LOADING

Type to search

Professores sul-africanos protestam contra projeto governamental sobre o ensino do Mandarim

Share

A inclusão oficial do Mandarim como idioma de opção aos alunos a partir de 2016 gerou intensa revolta por parte de alguns membros da sociedade sulafricana[1]. Destacam-se, nesse grupo os professores da rede de ensino fundamental, que veem na medida um sintoma do “imperialismo chinês[1].

Juntamente com o português, espanhol, alemão, sérvio, italiano, latim, tâmil, telegu e urdu, o mandarim poderá ser escolhido como a segunda língua de ensino entre os jovens de 4 e 12 anos[1].

A normativa, anunciada pelo Ministério da Educação na semana passada, reflete a crescente cooperação e relações comerciais entre a África do Sul e a China. Segundo os últimos dados disponibilizados, em 2012 o país asiático foi tanto o maior importador dos produtos sulafricanos quanto o maior exportador ao país africano[2].

O Governo sulafricano vê esta nova medida de maneira pragmática: a fluência em mandarim aparece como um alicerce importante para a posição crucial desempenhada pela China na economia e política internacional da África do Sul. “O que acontece quando os sul-africanos chegam lá [na China]? Eles não podem falar o idioma e por isso sofrem. Não é uma vantagem falar o idioma das pessoas com as quais fazemos negócios?[3], afirma Elijah Mhlanga, membro do Ministério da Educação.

Contudo, a questão linguística é um importante componente político na África do Sul, o que explica, em parte, a intensa reação contra a medida governamental. Atualmente, mais de 11 idiomas locais são reconhecidos oficialmente pelo Governo, mas nenhum deles, segundo o Sindicato dos Professores (South African Democratic Teachers Union), recebe a atenção merecida do setor público[3][4].

A batalha linguística personifica a luta entre diferentes grupos sociais e étnicos, que lutam pela legitimidade e representatividade política. Por sua vez, a inclusão do mandarim no rol dos idiomas a serem lecionados pelas escolas, combinada com a exclusão ainda latente dos idiomas tradicionais no sistema de ensino, reforça a insatisfação dos grupos sociais/étnicos minoritários.

Nós vamos nos opor ao ensino do mandarim nas nossas escolas de toda a forma que podemos (…) nós vemos isto como a pior forma de imperialismo que está acontecendo na África[4], afirmou Mugwena Maluleke, Secretário Geral do Sindicato dos Professores.

Este posicionamento contrário de parte dos professores sul-africanos à medida governamental ilustra como a representatividade política e os direitos dos povos e tradições locais são conceitos sensíveis.

Dessa maneira, fatores políticos internos aparecem como possíveis fontes de desestabilização de tratados e acordos internacionais, inclusive daqueles celebrados com novos parceiros comerciais, como é o caso da relação África do Sul BRIC (Brasil, RússiaÍndia e China).

——————————————————————————————–

ImagemSina English” (Fonte):

http://english.sina.com/culture/p/2013/0321/574187.html

——————————————————————————————–

Fontes Consultadas:

[1] VerTimes Live”:

http://www.timeslive.co.za/local/2015/08/12/South-Africa-to-teach-Mandarin-in-schools

[2] VerObservatory of Economic Complexity”:

https://atlas.media.mit.edu/en/explore/tree_map/hs/export/zaf/show/all/2012/

[3] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2015/aug/12/south-african-teachers-oppose-mandarin-lessons-age-nine

[4] VerQuartz Africa”:

http://qz.com/477748/south-africas-schools-will-start-teaching-mandarin-and-continue-neglecting-local-languages/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta