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Queda de Compaoré em Burkina Faso não arrefece manifestações

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O Presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, renunciou ao cargo em resposta às intensas manifestações populares que tomaram conta da capital Ouagadougou. O Governo de Compaoré foi um dos regimes mais longos em toda a África Subsaariana, totalizando 27 anos de duração[1][2].

A queda de Compaoré representa uma guinada nos anseios democráticos na África Subsaariana, à medida que regimes antigos, ainda que parcialmente democráticos, enfrentam gradativamente uma rejeição maior da população, principalmente da parcela mais jovem. Blaise Compaoré havia conquistado a Presidência do país em 1987, após um golpe de estado imposto ao então presidente Thomas Sankara.

Contudo, seu longo mandato chegou ao fim após uma série de protestos, cujo epicentro foi a cidade de Ouagadougou. Na quinta-feira da semana passada (30 de outubro), um grupo de manifestantes invadiu o Parlamento e ateou fogo no prédio, reivindicado o fim do seu Governo[3]. Além disso, há relatos de que uma série de manifestações contra o Presidente ocorreu ao redor da cidade nas últimas semanas[3].

Segundo especialistas, o estopim para os protestos foi uma proposta do Poder Legislativo de derrubar a Emenda que impõe um limite de dois mandatos ao Presidente[1][2]. De acordo com a Constituição atual, dada a vitória de Compaoré nas eleições de 2010, ele estaria automaticamente impossibilitado de participar das eleições gerais em 2015. Entretanto, recentes manobras políticas de Compaoré e declarações vindas do Poder Legislativo indicavam que futuras medidas seriam tomadas para permitir a sua candidatura nas eleições do próximo ano.

Após a renúncia, o Exército assumiu controle temporário da Presidência[1][2][4]. Em declaração oficial, o Exército de Burkina Faso afirma que a medida foi tomada com o intuito de manter a ordem e garantir uma transição segura para um novo governo civil, o qual será eleito nas próximas eleições do ano que vem[4]. “Tendo notado a lacuna que se criou [com a renúncia presidencial], e considerando a urgência de ‘salvar a vida da nossa nação’, se decidiu que daqui em diante eu me responsabilizarei em ser o chefe de estado[1], afirmou o general de divisão Nabéré Traoré.

Entretanto, parte da população local desconfia da posição assumida pelo Exército[3]. Notas oficiais divulgadas pelas Nações Unidas e pela União Africana reforçam a necessidade de o Exército de Burkina Faso liderar uma transição gradativa a um novo governo eleito democraticamente[4]. Desde a independência, em 1960, o país já sofreu três golpes militares – em 1966, 1980 e 1983 – o que aumenta a desconfiança entre os manifestantes de um novo governo militar estar a caminho.

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Imagem (FonteLatestNews):

http://latestnewslink.com/2014/11/thousands-protest-army-power-grab-in-burkina-faso/

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Fontes consultadas:

[1] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/11/01/world/africa/burkina-faso-unrest-blaise-compaore.html?ref=africa

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/nov/02/guardian-view-burkina-faso-transitional-government

[3] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/10/31/world/africa/burkina-faso-protests-blaise-compaore.html

[4] VerBBC”:

http://www.bbc.com/news/world-africa-29867819

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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