya, a renúncia foi esperada para ser feita após a impressão das 15 milhões de cédulas eleitorais, algo que exigirá o trabalho de cortá-las com tesoura, uma vez que as eleições em Honduras ainda são feitas usando cédulas de papel, na qual aparecem na vertical os nomes e as fotos dos candidatos, em ordem, e o símbolo do partido. O voto é feito com caneta e a cédula depositada em uma urna, como ocorria no Brasil antigamente.

Caso o espaço destinado a Reys não seja cortado da cédula, os votos que ele receber serão anulados, trazendo confusão no resultado do pleito e isso será usado pelos Zelaystas para reivindicar que a eleição não foi legítima.   

O pouco tempo que resta até as eleições exigirá medidas drásticas, por parte dos partidários de Zelaya, para tentar reverter o quadro, uma vez que não se acreditou que o grupo de Roberto Micheletti, atual presidente de Honduras, pudesse resistir por tanto tempo às pressões da sociedade internacional. Principalmente, agora, que há manifestações de que os EUA reconhecerão os resultados do pleito eleitoral de 29 de novembro de 2009.

A situação por parte de Roberto Micheletti se configura no receio da volta de Zelaya ao poder antes das eleições. De acordo com suas demonstrações e manifestações, ele sabe que, por mais que a restituição traga reconhecimento mundial, uma questão ficou em aberto: Zelaya aceitou que fosse votado o seu retorno pelo Congresso hondurenho imaginando que retornaria ao poder, mas aceitou que todos os processos jurídicos continuariam contra ele, logo após a entrega da faixa presidencial, em 27 de janeiro de 2010, ao presidente eleito no dia 29 de novembro deste ano, 2009.

A questão que emergiu foi: como alguém aceita o risco, senão quase certeza de que poderá ter perda geral, inclusive da liberdade, para retornar ao cargo presidencial por apenas dois meses.

Quando os deputados brasileiros estiveram em Honduras, Zelaya deu uma declaração que ficou marcada pela mídia internacional. Afirmou que eles “não [tinham] medo dos EUA, do Brasil, nem de ninguém, mas [tinham] pavor, terror de Manuel Zelaya”, quase afirmando que esperavam qualquer coisa do ex-presidente.

No limite, da perspectiva do grupo que afastou Zelaya do cargo, a resistência de Micheletti está se expressando como uma forma de evitar que Zelaya volte ao poder, pois, caso o faça, diante dos atos de violência que estão ocorrendo no país e do respaldo que ele tem recebido da comunidade internacional, nada garantirá que ele dê continuidade ao seu projeto, que foi interrompido com o afastamento em 28 de junho de 2009.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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