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Presos na Bósnia islamitas acusados de envolvimento nos conflitos na Síria e Iraque

Wladimír Tzinguílev - Bulgária 12 de setembro de 2014
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A polícia bósnia deteve 16 islamitas acusados de terem financiado o envio de combatentes “jihadistas”* para a Síria e Iraque, ou de terem combatido nestes dois países. “Foram detidas 16 pessoas numa operação desencadeada na capital Sarajevo e em diversas cidades bósnias[1], referiu para a agência de notícias AFP a porta-voz da Agência nacional de investigação (SIPA), Kristina Jozic.

Ela acrescentou: “São suspeitos de terem recrutado, organizado e financiado a partida de cidadãos bósnios para a Síria e Iraque, ou de terem eles próprios participado nos conflitos na Síria e no Iraque integrados nas fileiras de grupos e organizações terroristas radicais estrangeiras[1]. As detenções e buscas ocorreram em Sarájevo, Kiselják, Zénica (Centro), Máglaj, Téslic (Norte) e Buzím (Noroeste), onde um dos líderes muçulmanos radicais da Bósnia, Bilál Bósnic, terá sido detido[1].

Em abril, as autoridades garantiram a aprovação de uma nova legislação que prevê penas de prisão de até dez anos para os “jihadistas” e para os responsáveis pelas “redes de recrutamento”. Segundo as estimativas dos serviços de informação bósnios divulgados pela mídia local, cerca de 150 cidadãos da ex-república jugoslava combatem atualmente em grupos “jihadistas” no Iraque e na Síria e cerca de 20 já foram mortos. Perto de 50 destes combatentes radicais teriam regressado à Bósnia[2].

Durante a “Guerra civil interétnica na Bósnia-Herzegovina” (19921995), centenas de combatentes islamitas juntaram-se às forças muçulmanas bósnias, integrados ao VI Corpo da Armija. A maioria abandonou o país durante ou após o conflito, mas diversos muçulmanos bósnios, uma comunidade essencialmente moderada, adotaram a sua doutrina e modo de vida inspirados no wahhabismo[3], o integrismo saudita que não existia na região antes do início da guerra civil.

No vizinho Kósovo, as autoridades também se confrontam com a emergência do extremismo entre os cerca de 1,8 milhões de albaneses, na larga maioria de religião muçulmana. A maioria da população pratica o islão moderado e mantém fortes laços com o mundo ocidental, também motivados por uma tradicional emigração. No entanto, já foram detidos 45 albaneses kosovares suspeitos de ligações com os grupos “jihadistas” implantados na Síria e no Iraque, enquanto 16 já foram mortos nas linhas de frente destes dois países do Médio Oriente[4].

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* Jiade ou Jihad (em árabe: جهاد‎; transl.:  jihād) é um conceito essencial da religião islâmica e significa “empenho”, “esforço”. Pode ser entendida como uma luta, mediante vontade pessoal, de se buscar e conquistar a fé perfeita. Ao contrário do que muitos pensam, jihad não significa “Guerra Santa”, nome dado pelos Europeus às lutas religiosas na Idade Média (por exemplo: Cruzadas) por mimetismo com o contato ocorrido com um Islão que, durante 500 anos antes destas lutas, invadira metade do Mundo Cristão. Aquele que segue a Jihad é conhecido como Mujahid.

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Imagem (Fonte):

http://inews.bg/%D0%A1%D1%8A%D0%B4%D1%8A%D1%82-%D0%B2-%D0%91%D0%BE%D1%81%D0%BD%D0%B0-%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%B0%D0%B2%D0%B8-5-%D0%B8%D0%BC%D0%B0-%D0%B4%D0%B6%D0%B8%D1%85%D0%B0%D0%B4%D0%B8%D1%81%D1%82%D0%B8-%D0%B2-%D0%B0%D1%80%D0%B5%D1%81%D1%82%D0%B0_l.a_i.428784.html

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Fontes Consultadas:

[1]Ver:
http://news.yahoo.com/bosnia-arrests-16-fighters-balkans-move-against-jihadists-184338225.html

[2]Ver:
http://www.focus-news.net/news/2014/09/05/1962151/islyamistki-sayt-darzhaven-terorizam-i-dvoyni-standarti-politsiyata-v-bosna-i-hertsegovina-arestuva-uahabiti.html

[3]Ver:
http://www.dw.de/de-seita-local-a-movimento-global-o-wahhabismo-da-ar%C3%A1bia-saudita/a-17411655

[4]Ver:
http://www.euronews.com/2014/09/04/bosnia-arrests-16-in-nationwide-anti-terrorist-raids/

Wladimír Tzinguílev - Bulgária

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).

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