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Primeiras Observações em Relação à Eleição de Ollanta Humala no Peru

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Após os resultados da eleição de Ollanta Humala para a “Presidência da República” peruana a “Bolsa de Valores de Lima” passou a acumular perdas constantes, dando indicações de que os investidores internacionais demonstram desconfiança em relação à política que será adotada pelo futuro Presidente.

 

Humala se apresentou depois da confirmação da escolha com um discurso de conciliação. Afirmou, em tom pacificador: “Queremos instalar um governo de unidade nacional”. Observadores afirmam que  a declaração foi necessária, não apenas para tentar implantar uma proposta de conciliação, mas para acalmar o mercado, evitar a continuidade da queda da “Bolsa de Valores”, bem como para impedir que o capital saia do país.

Caso a tendência se mantenha, provavelmente ele apresentará um governo instável, já que a diferença de votos foi pequena, revelando que a sociedade está dividida e, mesmo que tenha conseguido a maioria absoluta, identificou-se que muitos eleitores o escolheram por repúdio ao passado ao qual está vinculada a candidata derrotada, Keiko Fujimori, com as acusações de crimes contra os “Direitos Humanos” cometidos pelo seu pai, Alberto Fujimori, quando foi presidente do país (1990-2000). Ou seja, votaram nele pela lembrança de um passado que se deseja afastar e não por concordar com as propostas do denominado “nacionalismo de esquerda” de Ollanta Humala.

Observadores afirmam que pesou nesta perspectiva declarações de personalidades como as do “prêmio nobel” Mário Vargas Llosa, que, mesmo sendo liberal, mostrou temer mais o propalado autoritarismo daqueles que são acusados de desrespeitarem os “Direitos Humanos” do que o Socialismo e a intervenção estatal da esquerda.

Llosa manifestou tal receio, apesar de também ser um rigoroso opositor do bolivarianismo na America Latina, corrente com a qual Humala é normalmente identificado. Em suas palavras: “foi uma derrota do fascismo, a democracia foi salva. Os peruanos votaram com responsabilidade, aderiram ao sistema de liberdade e legalidade que queríamos defender e creio que devemos celebrar isso como uma grande vitória da democracia no Peru”.

Muitos analistas afirmam que a tendência do novo presidente será seguir a linha adotada pelo ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva que imediatamente manteve a política econômica do governo anterior para garantir a tendência de crescimento do país e depois passou a adotar políticas de inclusão social, resultando em diminuição da pobreza, mas gerando a dívida pública e problemas que hoje o Brasil acumula.

Consideram que, se no caso brasileiro existe possibilidade de controle e reversão deste processo, graças à dimensão e pluralidade de sua economia, no caso peruano a situação é diversa, podendo o Peru sofrer rapidamente uma crise econômica e política.

Segundo interpretam, o primeiro momento não será de abalos, pois todos crêem que serão mantidos os “Acordos Internacionais” e o planejamento do atual governo, mas o processo será modificado á medida que surgirem os primeiros resultados favoráveis e houver cobrança dos setores mais pobres da população, que garantiram sua eleição. Ademais, concluem que a identificação de Humala e de seu segmento com a esquerda do país lembra mais o perfil psicológico de seu aliado bolivariano do Equador, Rafael Correa, que o dos líderes de esquerda que assumiram o poder no Brasil.

De qualquer forma, acredita-se que este primeiro momento será de acomodação, apostando que o perfil da linha a ser adotada pelo novo governo será vislumbrado de forma mais completa ao longo do próximo ano, sem descartar que haja possibilidade de, já em 2011, aparecerem medidas ousadas de inclusão social, pois Humala terá recursos para implantar uma maior participação do Estado sem ter de desrespeitar a iniciativa privada, tal qual declarou de que “[serão] respeitadas as associações privadas”.

No entanto, apontam os especialistas, que este processo tem duração limitada, sendo sua medida de tempo diretamente proporcional a medida de sua economia.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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