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Com investigações da Justiça equatoriana sobre a corrupção na estatal do petróleo Petroecuador envolvendo seu vice-presidente Jorge Glas, o presidente Lenín Moreno viajou no dia 18 de setembro de 2017 à Nova Iorque, para participar da 72a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

No dia 20, em seu discurso, Moreno não mencionou os problemas internos e ressaltou uma agenda positiva de sua administração. Aproveitou a ocasião para apresentar seu plano governamental que consiste no amparo estatal ao cidadão, chamado plano “Toda uma vida”. Este projeto é uma política de assistência aos equatorianos desde seu nascimento até a sua morte, e sobre isto cunhou um bordão: “garantir bem viver e bem morrer.

Em um momento em que os países da América do Sul como Brasil e Argentina adotam diretrizes governamentais que estão voltadas para reformas econômicas e dão menos ênfase às políticas sociais, o Governo Moreno as toma como a prioridade de sua administração.

Discurso do Presidente Lenín Moreno na ONU

Em seu discurso na ONU, afirmou: “Temos organizado uma gestão de governo em torno do plano chamado ‘Toda uma vida’. Um país e um governo responsáveis devem cuidar e inspirar e impulsionar, acompanhar e ser grato com seus concidadãos durante toda a vida sobre o princípio de corresponsabilidade”. Dentre os programas deste plano destacam-se o “Plano Casa para todos” e o “Plano Mulher”, cujas metas são a prevenção e atenção às mulheres, com ênfase na situação de pobreza e vulnerabilidade.

No plano internacional, mencionou também em seu discurso a possível confrontação nuclear entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a crescente pobreza e desigualdade no mundo e a questão climática. Declarou: “Isto demonstra que, como humanidade, estamos falhando, devemos nos comprometer com a construção da paz”.

Invocou ainda os países do mundo a aderirem ao Acordo de não Proliferação de Armas Nucleares. Mencionou que a indústria militar “é um grande negócio” e afirmou que não compreende a perseguição aos traficantes e não aos produtores de armas. Além disso, citou o apoio ao Acordo de Paz na Colômbia. Segundo ele, “O militarismo não é uma resposta, só traz sofrimento, dor e morte, por isto apoiamos, decididamente, os diálogos de paz em nossa República irmã da Colômbia. Celebramos o Acordo de Quito, anunciado há poucos dias para o cessar-fogo bilateral e temporal na Colômbia, assim passo a passo se cumpre a proclamação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe – CELAC de ser uma região de paz”.

Moreno referiu-se ao cessar-fogo entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Governo da Colômbia, celebrado em Quito, no Equador, no dia 4 de setembro de 2017. Este acordo entrou em vigor no ontem, domingo, dia 1o de outubro de 2017, e terá validade de 102 dias, ou seja, até 12 de janeiro de 2018.

A Política Externa para a Paz da administração Lenín Moreno tem sido vista como muito importante em um contexto no qual o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, tenta promover uma frente de pressão contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao invés de procurar o diálogo, buscando uma alternativa negociada. Neste ínterim, é de se presumir que Moreno busque se colocar como um importante interlocutor fomentador do diálogo, propondo uma alternativa pacífica para os dilemas latino-americanos, tal como os Acordos de paz assinados em Quito.

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Notas:

* Acordo de Quito: O Equador tem sido um importante mediador do processo de paz entre o Governo da Colômbia e as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Estes acordos são chamados de Acordo de Quito por serem assinados pelos representantes do Governo e das guerrilhas na cidade de Quito, no Equador.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente Lenín Moreno e a Primeira Dama Rocio Gonzalez, com o Secretário Geral da ONU, António Guterres” (Fonte):

https://twitter.com/Lenin/status/910949142100430848

Imagem 2 Foto do discurso do Presidente Lenín Moreno na ONU” (Fonte Print screen Youtube):

https://www.youtube.com/watch?v=7nNHfFNDWko

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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