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Principais novidades na Política Externa de Xi Jinping

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Historicamente, a política externa chinesa é focada no seu entorno regional, com iniciativas para manter um papel relevante na governança da Ásia e do Pacífico. Nas últimas décadas, a China busca tornar-se uma potência global, com influência em vários continentes. Apesar disso, a liderança chinesa afirma que a ascensão do Estado será pacífica. Desde que chegou ao poder, em 2013, o presidente Xi Jinping aprofundou o projeto globalista, acrescentando maior assertividade ao discurso e promovendo iniciativas ambiciosas de projeção internacional.

A política externa de Xi Jinping caracteriza-se pelo reforço da diplomacia presidencial*. O mandatário assumiu cada vez mais funções na condução das relações exteriores, inclusive criando conceitos para interpretar a ordem global e o papel da China no mundo. Em 2013, ele afirmou que o mundo viveria um “novo tipo de relações internacionais” e defendeu a ideia de uma “comunidade de destino compartilhado da humanidade”, termo que foi inserido em vários documentos da Organização das Nações Unidas. Além disso, o Presidente vem defendendo o papel de liderança chinesa na defesa do multilateralismo e do livre comércio.

O governo de Xi Jinping também atua para maior centralização e coordenação do processo decisório em temas de política externa. Em 21 de março de 2018, foi criada a Comissão Central de Relações Exteriores, presidida pelo mandatário. A comissão substitui o anterior pequeno grupo de lideranças, que havia sido acusado de ineficaz por especialistas, pois não coordenava bem as iniciativas de política externa. A mudança pode estar relacionada à necessidade de maior organização para concretizar a principal iniciativa do governo: a Nova Rota da Seda.

O projeto da Nova Rota da Seda, que busca integrar os mercados asiáticos e aprimorar a conexão física até a Europa pela via terrestre e pela via marítima, é a grande ambição do Presidente chinês, segundo analistas. Ocorre que a iniciativa é complexa e envolve a gestão de vários conflitos, já que passa por países do Oriente Médio e pela Caxemira, área disputada por indianos e paquistaneses. Além disso, o projeto requer elevado financiamento. Caso concluído, contudo, poderia aumentar a influência internacional da China significativamente.

Líderes dos BRICS em 2016

A cooperação sul-sul é outra base da política externa de Xi Jinping. Em abril de 2018, foi criada a Agência de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional, que, segundo o periódico Xinhua, tem como funções estabelecer diretrizes estratégicas para a ajuda internacional, coordenar e fazer sugestões em temas correlatos, reformar o sistema de ajuda internacional, fazer planos e supervisionar sua implementação. Além disso, o apoio ao desenvolvimento é manifestado por meio do Novo Banco de Desenvolvimento, instituição criada pelo agrupamento BRICS** na Cúpula de Fortaleza (Brasil), em 2014. O Banco não impõe condicionalidades rígidas e tem como foco o auxílio a nações em desenvolvimento.

O presidente Xi Jinping tem, segundo analistas, o objetivo de levar a China à condição de potência global. Para tanto, centraliza a tomada de decisões e participa ativamente da formulação da política externa. O aumento da influência chinesa no plano internacional é buscado por meio de maior cooperação com países em desenvolvimento, de auxílio à integração física na Eurásia e da defesa de postulados do globalismo, como o livre comércio e o multilateralismo. O projeto de inserção internacional da China parece, por ora, estar avançando a passos largos.

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Notas:

* Atuação diplomática em que o mandatário tem papel de destaque, engajando-se em temas de política externa.

** Coalizão que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (ingressa em 2011), que se reúne regularmente desde 2008 para debater temas da agenda internacional e promover iniciativas de reforma da ordem mundial, de modo a torná-la menos assimétrica, mais aproximada à atual distribuição internacional de poder e mais representativa dos interesses das nações em desenvolvimento. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Xi Jinping no Parlamento Britânico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping

Imagem 2 Líderes dos BRICS em 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/BRICS

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/08/chinas-new-foreign-policy-setup/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/08/in-xis-china-the-center-takes-control-of-foreign-affairs/

[3] Ver:

http://www.xinhuanet.com/english/2018-04/18/c_137120544.htm

Jonas Marinho - Colaborador Voluntário

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

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