LOADING

Type to search

Presidente de Angola anuncia aposentadoria e remexe cenário político no país

Share

Um anúncio inesperado durante a Convenção Extraordinária do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na última sexta-feira (11 de março), marcou a política africana nesta última semana: o atual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, proclamou a sua aposentadoria política para após as eleições gerais de 2017. Caso se confirme o anunciado, em breve chegará ao fim o segundo mandato político mais longo de toda a África, com 39 anos. “Em 2012, em eleições gerais, fui eleito Presidente da República e empossado para cumprir um mandato que nos termos da Constituição da República termina em 2017. Assim, eu tomei a decisão de deixar a vida política ativa em 2018”, declarou dos Santos, durante o Congresso do Partido.

Ao MPLA, surge o desafio de encontrar um sucessor político para José Eduardo dos Santos e uma nova base política a ser apresentada nas eleições de 2017. A popularidade do Partido decresceu nos últimos anos, principalmente após a queda internacional dos preços do petróleo – fato que desacelerou a economia angolana – e após as sucessivas críticas de retaliações governamentais a movimentos civis.

À sociedade angolana, o desafio é, no entanto, duplamente maior:

  1. Primeiro, como sustentar um cenário político propício ao florescimento de novas frentes partidárias, aumentando a competição política interna. Os principais partidos de oposição da atualidade, como a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e o Partido de Renovação Social (PRS), somente assumiram papeis de coadjuvantes na política angolana até os dias de hoje;
  2. Em segundo lugar, parte da oposição no país não acredita que o anúncio do Presidente angolano seja totalmente verídico. Para Marcolino Moco, Ex-Primeiro Ministro de Angola, o anúncio é um repertório para volver a atenção pública novamente a dos Santos, em uma tentativa de amenizar a crítica pública sobre o atual Governo. “A situação não é boa e normalmente é nestas situações que são feitas estas declarações, provavelmente para baixar a tensão”, afirmou Moco.

As críticas públicas se intensificam, principalmente no âmbito econômico: se, nos últimos quatro anos, a média de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,9%, o Banco Mundial estima um crescimento médio anual para os próximos quatro anos de 3,5%, média inferior à esperada para a África Subsaariana como um todo. Além da queda nos preços do petróleo, a desaceleração da China, principal parceira comercial de Angola, é outro importante fator para o arrefecimento da economia.

Em partes, a afirmação de Moco encontra razões de ser segundo os últimos fatos: embora dos Santos tenha feito a declaração de aposentadoria, em nota oficial, o Comitê Central do Partido afirmou que ainda indicará o atual Presidente como seu candidato principal nas próximas eleições.

Se a declaração de dos Santos é um mero repertório ou evento político verídico, pouco se pode saber neste momento. No entanto, fato é que se pode esperar um turbulento cenário político para os próximos anos em Angola, tendo em vista não somente o debate da sucessão, mas também todos os aspectos econômicos que estão em jogo.

———————————————————————————————–

ImagemThe Famous People” (Fonte):

http://www.thefamouspeople.com/profiles/jos-eduardo-dos-santos-5973.php

 

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.