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Presidente Abdel Fattah el-Sisi propõe Revolução Religiosa no Egito

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Na sequência da Primavera Árabe, vários países do Oriente Médio foram sacudidos por mudanças que culminaram na deposição de Governos e no ressurgimento dos ideais fundamentalistas. A Praça Tahrir, no Cairo, foi o palco de manifestações históricas que exigiram mudanças no Governo e o sepultamento de décadas de ditadura. A ação de milhares de cidadãos levou à deposição do então presidente Hosni Mubarak e à ascensão ao poder de Muhammad Morsi, um militante da Irmandade Muçulmana. As medidas adotadas por Morsi desagradaram parte da população, o que gerou uma nova rebelião popular, apoiada pelas Forças Armadas, que derrubou o Presidente eleito. Após eleições realizadas em 2014, o cargo de Presidente passou a ser ocupado pelo marechal Abdel Fattah el-Sisi. Hoje, elSisi tenciona fazer uma revolução religiosa no Egito, devido ao aumento de ações fundamentalistas que colocam em risco a governabilidade do país e ameaçam as minorias não muçulmanas.

A prisão de importantes lideranças muçulmanas e o fato de a Justiça ter considerado a Irmandade Muçulmana ilegal não representou, para o Egito, o fim do extremismo islâmico. A radicalização islâmica é um fator de preocupação para o Governo e, durante um discurso na Universidade alAzhar[1], elSisi afirmou querer realizar uma transformação religiosa no Egito[2].

O Presidente criticou a interpretação radical do Alcorão e chamou a atenção para o fato de o pensamento religioso se ter transformado em fonte de perigo, de medo e de destruição. Ele não criticou a religião, mas o pensamento religioso extremista dominante. Segundo elSisi, “temos necessidade de uma revolução religiosa[3]. Naquela oportunidade, o Presidente levantou a seguinte questão: “É possível que 1,6 bilhão de pessoas (muçulmanos) queira matar o resto dos habitantes do mundo – que são 7 bilhões – para que eles possam viver? Impossível[3].

O objetivo de elSisi, ao propor a revolução religiosa, foi bem recebido pelo Ocidente, que considerou uma atitude corajosa. Porém, analistas não acreditam que a intenção do Presidente se concretize, pois argumentam que nem ele, nem o Estado, possuem uma estratégia de combate ao extremismo[4]. Segundo Samuel Tardos, pesquisador sênior no Centro do Instituto Hudson para a Liberdade Religiosa, dos Estados Unidos, “estes esforços não são suscetíveis de resultar em algo significativo – muito menos uma revolução religiosa[5]. Para Tardos e outros analistas, o único meio para se iniciar a revolução religiosa no Egito é através do sistema educacional, que deve estar sob a supervisão do Ministério da Educação e desvinculado da influência da Universidade alAzhar. Atualmente, o sistema educacional egípcio, de acordo com Tardos, é “uma incubadora para o extremismo e a radicalização[6].

Estudos apontam para o crescimento da intolerância em todos o segmentos da sociedade civil egípcia[7]. A perseguição aos cristãos, considerados cidadãos de segunda classe[8], não é exclusiva das instituições religiosas, pois os perseguidores “não são necessariamente membros da Irmandade Muçulmana e de outros grupos islâmicos[9]. A partir disso, evidencia-se a problemática em que está envolvido o Egito, o que leva os analistas a sublinharem que a única alternativa para alterar a situação vigente no país é uma mudança na Educação, enquanto instrumento capaz de combater o extremismo religioso através da formação de cidadãos com valores centrados na tolerância e no pluralismo.

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ImagemInterior da Igreja Evangélica de Mallawi, Egito, após ter sido saqueada e incendiada (agosto de 2013)” (Fonte):

http://america.aljazeera.com/content/ajam/articles/2013/8/21/egypta-s-churchesunderattack/_jcr_content/mainpar/imageslideshow/slideShowImages/slide2/image.adapt.960.high.egypt_church_02a.jpg

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[1] VerAlAzhar é um complexo de instituições que data do século X. Atualmente inclui uma mesquita, um sistema escolar, uma Universidade e o Conselho de Acadêmicos Séniores, cujas decisões religiosas são vinculativas para o Governo do Egito (embora não necessariamente para os seus cidadãos)”:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/.premium-1.653384

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/.premium-1.653384

[3] Ver:

http://jcpa.org/article/sisi-calls-for-reform-of-islam/

[4] Ver:

http://www.bpnews.net/44595/egypts-president-pressured-toward-reform

[5] Ver:

http://www.bpnews.net/44595/egypts-president-pressured-toward-reform

[6] Ver:

http://www.bpnews.net/44595/egypts-president-pressured-toward-reform

[7] Ver:

http://www.the-american-interest.com/2015/04/02/a-reform-agenda-for-egypt/

[8] Ver:

http://bpnews.net/44595/egypts-president-pressured-toward-reform

[9] Ver:

http://bpnews.net/44595/egypts-president-pressured-toward-reform

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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