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Presidente eleito do Egito começa a mostrar capacidade de impor sua autoridade

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O Presidente eleito do Egito, Mohamed Morsi, começa a dar demonstrações para a sociedade egípcia e para a “Comunidade Internacional” que tem capacidade de impor sua autoridade perante a sociedade e as demais instituições do país, especialmente as “Forças Armadas”, que detém expressiva autonomia dentre as instituições do Estado, e, por isso, gera expectativas de que pode a qualquer momento confrontar o novo Mandatário para manter sua condição, poder e status.

 

As medidas do Presidente de passar para reserva a “Alta Cúpula Militar” manteve o país e o mundo sob tensão, pois se acreditava que os militares reagiriam e não se descartava a possibilidade de que tentassem afastar o Morsi do cargo de alguma forma. A resposta, contudo, não veio*. Analistas apontam que, certamente, devido ao momento inadequado perante a “Comunidade Internacional” que levaria a sanções e pressões contra os militares, os quais, independente do sentido adotado pelo novo Governo terá de ser levado em consideração em suas demandas, graças a importância que têm para a sociedade e Estado egípcios, além do significado para garantir qualquer processo inicial de modernização do país.

Ademais, destacam os analistas que neste processo de assunção militar, houve nos últimos tempos o descolamento entre a jovem oficialidade e os comandantes mais antigos*, os quais passaram a não representar mais as demandas dos profissionais que desejam, segundo destacam, retornar aos quartéis e obter melhores soldos, significando isso o retorno a sua condição profissional originária e a reposição das perdas que obteve a baixa oficialidade, pois apenas a alta cúpula obtém acesso às benesses do poder político que lhes é dado, num desvirtuamento ocorrido graças ao ingresso sem retorno das “Forças Militares” na política e na administração governamental ao longo dos últimos regimes do país, especialmente durante o longo “Governo de Hosni Mubarak”.

De acordo com o disseminado na mídia acerca das atitudes de Morsi, ele percebeu a necessidade de rejuvenescer os quadros de comando das “Forças Armadas”, buscando apoio nestes jovens militares, que, acredita, lhes darão sustentação de toda a Corporação, agora adequando-a a nova realidade política.

Além desse comportamento interno, conforme vem sendo divulgado, o Mandatário não deseja entrar em confronto com as potências ocidentais, respeitando os Acordos firmados (destaque para as relações com Israel), embora venha ressaltando que buscará normalização diplomáticas com países que antes estavam fora do relacionamento normal, como é o caso do Irã**. Apear dessa declaração de autonomia, também está tendo o cuidado de anunciar que sua visita a ser realizada a este país (após 30 anos de afastamento entre os dois Estados) se dará apenas para cumprir as formalidades da reunião entre os países não-alinhados e tentará apenas manter uma condição diplomática pacífica**, irritando-se com qualquer insinuação de que vá além disso.

Por essas atitudes: manutenção dos Acordos Internacionais; manutenção e aprofundamento das relações com os EUA; renovação dos quadros diretivos nas Forças Armadas; certa autonomia diplomática, embora não vá inicialmente confrontar os interesses das potências ocidentais; rapidez na tomada de decisão para compor equipe de governo; atuação imediata para restaurar a autoridade presidencial, minada pela “Junta Militar” que governou transitoriamente após a queda de Mubarak e a atuação rápida com relação aos grupos extremistas, vide a condenação aos militantes islâmicos que realizaram o atentado no Sinai***, estão trazendo credibilidade ao Presidente e podem garantir-lhe força social agregada a legitimidade conquistada com a eleição que o tornou Chefe de Estado do Egito.

Diante do quadro, apontam os observadores que Morsi poderá garantir estabilidade para seu Governo, visando restabelecer as instituições para “reconstruir” o Egito, mas ainda falta completar a tarefa em relação ao Legislativo e à Comissão que redigirá a nova Constituição do país, bem como dar a estas instituições a configuração democrática**** de acordo com o entendimento da “Comunidade Internacional”.

No entanto, não descartam que o caminho ainda é muito longo e poderá sofrer retrocesso e derrota, pois ele terá de lidar com divergências dentro de sua própria base, a “Irmandade Muçulmana”, garantir a inclusão dos grupos minoritários que temem as ascensão dos grupos islâmicos representados por Morsi, bem como não há nenhuma garantia de que os militares acatarão uma mudança brusca de seu status e o afastamento concreto que terão do poder político.

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Fonte:

* Ver:

http://www.dgabc.com.br/News/5975630/morsi-assume-lideranca-da-transicao-no-egito.aspx

** Ver:

http://br.noticias.yahoo.com/mursi-fará-1-visita-presidente-eg%C3%ADpcio-ao-irã-192917516.html

Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/08/120818_morsi_iran_ac_rn.shtml

*** Ver:

http://br.noticias.yahoo.com/egito-condena-14-islâmicos-morte-atentado-ao-sinai-232641759.html

**** Ver:

http://www.outraspalavras.net/2012/08/17/o-egito-entra-em-nova-etapa/

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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