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Rebeldes consideram que “Regime de Khadaffi” está encerrado

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Ao longo de domingo e segunda-feira, respectivamente dias 21 e 22 de agosto, os representantes do “Conselho Nacional de Transição” (CNT) líbio declararam às redes de televisão árabes, disseminando para o mundo, que o processo de ocupação de Trípoli (capital do país), estava sendo concluída, restando apenas focos da cidade sob o controle de tropas dos partidários de Muammar Kadhaffi.

 

A perspectiva da quase totalidade do envolvidos bem como dos analistas é de que a queda da Capital significará o encerramento do Regime, embora não se saiba do paradeiro de Muammar Kadhaffi e ainda se aceite a possibilidade de ele tentar prolongar a resistência, já que resolveu conclamar as tribos do país para atuarem contra o que tem denominado ser uma invasão do território líbio com apoio de traidores e tem declarado que pretende tornar-se um mártir.  Acredita-se que dificilmente ele conseguirá reverter o avanço e o mais provável é que seu objetivo seja dramatizar o processo buscando uma ação grandiosa final.

Mahmoud Jibril, um dos líderes do CNT, sendo um dos responsáveis pelos “Negócios Estrangeiros”, teve conversas por telefone com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, para acertar a reunião entre os parceiros internacionais do grupo a ser realizada em Paris com o objetivo de discutir o futuro da Líbia. A preocupação atual é com o comportamento dos rebeldes, temendo-se que ocorram saques e atos de vingança contra os partidários do Regime deposto.

Jibril afirmou em discurso feito ontem à televisão “Libya al-Ahrar”, pertencente aos rebelados: “Hoje que nós comemoramos a vitória, apelo para a sua consciência e para a sua responsabilidade: não se vinguem, não saqueiem, não culpem os estrangeiros e respeitem os prisioneiros. (…). Estes desafios são uma oportunidade única neste período de transição, de dar vida a todos os direitos pelos quais lutamos. (…). Fiquem alerta. Bolsões de resistência (das forças pró-Kadafi) ainda são localizados dentro e no entorno de Trípoli. (…). Devem ser prudentes. O combate não acabou. Mas, se Deus quiser, em algumas horas nossa vitória será completa”*.

Espera-se que a reunião ocorra já na próxima semana. “Estamos propondo uma reunião extraordinária de um grupo de contato do mais alto nível se possível na próxima semana para elaborar um plano de ação com as autoridades líbias”**, comunicou ontem o ministro das “Relações Exteriores” francês, Alain Juppé.

Especialistas confluem para a ideia de que a atuação francesa tenderá a ser cada vez mais intensa visando aumentar a influência da França no país, participando ativamente da reestruturação política da Líbia neste momento de reorganização pós-revolucionária, já que teve papel determinante nos momentos do combate contra o regime de Kadhaffi e foi um dos três primeiros a reconhecer a organização do grupo rebelado como legítimo governo líbio.

Analistas estão concordando que os interesses econômicos e comerciais tenderão a problematizar a reestruturação do país, uma vez que Rússia e China tinham a Líbia como foco de seus interesses e se posicionaram continuamente contra a forma de atuação da “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN), bem como contra o posicionamento da “União Europeia” em relação à crise.

Especialistas afirmam ainda que os interesses se estendem para além da questão do petróleo e do gás natural, que eles se pulverizam em vários outros materiais estratégicos, setores econômicos e questões geopolítica no norte da África.

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* Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/lider-da-rebeliao-nao-se-vinguem

** Fonte: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE77L02420110822

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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