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[:pt]Rebaixamento de nota da Ericsson para grau de especulação aponta problemas estruturais numa gigante das telecomunicações[:]

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No último dia 3 de maio, a agência de avaliação de risco Moody’s diminuiu a nota dos títulos da empresa Ericsson de Baa3 para Ba1, o que significa a perda do grau de investimento dos títulos da empresa, uma fornecedora global de telecomunicações com sede na Suécia. Outras ações de instituições do mercado financeiro apontam desde o ano passado (2016) para o enfraquecimento da Ericsson nos últimos anos, com o outro rebaixamento de nota da Moody’s, em outubro de 2016, o rebaixamento da nota pela Standard em Poor’s, em janeiro de 2017, e a avaliação negativa das ações da empresa pela Goldman Sachs no mesmo período. Segundo a Bloomberg, a ação da Moody’s teve efeito imediato: o aumento da probabilidade de default diminuiu o preço dos títulos e aumentou os rendimentos esperados por título em 21 pontos bases, ou em 0,21%. O valor das ações caiu em cerca de 2%.

O rebaixamento é uma resposta a um comunicado oficial da Ericsson lançado ao público dia 28 de março, que reestrutura a empresa de acordo com os objetivos do novo CEO, Börje Ekholm. Segundo a Moody’s, o grau de especulação da Ericsson reflete as implicações financeiras de um plano de reestruturação que se concentra principalmente no corte de gastos e que, logo, não implica em crescimento sustentável no longo prazo. O alto grau de competitividade do setor de equipamentos das redes sem fio (wireless), no qual a Ericsson está inserida, impossibilita que um plano de corte de gastos seja suficiente para a empresa perseguir constantemente a inovação. Um perfil financeiro fragilizado e o baixo crescimento dela nos últimos anos também foram apontados como fatores determinantes do rebaixamento de nota.

A Ericsson entrou no mercado no século XIX e se estabeleceu como uma grande corporação no ramo de telecomunicações na segunda metade do século XX, principalmente devido à produção de telefones e celulares. Ao término do século XX, porém, enfrentou uma série de problemas. A empresa fez parte da crise da Bolha da Internet no final dos anos 1990 e, durante os anos 2000, uma série de fusões e compras de outras companhias não gerou os resultados esperados.

A empresa também não foi bem-sucedida ao se inserir no novo modelo do setor de telecomunicações do século XXI, que está menos focado em produtos e mais em pacotes de serviços que incluem hardware e software. De acordo com Elfvinga, Lindahlb e Sundinb (2015), autores do livro “Ericsson – The History from Product to Solution Provider and Challenges and Opportunities in an Evolving Environment[1] (“Ericsson – A Transformação de Fornecedora de Produtos à de Soluções e Desafios e Oportunidades em um Ambiente em Evolução”, em tradução livre), com o advento da era dos smartphones, da informação e dos serviços, a Ericsson não conseguiu se manter no mercado de hardware e ainda precisa transitar de uma empresa fornecedora de produtos para ser uma de soluções e serviços. Suas antigas competidoras, como a Nokia, também estão passando por processos similares, com a maioria já fora do mercado. Em seu plano de reestruturação, a Ericsson, além de cortar custos, promete ser uma das líderes da implementação da internet 5G e canalizar seus esforços para os serviços digitais, redes e para a Internet das Coisas[2]. O que a Moody’s e as outras instituições estão sinalizando, porém, é que ela ainda tem um longo caminho para sua reinserção no mercado das telecomunicações. 

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Notas e fontes consultadas para maiores esclarecimentos:

[1] ELFVINGA, S.; LINDAHLB, M.; SUBDINB, E. Ericsson – The History from Product to Solution Provider and Challenges and Opportunities in an Evolving Environment. Procedia CIRP, n. 30, 2015, p. 239-244.

[2] A Internet das Coisas é uma revolução tecnológica a fim de conectar dispositivos eletrônicos utilizados no dia-a-dia, como aparelhos eletrodomésticos e meios de transporte, à Internet.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da Ericsson, em Estocolmo” (. Fonte Arild Vågen):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ericsson#/media/File:Isafjord_1_October_2015_01.jpg

Imagem 2Börje Ekholm novo CEO da Ericsson” (Fonte):

http://www.marketswiki.com/wiki/images/8/8e/Borje_Ekholm.jpg

Imagem 3Logo da Moody’s” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg

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Livi Gerbase - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Economia Política Internacional pela UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela UFRGS. Ex-pesquisadora do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais e do Centro Brasileiro de Estudos Africanos. Atualmente é estagiária do the South-South Exchange Programme for the Research on the History of Development (SEPHIS). Se interessa por assuntos relacionados aos países em desenvolvimento e recentemente tem focado no sistema financeiro internacional.

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