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Pressão contra Síria aumenta e dificilmente ONU não tomará medida

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A pressão internacional contra o governo de Bashar Al-Assad está acentuando. A situação piorou após a invasão do Exército na cidade de “Jisr al-Shughour”, que resultou em milhares de refugiados, para retomar o controle e, segundo declarações de porta-vozes do Governo, perseguir grupos armados para os quais seria dada a resposta pelo que afirmam ter sido um massacre contra 120 membros das forças de segurança sírias.

 

Refugiados, rebeldes, blogueiros e cidadãos respondem que não houve o massacre por parte de grupos armados, mas vindo das próprias Forças governamentais sírias, que assassinaram estes 120 agentes, graças à cisão que ocorreu internamente, quando eles e alguns outros se recusaram a cumprir as ordens de se voltar contra o povo e responder violentamente.

Os indícios são de que as tropas governamentais começam a se fracionar, tal como ocorreu na Líbia, razão pela qual Bashar Al-Assad está acelerando o processo repressivo e não recuará na hipótese de perpetrar massacres para manter o controle, principalmente sobre os membros do Governo, das forças militares e das forças policiais do país.

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aliado do Presidente sírio em passado recente, começou a declarar que o regime de Assad é insustentável, devendo o mandatário acabar imediatamente com a repressão no país, o que seria equivalente a pedir que ele renuncie ao cargo, ou afaste todos os membros do governo.

Assad, contudo, está trilhando o caminho do uso da violência na extremidade lógica, partindo para a criação das condições de “Guerra Absoluta*” e hoje está próximo de ser denunciado em “Cortes Internacionais de Direitos Humanos”, tornando-se um criminoso internacional. Como escolheu esta rota, dificilmente se sustentará no poder caso ocorra qualquer afrouxamento das condições políticas que está impondo.

Analistas afirmam que a negociação entre as grandes potências no “Conselho de Segurança da ONU” para entrar com uma Resolução contra o seu governo será tensa, mas, cedo ou tarde, ela ocorrerá, pois faz parte do planejamento estratégico de europeus e norte-americanos reduzirem as exigências ao mínimo possível visando sua aprovação e garantia de algumas ações contra o governante sírio, para, posteriormente, aumentarem as penalidades no caso de não conseguirem demovê-lo do poder. Além disso, tal estratégia responde a necessidade de contornar as reações da Rússia e da China que são contra qualquer medida a ser adotada imediatamente.

Independentemente disto, as organizações dos “Direitos Humanos” começam a trabalhar para apresentar as denúncias contra Bashar Al-Assad e esperam os andamentos na ONU para mostrar que não há outra saída senão condenar o atual governo sírio e principalmente seu mandatário perante a “comunidade internacional”.

Apesar de os russos declararem que a situação neste país não afeta a estabilidade regional, os observadores afirmam que o inverso é a realidade, podendo gerar uma crise sistêmica caso a situação demore a ser controlada, uma vez que as condições internas na Síria, sua posição geopolítica e a condição geoestratégica são diversas das encontradas na Tunísia, Líbia e Egito, onde as crises conseguiram ser envolvidas em manto protetor para evitar que adquirissem caráter de pan-arabismo, ou pan-islamismo.

Acreditam os analistas que a situação é mais grave, principalmente depois de Assad ter manifestado disposição de envolver Israel numa guerra para garantir a sobrevivência de seu governo. Ele acredita que dessa forma poderá atribuir ao conflito um escopo étnico e/ou religioso, apesar do caráter laico e socialista de seu Partido (o Baath) e do regime político do país.

Devido às condições de impasse que a Síria está vivendo os especialistas apostam que dificilmente não haverá sanções ao “Governo Assad”, bem como que muito provavelmente ele seguirá a rota de resistência escolhida por Muammar Kadhaffi, na Líbia, acreditando que no desgaste coletivo consiga impor condições de capitulação, no caso de não vencer os rebelados, uma crença que ele, tanto quanto Kadhaffi, até o momento não abandonaram.

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* Para entender o conceito de “Guerra Absoluta” consultar o “Livro I, Capítulo I”, do clássico, “Vom Kriege” (“Da Guerra”), de Karl Von Clausewitz.  Há várias traduções para o português, realizadas por algumas editoras no Brasil.


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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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