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Presidência peruana à sombra do Fujimorismo

CEIRI 6 de novembro de 2017
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No Peru, uma sombra paira sobre a administração Pedro Pablo Kuczynski (PPK). Em 8 de maio de 2017, o jornal La República publicou reportagem com a manchete: “Fujimorismo pressiona PPK para que indulte Alberto Fujimori”.  O ex-Presidente foi condenado a 25 anos por crime de Lesa-Humanidade, devido ao massacre de Barrios Altos*.

No Congresso Peruano, controlado pelos fujimoristas, esta questão assume configurações políticas capazes de definir os rumos do Governo PPK e do país. Se indultá-lo, poderá ter uma breve paz política, no entanto perderá o apoio dos antifujimoristas, aos quais deve o seu mandato. Caso não o faça, teme que o ex-mandatário morra na prisão e em contrapartida receba uma pressão dos fujimoristas que podem de tentar derrubar seu governo.

Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski (PPK)

Em 24 de setembro de 2017, o periódico Perú 21 publicou a notícia: “PPK sobre eventual indulto a Alberto Fujimori: Por el momento es un tema médico. Existem muitas dúvidas em relação ao real estado de saúde de Fujimori e o perdão poderia representar um atestado de covardia. Ademais, poderia representar o fortalecimento dos fujimoristas frente à sua administração, ou pior, poderia ser o ato que permitiria ao ex-ditador voltar à política.

Para a jornalista Rosa María Palacios, “PPK tem medo de que ele morra na prisão e o Fujimorismo derrube o governo. Mas ele tem melhor saúde do que PPK e a mesma idade. PPK quer passar para a história como o homem que perdoou Fujimori?” (Tradução livre).  

No último sábado, dia 4 de novembro de 2017, o jornal La República noticiou a decisão dos congressistas que permitiu aos condenados por corrupção e outros crimes serem candidatos, caso recebam um “perdão especial”, sob o argumento de que isso beneficiaria as centenas de pessoas injustamente condenadas pelo terrorismo no final da década de 1990, e que foram perdoadas no âmbito da Comissão Lanssiers** (Tradução livre).

Segundo o congressista e ex-primeiro-ministro Jorge del Castillo, essa é uma oportunidade de Fujimori voltar à política, caso seja indultado: “Ontem à noite, conhecemos uma nova forma de perdão, o perdão fundamentado, que abre a porta para postular nas próximas eleições, tanto os terroristas indultados equivocadamente, como Alberto Fujimori, se receberem essa graça presidencial” (Tradução livre).

Kuczynski é assombrado pela prisão de ex-Presidentes. Além de Fujimori, atualmente se encontram detidos o ex-presidente Ollanta Humala; e Alejandro Toledo teve a prisão decretada, encontrando-se foragido nos Estados Unidos. Os fujimoristas, recentemente, compuseram uma Comissão Parlamentar de Inquerido homônima da operação realizada pela Justiça brasileira chamada Lava Jato.

A esta ação dos parlamentares peruanos, PPK denominou de “circo”. A Comissão pediu a quebra de sigilo bancário de ex-ministros e recentemente enviou ao Presidente uma série de perguntas sobre sua relação com a empreiteira brasileira Norberto Odebrecht no tempo em que era Ministro da Economia da gestão Toledo.

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Notas:

* Massacre de Barrios Altos, link:

http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_75_ing.pdf

** Refere-se ao sacerdote belga Hubert Lanssiers. Em 1996, durante o governo de Alberto Fujimori, Hubert Lanssiers, de 74 anos, foi nomeado diretor da Comissão de Indultos para os crimes terroristas, que em quatro anos de funcionamento liberou 1.600 inocentes. Lanssiers conseguiu que Fujimori admitisse o erro que cometeu ao impor a figura dos “juízes sem rosto”, os quais podiam ditar uma pena à prisão perpétua em 15 minutos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cidadãos peruanos que apoiam o indulto ao expresidente Aberto Fujimori” (Fonte Montagem do autor):

https://twitter.com/albertofujimori

Imagem 2 Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski (PPK)” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/884929951723511808

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