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Presidente do Egito parte para confronto com o poder militar

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O Presidente eleito do Egito, Mohamed Mursi, anunciou ontem, domingo, dia 12 de agosto, medidas que confrontam diretamente os militares do país, que estão consolidados como a principal Instituição e o poder real, configurado atualmente na “Junta Militar” do “Conselho Supremo das Forças Armadas” (CSFA), o qual governava provisoriamente desde a queda de Hosni Mubarak até as “Eleições Presidenciais”.

Mursi adotou procedimentos para recuperar seu poder presidencial, que foi tolhido pelo CSFA, e para reduzir a capacidade de ingerência deste Órgão. Sua atuação se deu em várias frentes. Desfez as decisões tomadas pelos militares que se constituíam de Reformas constitucionais, pelas quais restringia o poder presidencial, suspendia o Parlamento (que havia garantido força à “Irmandade Muçulmana”) e também suspendia a “Comissão” para elaborar a futura Constituição egípcia. O Presidente demitiu o Chefe das Forças Amadas, Sami Annan e passou para a reserva Marechal Hussein Tantawi, Ministro da Defesa, com quem havia entrado em confrontos direto logo após ser eleito. Além disso, anunciou o juiz Mahmoud Mekki para Vice-Presidente.

 

Analistas apontam que Mursi sabe ser necessário assumir o controle do processo político e isto só será possível se limitar o poder político das instituições militares que governavam o país e tinham montado uma estratégia para manter-se numa posição superior a do Presidente e ao Legislativo, controlando-os até a promulgação da futura Constituição, que calculavam ser escrita sob seu controle. Ou seja, apontam que Mursi sabe ser preciso impedir o sucesso desta estratégia dos grupos militares de colocarem-se numa condição próxima a de um “Poder Moderador”, com capacidade legislativa e de ingerência administrativa.  

Estes observadores crêem que o Presidente pretende aproveitar esta conjuntura em que detém apoio de parte significativa da população, com a “Irmandade Muçulmana” em posição de maioria, prevendo ser capaz de orientar muitas ações populares e conduzir futuras manifestações para resguardar-se no Cargo presidencial, caso estas sejam necessárias.

No entanto, ressaltam que apenas com apoio segmento do povo, embora majoritário, não conseguirá controlar as “Forças Armadas”, que foram responsáveis por parte importante do desenvolvimento egípcio em alguns momentos e se organizou com autonomia suficiente para serem vistas como um Estado dentro do Estado.

Por essa razão, acreditam que ele deverá realizar várias substituições nas altas patentes, visando criar um “Estado Maior” que lhe seja leal, quando não dependente, mas não crêem que isto será viável confrontando diretamente as principais lideranças sem antes ter estabelecido um grupo dentro das “Forças Militares” com ascendência no alto escalão e controle da tropa.    

Diante do quadro, especialistas indicam que a situação no país será de mais tensão, pois os grupos militares alijados responderão e não será surpresa que tentem confrontar Mursi, esperando uma situação propícia e favorável para evitar que recebam contraposição da comunidade internacional.

As opiniões confluem para a convicção de que as forças no país começarão a se confrontar de forma mais ríspida neste futuro breve, pois, se o Presidente tem apoio da Irmandade Muçulmana, algo que lhe fortifica, este mesmo apoio coloca os ocidentais, grupos não muçulmanos e demais grupos minoritários de prontidão, pois corre-se o risco de o próprio Mursi tentar usar da situação que alcançou para concentrar poderes, não descartando uma nova versão de absolutismo no Egito. Esta hipótese certamente levará o Ocidente a ser tolerante com as futuras investidas dos militares.  

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Fontes:

Ver:

http://br.noticias.yahoo.com/presidente-eg%C3%ADpcio-retoma-poder-legislativo-exército-172954826.html 

Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6073613-EI17615,00-Presidente+do+Egito+nomeia+vice+e+aposenta+dois+generais.html

Ver:

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2012/08/grandes-forcas-do-egito-estao-em-confronto-diz-pesquisador-.html

Ver:

http://www.dgabc.com.br/News/5974281/morsi-aposenta-ministro-da-defesa-do-egito.aspx

Ver:

http://www.dci.com.br/internacional/presidente-do-egito-cancela-medidas-que-limitavam-poder-executivo-id306954.html

Ver:

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2012/08/12/presidente-do-egito-demite-ministro-da-defesa-e-amplia-seus-poderes/

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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