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Quem é o líder do auto proclamado Califado Islâmico?

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As cenas de barbárie veiculadas como propaganda pelo grupo fundamentalista Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIS, na sigla em inglês) tem gerado incredulidade devido ao formato violento de suas medidas na busca de consolidação de novas fronteiras geográficas na região do Oriente Médio. Fronteiras essas que delimitam a composição de uma vertente religiosa que vislumbra poderes políticos com intuito de criar um Estado de fato e de direito.

As prerrogativas para tantas atrocidades ao longo da fronteira síria e iraquiana estão a cargo dos preceitos islâmicos da Sharia (Lei Islâmica) interpretados pelo autodenominado Califa, Abu Bakr Al Baghdadi, cujo nome verdadeiro é Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai. O líder do autoproclamado Estado Islâmico é um homem de poucas aparições públicas, dentre as quais uma feita numa mesquita em Mossul, no Iraque, em meados de julho, onde fez um sermão para centenas de seguidores. Na sua pregação, escolhendo bem as palavras, se autoproclamou o “novo califa Ibrahim, emir dos crentes no Estado Islâmico”.

De acordo com fontes de serviços de inteligência ocidentais, Abu Bakr Al Baghdadi, nasceu em 1971, na cidade de Samarrai, aproximadamente 100km ao norte de Bagdá. Pautou seus estudos em conhecimentos religiosos, chegando a concluir Mestrado e Doutorado em Estudos Islâmicos na Universidade de Ciências Islâmicas de Adhamiya.

Como militante iniciou sua jornada contra os “cruzados” ocidentais após a invasão norte-americana ao Iraque, em 2003. Em meados de 2005, foi detido em Fallujah, o berço da insurgência jihadista e cenário dos maiores e mais sangrentos embates entre militantes e forças militares norte-americanas. Transferido para o Camp Bucca, o então pouco relevante militante conheceu extremistas da Al-Qaeda e através desses contatos, quando foi solto em 2009, ingressou no Conselho Militar do Estado Islâmico do Iraque (ISI, na sigla em inglês).

Após a morte de Abu Omar, líder da Al-Qaeda no Iraque, sua ascensão foi inevitável, uma vez que já gozava de prestígio no alto escalão da organização. No comando, foi responsável por mudanças estruturais, no que tange o direcionamento das ações, tal qual é conhecido atualmente pela comunidade internacional, e pela fomentação de um Estado Sunita de viés radical, nos limites dos Estados iraquiano e sírio.

Com a morte de Osama Bin Laden, em maio de 2011, Al-Baghdadi vislumbrava tomar o comando, porém foi preterido por Ayman Al-Zawarihi, médico egípcio que era o segundo na cadeia de comando da organização fundada por Bin Laden. Por conta dessa escolha e por não reconhecer Al-Zawarihi como líder decidiu pela cisão com o grupo e passou a tomar ações independentes e solidificar suas premissas radicais. A Guerra Civil na Síria acelerou o processo de amadurecimento do Califado, ou seja, ao mesmo tempo em que enfrentou as forças do presidente Bashar Al Assad, combateu contra a Frente Al-Nusrah, filiada da Al-Qaeda, pelo controle do Estado sírio e, em seis meses, já compunha uma fatia importante da Síria e do Norte do Iraque.

A superioridade bélica conquistada por meio dos armamentos enviados por americanos, britânicos e franceses após os ataques químicos empregados por Bashar Al Assad contra civis foi decisiva no avanço do Estado Islâmico. A conquista dos territórios ao norte do Estado, bem como a passagem pela fronteira foi facilitada pela organização que o grupo já compunha e pela estratégia de usurpar terrenos férteis em água e petróleo, produto este que financia as ações do EI.

De acordo com informações por hora não confirmadas, o ex-analista da National Security Agency (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden afirma que a criação do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIS) é fruto do planejamento de três agências de inteligência, Central Intelligence Agency(CIA), MI-6 (Inteligência Britânica) e o Mossad (Serviço de Inteligência de Israel) cujo objetivo seria reunir em apenas uma organização todos os terroristas. O programa intitulado “Hornet´s nest” (“Ninho de Vespas”, na tradução livre) de uma forma pouco específica vislumbra proteger a entidade sionista através da criação de slogans religiosos e islâmicos. Segundo o documento divulgado por Snowden, “a única solução para a proteção do ‘Estado judeu’ é criar um inimigo perto de suas fronteiras[1].

Ainda de acordo com o documento, o clérigo Abu Bakr Al Baghdadi recebeu treinamento militar intensivo, curso de teologia e de oratória do Mossad. Este seria um caminho semelhante ao que levou Osama Bin Laden primeiro a ser um colaborador/agente da inteligência norte-americana para depois se transformar no homem mais procurado por uma década.

São teses conspiratórias, mas que estão sendo disseminadas a partir das declarações de Snowden e, independente da sua confiabilidade, trazem a necessidade de se averiguar o histórico dessa personagem, sua biografia, as relações que teve com os ocidentais, bem como a atuação do Ocidente, por meio de seus agentes, em relação a Abu Bakr Al Baghdadi.

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Imagem (Fonte):

­­https://c8.nrostatic.com/sites/default/files/uploaded/pic_giant_071414_SM_Abu-Bakr-al-Baghdadi.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globalresearch.ca/isis-leader-abu-bakr-al-baghdadi-trained-by-israeli-mossad-nsa-documents-reveal/5391593

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Ver também:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/07/baghdadi-impostor-20147991513785260.html

Ver também:

http://beforeitsnews.com/alternative/2014/07/edward-snowden-reveals-isis-leader-abu-bakr-al-baghdadi-trained-by-israeli-mossad-video-2993768.html

Ver também:

http://www.defense.gov/transcripts/transcript.aspx?transcriptid=5483

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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