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Prisão de ativistas contra a escravidão ilustra cenário de restritas liberdades na Mauritânia

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A escravidão persiste em muitas partes do mundo e, com ela, a tentativa forçada de muitos governos em escondê-la aos olhos da mídia internacional, dos ativistas e da sociedade civil como um todo.

Na África, a repressão governamental a ativistas que atuam dentro da questão da escravidão aparece como resquício de governos autoritários passados e como entrave real para a conquista da verdadeira Democracia.

Na Mauritânia, por exemplo, estima-se que entre 10% e 20% da população vivem sob o regime da escravidão, ainda que no âmbito legal a prática tenha se tornado um crime em 2007[1]. Na verdade, críticos afirmam que as autoridades pouco trabalham para reprimir as práticas escravistas no país: desde decretada como um crime, somente um detentor de escravos foi processado legalmente pelo Governo[1].

Os poucos ativistas dispostos a enfrentar o Governo mauritano na questão da escravidão também sofrem com um cenário restrito de atuação e de coerção por parte do mesmo. Instituições como SOS Slaves e a Initiative for the Resurgence of the Abolitionist Movement (IRA), principais entidades atuantes no tema, sofrem constantemente com processos legais aos seus membros ou mesmo a prisão de alguns.

A prisão decretada de Biram Ould Abeid na semana passada, membro do IRA, foi vista como uma significativa derrota aos ativistas na Mauritânia[2]. Candidato à Presidência em 2014, Abeid foi acusado pelas autoridades legais de pertencer a uma organização ilegal e de violência contra a Polícia. Abeid e outros dois ativistas foram condenados a dois anos de prisão[2].

Contudo, as dificuldades enfrentadas pelos ativistas, o restrito cenário de atuação na esfera pública e a escassez de recursos não os desincentivam a seguir lutando pela conquista de uma Democracia ampla para o povo mauritano. Conforme disse Abeid, após ouvir a sua sentença, “eu me recuso a jogar a toalha, eu recuso silenciar-me, eu recuso abandonar aqueles que as vidas foram arruinadas pela escravidão[2].

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ImagemThe World Outline” (Fonte):

http://theworldoutline.com/2013/06/mauritania-last-stronghold-of-slavery/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver CNN”:

http://edition.cnn.com/interactive/2012/03/world/mauritania.slaverys.last.stronghold/

[2] Ver The Guardian”:

http://www.theguardian.com/global-development/2015/aug/21/mauritania-anti-slavery-activists-sentence-upheld-accused-parody-justice

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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