LOADING

Type to search

Há seis meses de eleições presidenciais, Cristina Kirchner recebe criticas de intelectuais na “Feira do Livro”

Share

Apesar de ter garantido sua participação na “37a Feira do Livro de Buenos Aires” apenas após intervenção direta da presidente Cristina Kirchner, o escritor peruano, “Prêmio Nobel de Literatura”, Mario Vargas Llosa, criticou o governo argentino e sua  ideologia, utilizando como tática discursiva o questionamento acerca da decadência do país ao longo dos últimos 40 anos.

A situação começou a se desenhar quando o diretor da “Biblioteca Nacional” argentina, Horacio Gonzáles interrogou a homenagem que seria feita a Vargas Llosa, sendo ele um liberal convicto e anunciou que vetaria sua participação no evento. A presidente Cristina Kirchner impediu o veto e assegurou que ele participaria.

No entanto, o “Prêmio Nobel” não evitou em afirmar que a Argentina representa uma das mais drásticas quedas em termos de desenvolvimento e nível de vida do globo, uma vez que no início do século XX foi um país de primeiro mundo, o único da America Latina nesta condição, enquanto, comparativamente, três quartos da Europa eram de países do terceiro mundo e hoje está numa das piores condições do região latino-americana.

A pergunta lançada foi “como isto foi possível ?” e praticamente responsabilizou pela decadência a seqüência de governos e regimes autoritários que passaram pelo país, acusando em especial a Peron por ter criado as bases dessa situação.

Quando questionado sobre as ligações do liberalismo com a ditadura militar que assolou o país, o escritor interrompeu o mediador e afirmou ser “uma obscenidade ligar liberalismo e ditadura”, mostrando que os problemas se desenvolveram graças aos fundamentos criados pelos ideários autoritários, em especial do peronismo.

O mesmo comportamento foi adotado por outro intelectual que participou da Feira, o filósofo espanhol Fernando Savater, que foi mais direto e criticou severamente o peronismo, chamando-o de “tiranossouro rex”. Savater afirmou que os peronistas estavam para a Argentina como o franquismo esteve para Espanha e declarou: “O ditador Franco era um entusiasta de Perón e eu nunca fui partidário de Franco. Por extensão, também não gosto do peronismo. Mas agora tudo isso já faz parte um pouco da arqueologia”.

A Argentina passará em 23 de outubro deste ano (2011) pelas eleições presidenciais e até o momento a candidata natural do governo, a atual presidente Cristina Fernandez Kirchner, apresenta-se com folga em relação aos demais candidatos, uma vez que os partidos estão se organizando e buscando as coalizões para enfrentar o governo.

A oposição busca mostrar os erros de Cristina e a fragilidade institucional do país gerada pelas políticas de controle da sociedade e do mercado adotadas pelo governo dos Kirchners (Nestor e Cristina).  Apesar da vantagem apresentada pela Presidente, os analistas apontam que ainda é cedo para afirmar que ela terá tranqüilidade, apostando que os debates serão intensos e sem garantias antecipadas para a atual mandatária. O processo está aberto.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!