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Questão que envolve Trump, Rússia e as eleições de 2016 ainda sob forte suspeita

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Na semana passada, as primeiras acusações formalizadas pelo investigador especial Robert Muller contra membros da campanha do então candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, complementam o que havia sido diagnosticado por agências de inteligência estadunidenses.

De acordo com o relatório de janeiro de 2017, intitulado “‘Assessing Russian Activities and Intentions in Recent US Elections’: The Analytic Process and Cyber Incident Attribution”*, CIA, FBI e a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) declararam conjuntamente, com “alta confiança”, que o Governo russo realizou uma campanha sofisticada para influenciar a eleição passada.

Paul Manafort Jr em preparação para o discurso eleitoral de Trump em Nova Iorque

O relatório aponta que há fortes indícios da participação do presidente Vladimir Putin no suposto esforço de desestabilização eleitoral, que consistiria, principalmente, em prejuízos à campanha da presidenciável democrata Hillary Clinton e no enfraquecimento do processo eleitoral do país.

Ainda com base no relatório e informes de autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o esforço russo envolveria atividades com agências governamentais, mídia respaldada pelo Estado e “trolls” de internet pagos, bem como operações secretas, por meio de atividades cibernéticas ilícitas patrocinadas por agentes de inteligência.

Na consolidação da estrutura cibernética para o ataque eleitoral, as agências de inteligência dos Estados Unidos afirmam que o conluio russo criou mecanismos de financiamento a meios de comunicação, incluindo o site Sputnik e a rede de televisão Russia Today (RT) com o objetivo de prejudicar a campanha de Hillary Clinton.

Afirmam também que o recorte utilizado pela emissora RT durante a eleição explorou negativamente a imagem de Clinton com foco em seus e-mails vazados, acusando-a de corrupção, assim como má saúde física e mental, e laços com extremistas islâmicos.

As recentes acusações produzidas contra Paul Manafort Jr, ex-chefe de campanha de Trump, sobre a suposta ação russa, complementa um estágio da investigação iniciada pelos órgãos de segurança interna dos EUA e abre, quase que instantaneamente, uma frente junto a Kiev, em que se investiga Manafort pelo seu trabalho como assessor político de Viktor Yanukovych, ex-Presidente da Ucrânia, pró-Rússia, que foi deposto quando se deu a crise ucraniana, em 2013.

Na primeira denúncia é avaliado o nome de Manafort como beneficiário de pagamentos na ordem de US$ 12,7 milhões e a segunda investigação busca relatório de 2012, preparado para o Governo ucraniano pelo escritório de advocacia de Nova Iorque, “Skadden, Arps, Meagher & Flom”.

Há acusações sobre a possibilidade de que Paul Manafort tenha ajudado a organizar um relatório para retirar Yanukovych das acusações de encarcerar sua principal adversária política na época, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, e também um relatório que apresenta alegações para o julgamento e condenação de Tymoshenko em 2011, porém com indícios de violações legais e politicamente motivadas.

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Nota:

* Deve-se destacar que o referido Relatório apresenta mecanismos que apontam para a RT América TV como um canal que possivelmente recebe financiamento do Kremlim para operar nos EUA.

O documento destaca o papel da editora-chefe da RT, Margarita Simonyan com laços estreitos com os principais funcionários do atual governo russo, dentre eles, o Vice-Chefe de gabinete da administração presidencial Aleksey Gromov, que foi um dos fundadores da RT.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Tradicionais Matrioska, ou bonecas russas em representação aos líderes Vladimir Putin e Donald Trump” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/621783458

Imagem 2 Paul Manafort Jr em preparação para o discurso eleitoral de Trump em Nova Iorque” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/542133994

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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