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Presidente do Brasil viaja à China em busca de investimentos para privatizações

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No dia 29 de agosto de 2017, o Presidente do Brasil, Michel Temer, embarcou em viagem oficial para a República Popular da China. A visita ocorreu na semana anterior à 9ª Cúpula do BRICS, realizada na cidade chinesa de Xiamen. O Presidente foi acompanhado por uma comitiva de quarenta empresários e dos Ministros Aloysio Nunes (Relações Internacionais), Blairo Maggi (Agricultura), Marcos Pereira (Indústria e Comércio), Bezerra Filho (Minas e Energia) e Dyogo Oliveira (Planejamento).

Marca da empresa estatal chinesa State Grid, principal interessada na aquisição da Eletrobrás

Analistas afirmam que o principal objetivo do Chefe de Estado brasileiro no país asiático é atrair investidores para o plano de privatizações de 57 empresas públicas anunciado no dia 24 de agosto. Em entrevista para a agência de notícias da China, Michel Temer afirmou que “nesse momento em que as oportunidades se multiplicam, queremos nos beneficiar da excelência chinesa em rodovias, aeroportos, portos, energia elétrica, petróleo e gás”.

Os primeiros encontros oficiais do mandatário brasileiro foram com os presidentes das empresas estatais chinesas State Grid e China Three Gorges, potenciais interessadas no processo de privatização da Eletrobrás. A reunião com o Chefe de Estado da China, Xi Jinping, aconteceu no dia 1o de setembro. Na ocasião, o líder chinês declarou que “a relação entre Brasil e China possui significado global estratégico e os dois países devem continuar aprofundando a cooperação bilateral em harmonia. Em seguida, Michel Temer assinou acordos de intenção sobre investimentos da companhia China National Nuclear Corporation (CNNC, sigla em inglês) na construção da Usina de Angra 3 no Rio de Janeiro.

As consequências do adensamento das relações econômicas entre os dois países são controversas entre especialistas brasileiros. Por exemplo, Oliver Stunkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, considera que “não há alternativa à China. Fortalecer a relação com o país é o único caminho”, e Sérgio Lanzzarini, professor do Insper, defende que “dizer não à China é um movimento protecionista que não deveríamos perseguir”.

Exportação de soja brasileira para a China

Por outro lado, para o professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, André Cunha, caso o Brasil não formule uma estratégia adequada, a concorrência chinesa pode acarretar feitos negativos para a indústria nacional. Nota-se que a pauta de exportação brasileira para o país asiático é fortemente concentrada em bens primários, principalmente minério de ferro e soja. Ademais, Pedro Rossi, professor de Economia da Unicamp, argumenta que o pacote de privatizações defendido pelo Presidente Temer na China ameaça “a soberania nacional e a própria democracia brasileira”.

Nesse contexto, percebe-se que a estratégia de privatização do setor de infraestrutura perseguida pelo Governo Federal vai de encontro ao projeto de desenvolvimento executado pelo país asiático. Isso porque os investimentos em infraestrutura no território chinês são realizados fundamentalmente por empresas públicas chinesas. Além disso, é interessante notar que são corporações estatais as principais interessadas na aquisição da Eletrobrás. Logo, caso o plano de privatizações do Presidente Michel Temer seja bem-sucedido, o setor elétrico no Brasil não será mais administrado por uma empresa estatal brasileira, mas sim por companhias controladas pelo Governo da China.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente do Brasil, Michel Temer, e Presidente da China, Xi Jinping, em 2016” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Presidente_Michel_Temer_e_Presidente_Xi_Jinping.jpg

Imagem 2Marca da empresa estatal chinesa State Grid, principal interessada na aquisição da Eletrobrás” (Fonte):

https://zh.wikipedia.org/wiki/%E5%9B%BD%E5%AE%B6%E7%94%B5%E7%BD%91#/media/File:State_Grid.svg

Imagem 3Exportação de soja brasileira para a China” (Fonte):

http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2015/11/economia/464702-exportacao-de-soja-gaucha-e-a-maior-da-historia.html

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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