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[:pt]Questões sobre a relação EUA-Rússia na futura administração Trump[:]

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O contexto histórico das relações EUA-Rússia conduziu e modelou a ordem internacional por mais de meio século, desde o pós-2º Guerra Mundial. O sistema internacional bipolar construído nesse período deixou na órbita geoestratégica uma herança cultural, política e militar muito acentuada, e seus desdobramentos levaram em direção a uma possível e iminente derrocada, tal qual vem sendo apontado por vasta literatura em tempos recentes. E isso parece que se dará principalmente na Europa e nos Estados Unidos, ainda detentores de peso expressivo na definição da pauta na agenda internacional.

Uma tendência à ruptura dessa agenda globalizada, aliada à ascensão de governos entendidos como pertencentes a vertentes mais à direita e também menos propensas à cooperação multilateral, poderá apresentar cenários ainda pouco compreensíveis.

Nesse sentido, segundo o ex-ministro das Finanças russo, Alexei Kudrin, as eleições estadunidenses mostraram explicitamente que a atual dinâmica dos processos globais não atende mais às expectativas sociais e podem ser interpretadas como uma extensão do “Brexit”, cujas forças de direita e populistas tem ganhado adeptos, à medida que as políticas liberais não produzem os mesmos efeitos de outros tempos.

Nas reflexões feitas a partir da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, um dos pontos considerados para a agenda de política externa é justamente o modelo de sistema internacional que poderá ser gerado a partir das relações estabelecidas entre os EUA e outros atores do sistema internacional, principalmente aqueles que enfrentam as instabilidades existente no modelo vigente de sistema.  

Por essa medida, a Rússia, por todo o histórico recente de embate com a administração Obama, é fator na equação diplomática que poderá apresentar mudanças consideráveis na gestão Trump, adquirindo mais amplitude, aproximação e diálogo, frente às incertezas das economias da Europa Ocidental.

Em relação a essa nova iniciativa em política externa para a Rússia, há elementos que levam os especialistas a se basearem no histórico pessoal de Donaldo Trump, ou seja, na sua experiência em negócios e no pragmatismo, podendo isso ser uma saída para ambos os Estados, em detrimento de ideologias e propostas de arrocho no diálogo bilateral, por conta do descompasso que houve na questão da Criméia (anexada pela Rússia em 2014), no problema da Guerra Civil na Síria e também pelas movimentações militares táticas orquestradas pelos EUA e OTAN nas zonas de influência da antiga soviética, ou seja, nas cercanias da Rússia, que causam numerosos protestos por parte do Kremlin.

Para analistas internacionais consultados, o histórico de política exterior dos EUA para a Rússia tem tendências básicas distintas para republicanos e democratas e, por isso, servem como introdução à futura decisão a ser tomada pelo Presidente eleito.

No ideário republicano, as agendas econômicas e comerciais são muito latentes, buscam defender de maneira persistente seus interesses, e por meio de resolução saudável de eventuais controvérsias. Os democratas – em certa medida, desde os tempos de Woodrow Wilson (1913-1921) – priorizam ideias políticas, como os valores democráticos, e cujo objetivo é tornar o mundo mais seguro através desse princípio.

Assim, a Democracia, neste contexto, é vista como principal alicerce da Segurança e da Ordem Mundial e tal lógica implica na superioridade moral em detrimento das questões materiais, admitindo a interferência na política interna de outros países e em defesa dos direitos humanos, por exemplo.

Para a futura relação EUA-Rússia, o diálogo poderá existir em diversos níveis do novo Governo, porém, possivelmente, não haverá acordo e unanimidade sobre como lidar com a administração de Putin, principalmente pelo establishment republicano mostrar-se dividido, tanto em relação a essa probabilidade de aproximação com Moscou, quanto com relação a dar pleno apoio a Donald Trump.

Em complemento, para alguns especialistas, a “nova” condução diplomática entre Washington e Moscou depende mais da mudança de curso da política exterior do Kremlin, que precisaria renunciar ao posicionamento de oposição ao sistema de relações internacionais estabelecidos pelos Estados Unidos, fato este pouco considerado no meio político dos dois países.

Além disso, há entendimentos dentro do Partido Republicano de que as negociações com Putin deverão ser conduzidas com cautela, e isso poderá impactar na aproximação. Desse modo, as propostas identificadas nas políticas internas dos dois países poderão ser as mensagens que levarão à provável aproximação, à estruturação das relações bilaterais entre os dois países.

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ImagemBandeiraMapa da RússiaEUA” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag-map_of_Russia-USA.svg#/media/File:Flag-map_of_Russia-USA.svg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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