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Os resultados das eleições presidenciais da Rússia, ocorridas ontem, dia 4 de março, apontaram o retorno do Ex-Presidente (2000-2008) e atual Primeiro-Ministro (2009-2012), Vladmir Putin ao cargo máximo do país. O resultado era esperado, apesar da crescente oposição e das manifestações que ocorreram no ano passado (2011) exigindo que fossem realizadas novas eleições legislativas, devido as alegadas evidências de fraude ocorridas em dezembro. Putin venceu seus concorrentes (o comunista, Guenadi Ziuganov; o nacionalista Vladimir Zhirinovsky; o socialista Sergei Mironov e o independente, o bilionário Mikhail Prokhoro) com mais de 60% dos votos.

 

Putin declarou: “Vencemos. Ganhamos em uma disputa aberta e limpa”*. Tal manifestação foi feita diante de mais de 110 mil pessoas presentes na “Praça Manezh”, próxima ao Kremlin, demonstrando a força que inda detém, mesmo com as acusações de fraudes alegadas por observadores internacionais e opositores.

Grupos de oposição afirmaram que muitas pessoas votaram mais de uma vez, já que não há informatização no processo eleitoral, o voto não é obrigatório e as pessoas podem mudar seu local de votação, havendo a possibilidade real de um eleitor votar várias vezes. Por isso, convocaram protestos para hoje, segunda-feira.

Putin declarou que foram instaladas webcams nos mais de 90 mil postos de votação, contudo houve questionamento sobre a eficácia desse sistema, já que, segundo a “Organização de Segurança e Cooperação na Europa” (OSCE) as “câmeras não podem (puderam) capturar todos os detalhes do processo de votação, em especial a contagem de votos”**.

Além disso, sobre a grande manifestação de partidários ocorrida na Praça, há acusações de que muitos dos manifestantes chegavam e eram obrigados a permanecer no local sem terem condições de sair, como declarou o jornalista Rodrigo Russo, enviado especial da Folha em Moscou, conforme pode ser ouvido em áudio, disponibilizado no site do Jornal***.

Independente disso, o atual Presidente, Dimitri Medvedev, ao lado de Putin afirmou: “Nosso candidato lidera com passos firmes e não duvido que iremos ganhar. Esta é uma vitória que todos precisamos e também o país. Por isso, nosso candidato vencedor é Vladimir Putin”** e o atual Primeiro-Ministro agradeceu o apoio “arrasador”** (com grande probabilidade de ser real, mesmo com as acusações e manifestações contrárias) e afirmou ainda: “Eu perguntei uma vez: Venceremos? Vencemos. Demonstramos que ninguém pode nos impor nada”.

Certamente se referia às respostas que deu ao Ocidente quando houve acusação de fraude em dezembro. Naquela época e durante o período de debate eleitoral declarou várias vezes para as potências estrangeiras que não aceitaria interferência externa e levaria a política russa soberanamente, sem admitir qualquer intromissão nos assuntos do país. 

Durante os próximos seis anos**** Putin declarou que dará andamento ao planejamento de democratização e modernização do país, desenvolvidas pelo atual mandatário, seu afilhado político, Dmitri Medvedev. Este, por sinal, foi confirmado como próximo “Chefe de Governo” (“Primeiro-Ministro”)*****, confirmando a também esperada inversão de cargos, já que se sabia ser Putin o principal líder do Rússia, o verdadeiro homem forte do país e o articulador das políticas e planejamentos, apesar de Medvedev ter tentado alçar vôo, apresentado propostas de modernização que levariam a criação de instituições verdadeiramente democráticas, propondo mudanças na legislação eleitoral, a volta das eleições diretas para os governos regionais (hoje são indicados pelo Presidente), modificações no processo eleitoral, modificações no sistema partidário, permitindo a criação de novos partidos, propostas que poderiam enfraquecer o seu Partido (o “Rússia Unida”), amplamente controlado pelo primeiro-ministro Putin, e, por isso, bater diretamente no “Chefe de Governo”. No entanto o desembocar do processo demonstrou que ou havia articulação entre os dois, ou Medvedev não conseguiu forças para alçar estes vôos mais amplos.

Putin confirmou que continuará as reformas. Declarou após confirmar o atual Presidente como futuro Premier: “O nosso acordo reflete a intenção de continuar as reformas iniciadas. Medvedev deu início a uma série de processos positivos, em matéria de economia e reformas políticas, para fomentar a democracia no país”******.

As questões agora transitam em saber como a classe média se comportará, como a Oposição se manifestará e se rearticulará, já que ficou transparente a força do novo futuro Presidente, independentemente de quaisquer acusações de fraude. Conforme exposto, ele tem manifestado desejo de realizar as transformações necessárias, em especial na economia. Em termos de relações exteriores, paira a certeza de que o comportamento do país será mais duro em relação a defesa dos interesses nacionais e das questões estratégicas, dentre elas o posicionamento contra a postura ocidental no Oriente Médio. Acreditam os analistas que haverá renegociações em muitas questões, já que a Política Externa é incumbência presidencial, e as divergências serão mais explícitas.

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Fontes:

* Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1057009-vencemos-uma-disputa-aberta-e-limpa-diz-putin.shtml

** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5646431-EI8142,00-Putin+comemora+vitoria+antecipada+com+mil+em+Moscou.html

*** Ver e ouvir:

http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/1057008-rodrigo-russo-vladimir-putin-pode-ficar-no-poder-ate-2024.shtml

**** Houve alteração na Constituição mudando período presidencial dos quatro para seis anos.

***** Ver:

http://www.diariodarussia.com.br/eleicoes/noticias/2012/03/02/se-eleito-vladimir-putin-tera-dmitri-medvedev-como-primeiro-ministro/

Ver ainda:

http://www.abola.pt/angola/ver.aspx?id=318905

****** Ver:

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=541991

——————-

Ver também:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1056961-observadores-apontam-fraude-em-eleicao-presidencial-na-russia.shtml

Ver também:

http://www.diariodarussia.com.br/eleicoes/noticias/2012/03/02/dmitri-medvedev-convoca-populacao-para-as-eleicoes/

Ver também:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5643011-EI8142,00-Putin+afirma+que+em+anos+no+poder+nao+cometeu+erros+graves.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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