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Reação da China à vitória de Tóquio para sediar as “Olimpíadas de 2020”

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Depois de ter sido organizado em Pequim em 2008 um dos eventos olímpicos mais bem sucedidos da história, no último fim de semana a imprensa chinesa deu uma atenção especial ao processo da escolha da sede dos “Jogos Olímpicos de 2020”. A inclusão de uma cidade asiática, Tóquio, na lista das concorrentes não podia ser ignorada na China. Mas a reação da mídia e do governo chinês à escolha da capital japonesa denota pouco entusiasmo em face da atual fase das relações entre os dois vizinhos, que se encontra no nível mais baixo dos últimos 40 anos.  

No encontro habitual com a imprensa nacional e estrangeira nesta segunda-feira (dia 9), quando indagado se a governo chinês já havia felicitado à contraparte japonesa por ter assegurado o direito de organizar as “Olimpíadas do Verão de 2020”, o “Porta-Voz do Ministério dos Negócios EstrangeirosMNE” da China, disse que tal pergunta devia ser feita ao “Comitê Olímpico Chinês” (COC)[1]. No entanto, na tarde do mesmo dia, uma notícia no site do MNE dizia que o COC já tinha felicitado a sua congênere japonesa[2].

Esta ambiguidade governamental denota um certo tipo de desconforto ao ser atribuída uma organização deste tamanho ao Japão, numa altura em que a rivalidade entre os dois vizinhos não pára de crescer. O exemplo é a pressa que certa mídia estatal chinesa teve em publicar notícia dizendo que Tóquio estava fora da corrida final.       

Ainda no decurso do processo da eleição em “Buenos Aires”, a agência noticiosa estatal Xinhua (“Nova China”, em Mandarim) e o canal de desporto daTelevisão Central da Chinaerradamente noticiaram que Tóquio tinha sido eliminada e Madrid e Istambul avançavam para a escolha final. Apercebendo-se da gafe, as duas emissoras retiraram da internet a notícia falsa mas não escaparam da crítica dos internautas chineses[3].

Também há cidadãos chineses que acham que a cidade japonesa não devia ser escolhida para organizar um evento internacional igual a este, evocando razões históricas do Japão e disputas territoriais com países vizinhos, com a China em especial[4]. No entanto, um editorial do jornal ligado ao “Partido Comunista da China”, o “Global Times”, expõe com clareza o que pode vir a ser a posição da China face ao Japão nos próximos sete anos[5].

O jornal felicita Tóquio por ser escolhida e deseja que o megaevento seja um sucesso. Igualmente, menciona que a organização dos Jogos trarão benefícios para toda a região do Nordeste da Ásia”. Mas o ponto fulcral desta peça de opinião é de que o Japão reflita sobre a sua história de agressãoe se abstenha das suasmanobras provocadoras”, que incluemdiscursos ultra-nacionalistas de políticos”, “glorificação do passado sangrento do país”, “visitas oficiais ao Templo de Yakusuni”, “questões do massacre de Nanjing, das Ilhas Diaoyu/Senkaku e das mulheres forçadas a se prostituírem nos bordeis do exército japonês durante a 2ª Guerra Mundial[5].

Caso não o faça, o órgão noticioso, tido como nacionalista na imprensa ocidental, diz que a China e a Coreia do Sul podem levar a cabo uma campanha internacional para desacreditarem que Tóquio possa organizar um evento que defenda paz e harmonia[5]. Entende-se que o jornal vê uma oportunidade para a melhoria do relacionamento do Japão com os seus vizinhos mais próximos, a China e Coreia do Sul. 

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Imagem (Fonte):

http://www.thestar.com.my/Sport/Other-Sport/2013/09/08/Tokyo-to-host-2020-Olympics.aspx

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://economictimes.indiatimes.com/news/news-by-industry/et-cetera/no-congrats-to-tokyo-from-china-on-winning-bid-for-hosting-2020-olympics/articleshow/22456633.cms

[2] Ver:

http://winnipeg.ctvnews.ca/china-s-clarification-congratulations-already-sent-to-olympic-bid-winner-tokyo-1.1446055

[3] Ver:

http://www.japantimes.co.jp/news/2013/09/09/asia-pacific/chinese-state-media-mocked-for-olympics-host-city-gaffe/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=chinese-state-media-mocked-for-olympics-host-city-gaffe#.UjA7t8bEcb8

[4] Ver:

http://sports.inquirer.net/118313/chinese-mock-state-media-for-2020-olympics-host-blunder

[5] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/809602.shtml#.UjAptMbEcb8

Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.

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