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Protestos violentos expõem tensões sociais na Suécia

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Policiais observam carros incendiados em Husby – foto: Johan Nilsson/ScanpixReconhecida mundialmente como exemplo de sucesso em políticas sociais e de distribuição de renda, neutralidade em questões de segurança internacional, além de baixíssimos índices de criminalidade, o “Reino da Suéciafora abalado esta semana por episódios de violência em aparente reflexo da piora da situação econômica, como observam alguns observadores.

Aproximadamente 200 pessoas atiraram pedras e incendiaram carros da polícia nos subúrbios de Estocolmo, capital do país, durante o segundo dia de protestos contra ação policial realizada em 13 de maio passado (segunda-feira), que resultou na morte de um homem de 69 anos de idade, trancado em seu próprio apartamento, na localidade de Husby, ao norte de Estocolmo, aparentemente num episódio de violência doméstica, com indícios de excesso no uso da força. Seu nome e sua nacionalidade não foram divulgados pelas autoridades[1].

Estima-se que por volta de 80% dos residentes naquela região sejam imigrantes de primeira ou segunda geração e “Organizações Não-Governamentais”, como a “Megafonen”, que representa moradores daquelas comunidades, afirmam ser este somente mais um caso de atuação racista das forças policiais em situações semelhantes[2].

Pelo menos sete policiais foram feridos durante os protestos nas localidades de Rinkeby, Skarpnäck, Norsborg, Kista, Fittja, Bredäng, Flemingsberg, Edsberg, e Tensta, que resultaram, ainda, na prisão de seis pessoas, liberadas após prestarem esclarecimentos. Segundo o primeiro-ministro do país, Fredrik Reinfeldt, a violência não será tolerada e as autoridades se esforçarão para o restabelecimento da tranquilidade na região, adicionando o comentário: “Husby não é uma favela abandonada pelo Estado”. O “Ministério Público” sueco já iniciou uma investigação sobre as alegações de abuso de poder[3].

Os fatos coincidem com a recente divulgação, pela “Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico” (OCDE), de Relatório que aponta o maior índice de desigualdade social na Suécia nos últimos 25 anos[4] e trazem o temor de que se repita, em território sueco, a onda de violência provocada por manifestações semelhantes na França, inspirada por componentes sociais, mas com um relevante componente étnico subjacente.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.thelocal.se/48006/20130520/

[2] Ver:

http://megafonen.com/husby-belagrat-av-poliser-ga-hem-det-har-ar-vart-hem/

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/europe/2013/05/2013521234814665777.html

[4] Ver:

http://www.oecd.org/sweden/sweden2012.htm

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Luiz Fabricio Thaumaturgo Vergueiro - Colaborador Voluntário

Doutor em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (2012), Mestre em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo (2006), Especialista em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo (2000), e Graduado em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (1999). Advogado da União na Advocacia-Geral da União. Pesquisador nos temas de Direito Internacional Público e Privado, Relações Internacionais, Direito Penal e Processual Penal, e Direitos Humanos.

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