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Possíveis mudanças no “Regime Internacional dos Megaeventos Esportivos”

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Desde que as inovações e modernização nas comunicações abreviaram de forma bastante significativa as distâncias e se aliaram à indústria esportiva, impulsionando, sobremaneira, a visibilidade e, consequentemente, a lucratividade dos eventos esportivos internacionais, estes se tornaram de fundamental importância para grupos privados transnacionais, organizações internacionais e, sobretudo, para diversos países, que deles se beneficiam econômica, comercial e politicamente. Ademais, de acordo com estudiosos da área, os megaeventos esportivos auxiliam na afirmação de valores e interesses particulares, projetados em nível global pela porosidade das fronteiras[1].

No que tange ao universo futebolístico, no qual as atenções mundiais se concentram, predominantemente,  nas edições da “Copa do Mundo FIFA” e nos torneios preparatórios que as antecedem, os interesses econômicos e políticos envolvidos, capitaneados pela FIFA, ditam o rumo e as condições de realização destes megaeventos, sem que haja um estudo consistente acerca dos impactos que estes possam vir a causar. Contudo, a “15ª Conferência da International Football Arena (IFA)” – organização que reúne inúmeros global players em negócios do futebol –, a ser realizada nos dias 28 e 29 de Outubro de 2013, em Zurique (Suíça), começa a discutir as implicações negativas dos megaeventos esportivos.

Tendo em vista os recentes protestos e a agitação social ocorrida no Brasil durante a realização da “Copa das Confederações”, evento teste para “Copa do Mundo de 2014”, a própria FIFA começa a se questionar acerca das condições de realizações destes megaeventos, preocupação esta que irá embasar o principal tema da “15ª Conferência da IFA”, qual seja: “Há Futuro para Os Megaeventos Esportivos?” De acordo com Christopher Gaffney, estudioso sobre os impactos econômicos e sociais causados pelos megaeventos esportivos, as imposições e obrigações às quais os países se sujeitam em virtude de sediar megaeventos, especialmente os países em desenvolvimento, devem mudar.

Ainda segundo Gaffney, os megaeventos são inteiramente planejados por indivíduos que não possuem conhecimento das particularidades locais dos países que são escolhidos como sede dos eventos e, além disso, os acordos necessários para realização destes acabam se sobrepondo às leis nacionais dos países, o que se torna fonte geradora de diversos problemas. Neste sentido, um alento talvez seja a ideia recentemente expressa por Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, que afirma ser favorável a que países só possam se candidatar para serem sede da “Copa do Mundo” mediante aprovação prévia da população local ou de uma estância superior que represente o país, de forma a se evitar transtornos como os ocorridos durante a realização da “Copa das Confederações” no Brasil.

Entretanto, deve-se ter em mente que quaisquer mudanças que possam haver somente seriam aplicadas para o processo de seleção do país sede da “Copa do Mundo de 2026”. Além do mais, dado que a “Copa do Mundo” representa uma das maiores fontes de lucro da FIFA, movimentando acentuado volume de investimentos,  uma mudança de regras que não fosse favorável à FIFA não seria aprovada pela entidade.

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ImagemO Que Esperar de 2014?” (Fonte):

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/06/28/guru-de-megaeventos-usa-londres-como-exemplo-para-brasil-recuperar-imagem-da-copa-2014.htm

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

VASCONCELLOS, D. W. Esporte, Poder e Relações Internacionais. Brasília: FUNAG, 2008.

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Ver também:

http://www.insideworldfootball.com/ifa/13441-ifa-is-there-a-future-for-mega-events

Ver também:

http://www.internationalfootball.com/

Ver também:

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/21/valcke-quer-consulta-popular-antes-de-pais-se-candidatar-a-sede-da-copa.htm

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Mario Joplin - Colaborador Voluntário

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.

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