LOADING

Type to search

Possíveis Consequências do Referendo de Independência na Região do Curdistão

Share

Três anos após Abu Bakr al-Baghadadi declarar a existência de seu Califado na Mesquita de al-Nuri, em 29 de junho de 2014, o mesmo local foi capturado por militares iraquianos que ainda avançam para a retomada de Mosul. O Governo iraquiano tem obtido sucesso nos esforços para reconquista de seu território, entretanto, agora, o próximo passo é a reintegração política e social das regiões sob seu controle, de modo a garantir a segurança dos cidadãos.

Região do Curdistão

Essa segunda etapa de recuperação, além dos conflitos armados, tende a ser um desafio mais complexo. À medida em que o Estado Islâmico (EI ou ISIS) perde sua esfera de domínio sobre seus territórios, cria-se espaço para o ressurgimento de disputas políticas antigas. É o caso da região autônoma dos Curdos no Iraque, localizada em sua maior parte no norte do país. Masoud Barzani, o Presidente do Governo da Região dos Curdos no Iraque (KRG), anunciou, via twitter, a data de 25 de setembro de 2017 como o dia para o Referendo de independência regional. Oficiais do Governo afirmam que a decisão foi tomada após uma reunião dos maiores partidos políticos.

O Referendo sobre a independência dos Curdos do Iraque acontecerá nos três governorados* que compõem a região curda, mas também em espaços cujo domínio territorial é disputado com iraquianos. Vale notar que as áreas de disputa atualmente se encontram sob controle militar curdo, tendo em vista sua participação nos esforços militares para retirar o ISIS do norte do Iraque. Dentre estes territórios, destaca-se a Província de Kirkuk, devido à presença de poços e refinarias de petróleo, que podem motivar maiores tensões durante o processo de independência.

Presidente do Governo Regional do Curdistão, Massoud Barzani

Não é claro se a vitória do “sim” levaria diretamente a uma declaração de independência, pois, apesar de haver uma forte coesão social na população curda, ainda existem divisões políticas. A maior dificuldade no processo ainda é a oposição de Bagdá ao movimento de separação. Mesmo com um certo nível de autonomia (Curdos dispõe de seu próprio Parlamento e Forças Armadas), a oposição do Governo do Iraque se sustenta nas disputas pela divisão de recursos oriundos da exploração do petróleo, e pelos territórios iraquianos que foram tomados pelas forças Curdas durante o combate ao ISIS.

Existe grande preocupação internacional com os desdobramentos que o voto positivo no Referendo poderia acarretar. Países como Síria, Irã e Turquia têm um histórico de oposição ao movimento de independência dos curdos, uma vez que suas populações também são compostas pela etnia. A Alemanha também se manifestou com preocupação sobre os planos. O Ministro de Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, alertou sobre a tomada de decisões unilaterais que colocariam em risco a unidade do Iraque, o que aumentaria a instabilidade no país.

———————————————————————————————–

* Um Governorado é uma divisão administrativa de um país, dirigida por um Governador. Tem sido comum usar o termo em traduções para se referir a essas subdivisões regionais, correspondendo, aproximadamente, a um Estado, uma Província, ou Colônia. Nesse sentido, é uma tradução de termo inglês para se referir a subunidade administrativa de país, que seja administrada por um Governador.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Região do Curdistão” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Curdistão_iraquiano#/media/File:Flag_of_Kurdistan.svg

Imagem 2 “Região do Curdistão” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Kirkuk#/media/File:Iraqi_kurdistan_location.png

Imagem 3 “Presidente do Governo Regional do Curdistão, Massoud Barzani” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massoud_Barzani#/media/File:Mesud_Barzani.jpg

 

Gabriel Mota - Colaborador Voluntário

Gabriel Mota Silveira é formado em Relações Internacionais. É mestrando do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PPGRI/PUC-MG), com linha de pesquisa em Insituições, Conflitos e Negociações Internacionais. É pós-graduado em Relações Governamentais e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e discente associado ao Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais do Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (CBEC-ICPD). Entusiasta do estudo do Terrorismo Transnacional e Insituições Internacionais. Já prestou serviço ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, trabalhou na Embaixada do Reino Unido em Brasília e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Atua hoje junto à Assessoria de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais.

  • 1

Deixe uma resposta