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Potências apresentam proposta a Síria e ameaçam com sanções

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As potências ocidentais apresentaram ontem, quarta-feira, dia 11 de julho, um “Projeto de Resolução” ao “Conselho de Segurança da ONU” (CS da ONU) pelo qual fica estabelecido um prazo de 10 dias para o Governo sírio abandonar o uso de armas pesadas nas cidades contra a Oposição. O Projeto deixa em aberto a possibilidade de “sanções não-militares” (diplomáticas e econômicas), em respeito ao “Capítulo VII” da “Carta da ONU”, caso se mantenha a mesma postura.

 

De acordo com o disseminado na mídia internacional, o ponto principal está no “Parágrafo 5” que estabelece o abandono do uso de armas, cumprindo o “Plano de Paz” apresentado pelo negociador Kofi Annan: parar de mobilizar as tropas próximas às cidades e utilizar armas pesadas nessas regiões; retirar as armas pesadas das cidades e suas imediações; retirar as armas estacionadas nas bases.

Exige-se, contudo que os dois campos, Governo e Opositores apliquem o plano de Annan: fim da violência armada e um processo de transição política, com participação de todos os campos em confronto.

No texto do “Projeto de Resolução” consta: “Pedimos a todas as partes na Síria, inclusive a oposição, que cesse imediatamente toda a violência armada, para criar assim uma atmosfera condutora a uma transição política”*. Além disso, está definida a prorrogação da “Missão de Supervisão da ONU na Síria” (Misnus). Diretamente informa que “renova o mandato da Missão de Supervisão da ONU na Síria (Misnus) por um período de 45 dias, com base nas recomendações”**.

A Rússia e a China, contudo, continuam se opondo a qualquer medida que imponha Sanções à Síria. Após reunião realizada com os membros do “Conselho Nacional Sírio” (CNS), principal grupo opositor ao presidente Bashar al Assad, os russos demonstraram que manterão a postura e não aceitarão interferências, ou qualquer política que possa representar a perda de influência que a Rússia tem sobre o país, algo que está além da questão Assad.

Durante o encontro ocorrido, o ministro das relações exteriores russo, Sergei Lavrov, solicitou informações dos sírios sobre as relações que o CNS tem com os demais grupos opositores dentro e fora do país. Afirmou: “Necessitamos entender quais são as perspectivas de unidade de todos os grupos opositores em torno da plataforma de diálogo com o governo, como contempla o plano de Kofi Annan, aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU”***.

Analistas apontam que os russos estão conscientes do que representará para sua política externa a queda do “Governo Assad” e por isso adotarão as medidas necessárias para manter um grupo aliado à Rússia no poder, indicando ainda que já buscam alguém na oposição para ser este parceiro, numa possível e cada vez mais provável queda de Assad.

Interpretam estes observadores que a estratégia tem sido preservar o Governo tal qual está, recusando quaisquer interpretações de que ocorre uma revolução na Síria, ou garantir uma transição lenta e gradual para que mantenham os russos a sua influência e consigam configurar outra aliança, evitando a modificação do status quo regional em relação a presença da Rússia e dentro de sua perspectiva de “projeção de poder”.

Os Opositores, contudo, estão pedindo que aceite a mudança imediata de Regime e se una às potências ocidentais, pois, sem a renúncia de Assad, não haverá solução. Contrapondo-se ainda as considerações do “Governo Putin”, o líder do CNS, Abdulbasit Seida, um dos que dialogou com a autoridade russa, afirmou: “o que ocorre na Síria é uma revolução, e não diferenças entre o povo e o governo. (…). O povo procura modelar sua vontade de acabar com o regime e tomar a caminho do desenvolvimento democrático”***.

De forma direta, acreditam os observadores que a situação permanecerá como está, bem como que Bashar al Assad não cumprirá qualquer Acordo estabelecido, tendendo a situação para o reconhecimento internacional do status de “Guerra Civil”, o que permitirá o fornecimento explícito de armas aos rebelados e levará Assad a transformar a situação em “conflito regional”, pois já está na sua perspectiva esta hipótese estratégica.

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Fontes:

* Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/russia-e-ocidente-se-enfrentam-na-onu-por-ameaca-de-sancoes-a-siria–2

** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5892276-EI17594,00-ONU+da+prazo+de+dias+para+Siria+parar+de+usar+armas+pesadas.html

*** Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/oposicao-siria-pede-que-russia-de-sinal-verde-para-intervencao-da-onu

 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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