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Presidente Putin reúne-se com líderes latino-americanos em passagem pelo continente

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O Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, encontra-se no Brasil para participar da Cúpula do BRICS (que ocorrerá nos dias 15 e 16 de julhoterça-feira e quarta-feira), em Fortaleza, capital do Estado do Ceará, no Brasil.

Antes de chegar ao Brasil, o Mandatário russo esteve em Cuba, para tratar da renegociação da dívida que os cubanos tem com a Rússia e em seguida viajou para a Argentina, a convite da Presidente do  país, Cristina Fernandez de Kirchner, para um jantar em sua homenagem, quando, além de ser homenageado, fez reuniões para tratar de Acordos bilaterais, dentre eles no setor nuclear[1], não especificando o teor deste Acordo.

Neste jantar, o líder russo também recebeu agradecimentos de Cristina pela sua predisposição em tentar participar e contribuir com a questão das Malvinas/Falklands. Putin declarou: “Rusia sigue apoyando la necesidad de seguir encontrando una solución a la disputa por Malvinas en la ONU[2].

Cristina agradeceu ao discurso do líder russo e tomou sua manifestação como apoio direto em prol da Argentina, algo que não foi manifestado pelo Presidente russo, que apenas declarou apoiar a busca por uma solução para um contencioso que ainda não chegou ao fim, apesar da vantagem inglesa. No entanto, o debate serviu para trazer à tona a questão da forma ambígua como internacionalmente vem sendo tratadas certas questões de política internacional, já que a Presidente argentina acredita que a situação da Crimeia é semelhante a das Malvinas/Falklands.

Segundo afirmou, nos dois casos houve um plebiscito cujo povo escolheu fazer parte de um país, mas ficou uma ambivalência das interpretações no fato de as grandes potências mundiais terem achado legítimo o caso das Malvinas/Falklands, mas não o da Crimeia[2]. Esta manifestação de Cristina trouxe pontos positivos exclusivamente para a Rússia, já que esta pode usar o caso das Malvinas/Falklands como exemplo em seu argumento, mas não interessa que o problema seja questionada pela Argentina no caso das Falklands, embora a problema da ambiguidade no tratamento das questões internacionais seja perfeito para ambos.

A mandatária também usou o caso cubano (diálogo para renegociação da dívida cubana com a Rússia, iniciada pelo próprio líder russo) para elogiar Putin e tomá-lo como exemplo, aproveitando este caso para referir-se indiretamente a atual crise em que a Argentina vive de calote técnico, tendo até o final de julho para renegociar sua dívida internacional, pois poderá ter de decretar a moratória.

Destacou em referencia ao russo, “un ejemplo digno de imitar. (…). Nosotros no estamos pidiendo eso. Nosotros estamos restructurando nuestra deuda y estamos pidiendo solamente que nos dejen pagar. Pero ése sería un ejemplo muy significante para países africanos agobiados por la deuda[3].

Putin aproveitou para agradecer “la oportunidad de discutir la estrategia de interés mutuo[3] e mandar o seu recado à comunidade internacionalao falar que “ambos países tienen una visión común de desarrollo mundial y de la vida internacional[3]. Ou seja, frisou a perspectiva de que se deve concretizar a multilateralidade na política internacional, team antes tocado por Cristina Kirchner.

Aproveitando a oportunidade, outros líderes regionais do grupo bolivariano (Evo Morales, pela Bolívia; Nicolás Maduro, pela Venezuela e Pepe Mujica, pelo Uruguai)[4], dirigiram-se a Argentina para participar do encontro, destacando-se que todos tem interesses em receber investimentos da Rússia (caso uruguaio, que deseja investimentos em infraestrutura[4]), ou estabelecer e/ou manter as relações comerciais que detém com este país, caso especial dos venezuelanos, que foram os principais compradores de armamentos russos da região durante os oito anos passados[5].

Analistas apontam que não houve novidades no comportamento da Federação Russa que na última década e meia teve intensas relações com os países da América Latina, especialmente da América do Sul, e se manteve de forma a não interferir na política regional, nem em adotar qualquer postura que tentasse confrontar os EUA ou demais potência mundiais que eram questionadas na região. Ou seja, sua presença foi comercial e econômica e não política, de forma que o presidente Putin apenas cumpre o protocolo de política externa, dentro de suas necessidade vistas como legítimas pelos especialistas.

Observadores, no entanto, apontam que o comportamento ocidental com a Rússia pode levar o país a se alinhar com potências regionais pelo mundo para não ficar isolada diante das ações que vem sendo feitas, as quais, ao invés de trazer a Rússia para a formação de uma economia mundial integrada, estão optando por isolá-la, algo que, em suas avaliações será negativo para o sistema e para a sociedade internacional, devido à força e grandeza da Federação Russa e ao papel que esta desempenha na estabilidade mundial.

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Imagem (Fonte):

http://cdn.rt.com/actualidad/public_images/745/745b18d0f066b86f939f14d76e298eec_article.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.eltribuno.info/Salta/424011-Cristina-recibe-a-Vladimir-Putin-para-firmar-acuerdo-de-cooperacion-nuclear.note.aspx

[2] Ver:

http://www.eltribuno.info/salta/424289-Putin-manifesto-su-apoyo-para-encontrar-una-solucion-a-la-disputa-por-Malvinas.note.aspx

[3] Ver:

http://www.eltribuno.info/salta/424060-Cristina-Kirchner-y-Putin-firmaron-acuerdos-bilaterales.note.aspx

[4] Ver:

http://lapostanoticias.com.uy/nacionales/mujica-cena-con-vladimir-putin-y-cristina-en-buenos-aires/

[5] Ver:

http://www.lapatilla.com/site/2014/07/12/maduro-evo-y-mujica-viajan-a-buenos-aires-para-poder-ver-a-putin/

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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