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[:pt]Quem é Rex Tillerson – indicado para Secretário de Estado dos EUA – e o que representará para a Política Externa estadunidense[:]

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A escolha da última semana feita pelo Presidente estadunidense eleito, Donald Trump, por Rex Tillerson, de 64 anos, para comandar a pasta da Secretaria de Estado da próxima administração, elencou alguns questionamentos e também produziu reflexões acerca da história deste órgão federal, que já foi comandado por personalidades do meio corporativo com características similares ao do futuro Secretário. Este promete um engajamento em alto nível para assuntos relacionados a questões econômicas e a transações comerciais internacionais bilaterais, muito provavelmente com foco especial na Rússia.

Tillerson, o principal executivo da ExxonMobil, é um dos poucos cidadãos americanos com fortes laços com a Rússia e o Kremlin, especialmente com o presidente Vladimir Putin. Ao longo de seu trabalho à frente da empresa petrolífera, suas ações principais estavam voltadas na representação dos interesses da ExxonMobil na Rússia, desde a década de 1990, com anos de lobby junto ao Governo dos Estados Unidos a fim de aliviar as sanções contra o país, fruto da crise envolvendo a Criméia, em meados de 2014, que somariam em perdas para a petroleira na ordem de US$ 1 bilhão.

Ao longo dessa aprofundada cooperação, Tillerson foi responsável pelo maior negócio assinado com a Federação Russa, no ano de 2011, entre a petrolífera ExxonMobil e a estatal russa Rosneft, em que ambas passaram a controlar um vasto terreno no Ártico, no Mar Negro e na Sibéria. Por essa iniciativa, o futuro Secretário de Estado recebeu a Ordem da Amizade das mãos de Putin, a maior honraria entregue a um cidadão estrangeiro.

De acordo com fontes consultadas, a escolha de Rex Tillerson foi sugerida por figuras centrais do establishment republicano, Robert Gates e Condollezza Rice. Gates foi Secretário de Defesa dos presidentes George W. Bush (2001-2009) e Barack Obama (2009-2017), enquanto Rice foi Secretária de Estado de George W. Bush e, atualmente, são consultores da ExxonMobil.

No âmbito dos desdobramentos da futura governabilidade da Secretaria de Estado, os laços de Rex Tillerson com a ExxonMobil e a Rússia não representarão o único obstáculo que poderia bloquear seu acesso ao Gabinete de Donald Trump e, para cada obstáculo futuro, haverá a chance pelos democratas de infligir pesados danos políticos ao potencial Secretário, haja vista que a margem de manobra no Senado, com uma maioria apertada de 52 cadeiras republicanas contra 48 democratas, não permitirá erros no formato de alianças para aprovação dos nomes sugeridos por Trump, tampouco para elaboração de projetos futuros.

O executivo do ramo petrolífero ainda poderá enfrentar no Senado, ao longo de sua sabatina para aprovação ao cargo, questionamentos feitos por procuradores gerais de Nova Iorque e Massachussets quanto às alegações de que a empresa passou décadas enganando a comunidade sobre as pesquisas referentes às mudanças climáticas provocadas pelo homem, fato que está no topo das discussões e da participação da Exxon na exploração dos campos petrolíferos no oeste do Canadá, aos quais ambientalistas classificaram como um perigo para a saúde do planeta.

Ainda sobre o Canadá, Tillerson é um firme defensor da construção do pipeline Keystone XL, que ligaria o Canadá (da província de Alberta) ao Texas, mas que, na administração Obama, recebeu um veto para o seu desenvolvimento.

Apesar da Exxon não ter envolvimento direto, ela possui profundo interesse financeiro na extração de combustível da região canadense que abriga as chamadas “areias betuminosas” e, por possuir participação majoritária na Imperial Oil de Calgary, uma das maiores desenvolvedoras do segmento de areias petrolíferas do Canadá, crê que o gasoduto melhoraria a competitividade dos EUA e aumentaria a segurança energética da América do Norte.

Outra questão já bastante difundida com a provável nomeação de Rex Tillerson é a situação futura do Iraque. A ExxonMobile já atua nos campos de petróleo do norte do Iraque, na região semiautônoma do curdistão iraquiano, fato este que gera grande insatisfação por parte do Governo central em Bagdá.

A manobra conduzida por Tillerson se deu pela difícil negociação com Bagdá para um projeto de petróleo no Sul daquele país. Nesse sentido, diante do entrave, unilateralmente, o potencial novo Secretario de Estado assinou um acordo separado em 2011, diretamente com os curdos, fato que enfureceu o Departamento de Estado e que poderia acarretar no fim de uma política de “um Iraque” pleiteada pelos EUA desde a invasão em 2003, abrindo precedente para um país dividido pelas três etnias, entre xiitas, sunitas e curdos.

Apesar da escolha feita por Rex ser algo que deixa a comunidade internacional apreensiva, há aspectos importantes na interpretação difundida por Trump para a escolha de seu Gabinete, em especial para a pasta que conduzirá a política externa estadunidense, ao menos para os próximos quatro anos. Desse modo, a disposição em negociação com líderes considerados fortes e vistos como pouco amistosos com os EUA é um ponto a ser considerado, aliado ao fato de que Tillerson analisa a posição como parte do plano de segurança nacional pela lente econômica.

Por fim, a indicação de um executivo não foi a primeira na história da política externa norte-americana, Ronald Reagan (1981-1989) nomeou George Shultz para suceder Alexander Haig como Secretário de Estado, deixando a comunidade judaica na época perplexa, pois Shultz possuía laços estreitos com a Arábia Saudita. Contudo, sua administração provou grande inclinação aos interesses de Israel. Outro nome bastante lembrado é de Robert McNamara, presidente da Ford, que foi escolhido para assumir a pasta da Secretaria de Defesa no governo de John F. Kennedy (1961-1963), em 1961.

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ImagemРекс Тиллерсон – Владимир Путин” / “Rex Tillerson – Vladimir Putin” / Tradução Livre    (Fonte):

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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