LOADING

Type to search

Presidente e deputados tomam posse em Angola

Share

Após 38 anos no poder, José Eduardo dos Santos retirou-se da Presidência de Angola, dando lugar ao antigo Ministro da Defesa e candidato mais votado, João Lourenço. A sucessão será acompanhada pela posse dos 220 deputados eleitos. Ela ocorrerá amanhã, quinta-feira, dia 28 de setembro de 2017.

O momento histórico traz consigo um iminente desafio ao Presidente eleito: como solucionar a atual recessão econômica e a crise nas contas públicas que dela acarreta. A queda nos rendimentos auferidos com a exportação de petróleo, produto que sustenta a economia angolana, tem gerado significativos impactos na oferta de serviços públicos e no nível de emprego no país.

Com ampla maioria no Parlamento, o MPLA deverá conduzir o debate sobre o Orçamento Público do Estado para 2018

Não à toa, as consequências negativas da recessão se materializaram nos resultados das eleições. O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) conquistou 25 cadeiras a menos no Parlamento, se comparado às últimas eleições. Entre outros fatores, o atual estado da economia se apresenta como importante causa para este visível decréscimo.

Lourenço terá pela frente um Estado cujo orçamento depende cada vez mais da emissão de títulos da dívida pública, comercializadas a taxas de juros significativamente altas. Na semana passada, entre os dias 11 e 15 de setembro, o Banco Central angolano lançou no mercado aproximadamente 180 milhões de dólares em Bilhetes do Tesouro, sob taxas de juros que oscilavam entre 16% e 23% ao ano. Ao todo, somente para o ano de 2017, foram emitidos mais de 8 bilhões de dólares em títulos da dívida.

Com isso, aproximadamente 43% do Orçamento Geral do Estado para 2018 será constituído pelo endividamento da máquina pública. Esta situação de crescente risco enseja um posicionamento do novo Presidente em termos de política econômica, principalmente com vistas a encontrar alternativas ao petróleo enquanto produto de sustentação econômica.

Neste sentido, Lourenço se autodefine como “reformador”. Ainda no final de agosto, em viagem à Europa logo após as eleições, o Presidente eleito respondeu à imprensa sobre a sua posição frente aos dilemas econômicos que Angola enfrenta: “Reformador? Vamos trabalhar para isso, mas certamente não Gorbachev, Deng Xiaoping, sim”, declarou o Presidente.

Xiaoping foi um dos mais importantes líderes chineses para a instauração do chamado “Socialismo de Mercado”, política econômica adotada entre as décadas de 70 e 90 e responsável pela intensa transformação ocorrida na China. Analogamente, Lourenço espera conduzir o mesmo movimento em Angola, incentivando o florescimento de uma camada industrial e manufatureira, capaz sustentar uma pauta de exportações paralela à de hidrocarbonetos.

Entretanto, o novo Governo terá um desafio mais imediato e de curto prazo que será a votação do Orçamento Geral do Estado para 2018. Enquanto alternativas produtivas não são consolidadas, a contenção dos gastos estatais provavelmente virá através de um constrangimento da oferta de serviços sociais básicos, fato que acarreta em perda de qualidade de vida dos cidadãos e significativo entrave ao desenvolvimento humano.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Angola terá novo Presidente e novos deputados a partir dessa semana” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag-map_of_Angola.svg

Imagem 2Com ampla maioria no Parlamento, o MPLA deverá conduzir o debate sobre o Orçamento Público do Estado para 2018” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Nacional_(Angola)

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!