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Projeto de ferrovia Pacífico-Atlântico em negociação na Bolívia

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Enquanto está sendo feita negociação entre o governo boliviano e os indígenas do país contrários a estrada que cortará reservas ambientais e ligará “Villa Tunari” (uma região “cocalera”, que também é base política de Morales) a “San Ignacio de Moxos”, o projeto de construção de uma ferrovia bioceânica para ligar um porto boliviano/peruano aos portos brasileiros está em fase de planejamento.

 

Os diálogos para encerrar o problema da estrada foram iniciados neste Sábado e os opositores a ela estão apresentando às autoridades bolivianas rotas alternativas para que possam concluir o projeto.

De acordo com declaração do funcionário da Presidência boliviana, Carlos Romero, “Finalmente, prevaleceu a racionalidade. O diálogo está encaminhado, foram esclarecidos muitos elementos, inclusive alguns que contaminavam um diálogo sincero. Estamos otimistas, tenho esperança, o diálogo está encaminhado”*.

Como vem sendo divulgado na imprensa, a rodovia é financiada na maior parte pelo BNDS brasileiro, com um custo total de 415 milhões de dólares, e faz parte de um projeto para unir os oceanos Atlântico e Pacífico e estimular o comércio no subcontinente sul-americano.

Contudo, o projeto da estrada é uma face do mega planejamento de integração a ser efetuado por uma malha viária que se está construindo para unir os dois oceanos e integrar econômica e comercialmente a região.

Na semana passada, segunda-feira, dia 29 de agosto, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou que o “Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais” brasileiro, Marco Aurélio Garcia, estará no país nesta semana (de 5 a 9de setembro) para discutir a construção de uma ferrovia bioceânica que ligará a Bolívia de leste a oeste do país e irá conectá-la aos portos brasileiros, realizando por meio de mais este caminho o antigo objetivo brasileiro de construir uma saída para seus produtos pelo Pacífico e poder alcançar de forma direta a Ásia.

Pelos planejamentos anunciados, a ferrovia partiria de “Puerto Suarez”, (Bolívia), na fronteira com Corumbá (MS/Brasil), até o porto peruano de Ilo, por uma linha equatorial de 500 quilômetros, dentro do território boliviano.

Graças a um acordo feito entre Morales e o ex-presidente peruano Alan Garcia, foi assinado um “Acordo Bilateral”, cedendo uma base para a Marinha boliviana até 2092 e permitindo uma saída para o mar aos bolivianos, algo que tem sido negociado com Chile, mas não se conseguiu sucesso até o momento.

De acordo com declaração de Morales, “Se o Chile não reconheceu uma dívida histórica (a cessão de uma saída ao Oceano Pacífico à Bolívia), que melhor caminho se não por Ilo”**. O Presidente da Bolívia realizará negociações com o atual mandatário do Peru, que, por sinal, já está entabuando diálogos com o Brasil para a efetivação de projetos nesta direção.

Observadores acreditam que os diálogos serão facilitados devido as proximidades ideológicas dos dois presidentes e pelo fato de ambos fazerem parte do grupo de líderes de esquerda que está trabalhando pela unificação da America do Sul.

O projeto significará, da perspectiva da integração sul-americana, um passo importante, embora observadores tenham destacado que há vários riscos acerca do cumprimento do Tratado por parte do mandatário boliviano, devido aos atos de desrespeito aos contratos assinados em ocasiões anteriores.

Apesar disso, apontam os analistas que o Brasil terá uma vantagem estratégica se conseguir garantir que no futuro as lideranças bolivianas mantenham o Acordo, mas também que pense numa alternativa para o caso de ocorrer a pior hipótese, ou seja, que hajam acordos comerciais excelentes entre o Brasil e países asiáticos, contando com a vantagem que tais rotas de escoamento trariam e depois os brasileiros ficarem reféns das exigências bolivianas, cujos líderes podem mudar de posição em função das necessidades políticas próprias e dos seus projetos específicos.

Segundo dados divulgados na imprensa, a ferrovia economizará 6.500 quilômetros para as exportações brasileiras para Ásia, pois, até o momento, o percurso feito é: “descer até o extremo sul da America do Sul. Depois sobem até o Pacífico Sul e vão até o estreito de Darrien (“Canal do Panamá”). De lá vão para o porto de Xangai, na China”**.

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* Fonte:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5h2VD0gCIAdbf8y2mcaDzfABxGuZg?docId=CNG.c2e3923d8e50cdb49a3ee0a7f653ae1a.61

** Fonte:

http://www.diarionline.com.br/?s=noticia&id=34615

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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