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Presidente do Curdistão Iraquiano deixará o poder

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Nas últimas semanas o mundo assistiu a duas importantes tentativas de proclamação de independência: o caso da Catalunha, a qual vem tentando se separar da Espanha e ser reconhecida como um Estado independente; e o caso do Curdistão iraquiano, que busca sua independência em relação ao Iraque. Assim como na Catalunha, o Governo do Curdistão iraquiano promoveu consulta popular quanto a eventual independência, utilizando-se das vias legais para tanto – no caso, realizou-se um Referendo, o qual foi aprovado por ampla maioria não só da população da região citada, mas também pelos habitantes de outras regiões autônomas do Iraque.

Al-Abadi cumprimenta Donald Trump na Casa Branca

Entretanto, apesar de a consulta popular ter conferido ao movimento independentista curdo suposta legitimidade, as aspirações curdas contrariam o ordenamento jurídico iraquiano, de forma que o Governo central prontamente tomou providências a respeito. Assim, o Exército iraquiano avançou sobre os principais campos petrolíferos e outros pontos vitais do Curdistão, superando as forças Peshmerga e impossibilitando que o movimento pela independência avançasse.

Tal cenário não só expôs a fraqueza do Governo curdo – que não contou com o apoio e reconhecimento internacional, como previam – como também enfraqueceu politicamente Masoud Barzani, Presidente da região autônoma curda do Iraque, que deverá deixar o cargo em 1º de novembro. Na realidade, essa data não marcará somente a queda de Barzani, mas também o fim do sonho curdo pela independência do Iraque, desejo manifestado por muitos há décadas. Importante questão é o fato de que Barzani está no poder desde 2005, pouco após Saddam Hussein ter sido deposto pela coalizão britânico-americana responsável pela intervenção no Iraque, em 2003.

Por isso, o Presidente do Curdistão iraquiano não só se tornou em uma das principais figuras políticas do Iraque – permanecendo no poder por um período maior até do que figuras relevantes do Governo central daquele país, ainda que em condições legalmente questionáveis – mas também sempre contou com o apoio norte-americano em seu território, e foi prestigiado internacionalmente como o responsável pelo florescimento econômico de sua província em meio ao caos que assola praticamente todo o país, em razão da supracitada intervenção.

Novamente, considerando a questão curdo-iraquiana em relação ao caso catalão, nota-se que os governos centrais adotaram abordagens bastante diferentes entre si, ainda que os casos sejam muito semelhantes. Enquanto que o Primeiro-Ministro espanhol, Mariano Rajoy, se limitou a adotar medidas legais para impedir o prosseguimento do processo de independência de uma de suas regiões autônomas, o primeiro-ministro iraquiano Haider Al-Abadi não hesitou em lançar mão de suas Forças Armadas para sufocar econômica e militarmente o movimento liderado por Barzani.

Ademais, embargos aéreos e econômicos internacionais também colaboram para com o fracasso da independência curda, graças à maior força e ao reconhecimento formal do Estado Iraquiano junto à comunidade internacional. Notadamente, o método adotado por Al-Abadi provou ser mais célere. Contudo, por ter se valido da força para impedir a divisão do país, tais medidas têm sido questionadas por diversas entidades internacionais, considerando-se que poderia ter havido maiores negociações com os representantes curdos para tal.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Manifestação pró-independência curda no Iraque” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/865503336

Imagem 2 AlAbadi cumprimenta Donald Trump na Casa Branca” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Haider_al-Abadi#/media/File:Donald_Trump_greets_Iraqi_Prime_Minister_Haider_al-Abadi,_March_2017.jpg

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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