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Projetos nucleares sino-argentinos encontram dificuldades

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Ainda durante o segundo mandato de Cristina Fernandez de Kirchner, a Argentina acordou com a República Popular da China a construção de dois reatores nucleares no país platino. A iniciativa tem como antecedentes a reativação das atividades nucleares argentinas em 2006, pelo então presidente Néstor Kirchner, e a construção da  usina Atucha II, de enriquecimento de urânio para fins pacíficos, inaugurada no final de 2015.  O Governo de Cristina Kirchner pretendia construir novas usinas, mas faltavam os recursos financeiros necessários e a parceria com a China foi a solução encontrada.

A cooperação nuclear sino-argentina vinha desenvolvendo-se desde 2012, quando os governos assinaram um memorando de entendimento sobre cooperação nuclear. Posteriormente, em julho de 2014, firmaram um Tratado que estabelecia a construção de um reator de água pesada e em fevereiro do ano seguinte, 2015, outro que previa a construção de um reator de água pressurizada.

Macri com o presidente chinês, Xi Jinping

A mudança de Governo não teve maiores impactos em tais projetos. Apesar de Maurício Macri enfatizar as relações com os Estados Unidos e ter criticado a aproximação com os chineses durante sua campanha eleitoral, não houve uma revisão da parceria com a potência asiática e os acordos no campo nuclear seguem para a implementação.

Contudo, o projeto encontrou um opositor inesperado: a Província de Rio Negro, onde estava prevista a instalação de um dos reatores. Conforme noticiado pelo periódico Página 12, o revés veio em 5 de setembro, terça-feira passada, a partir da aprovação de uma lei local que proíbe a instalação de reatores atômicos no território de Rio Negro.

O governo da Província já havia autorizado a instalação da central nuclear no início deste ano (2017), contudo, houve mudança de postura em decorrência dos resultados das eleições primárias, que ocorreram no último 13 de agosto, quando o governo local teve resultados pouco satisfatórios.

Assim, a cooperação bilateral com a China, além de outras possíveis dificuldades inerentes a projetos ambiciosos e em temas sensíveis, parece encontrar um novo obstáculo: a falta de apoio em setores da sociedade argentina. Embora não seja uma questão intransponível e localizada a uma Província, mostra que o projeto nuclear não é um consenso no país e pode tornar-se uma questão nas disputas eleitorais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Usina Central Nuclear Atucha II” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Obra_de_la_Central_Nuclear_Atucha_II.JPG

Imagem 2Macri com o presidente chinês, Xi Jinping” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Macri_with_Xi_Jinping_G20_2016_01.jpg

Livia Milani - Colaboradora Voluntária

Mestre e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais "San Tiago Dantas" (UNESP,UNICAMP, PUC-SP) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Participa do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP). Pesquisa principalmente nos seguintes temas: Segurança Regional, Política Externa, Integração Regional, Relações Brasil-Argentina, cooperação em Defesa na América do Sul, Relações Inter-americanas.

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