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Refugiados sírios elevam preocupações na Turquia

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A Turquia atualmente abriga mais de um milhão de refugiados sírios depois de o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan anunciar uma política de “Portas Abertas” para aqueles que se refugiam do conflito[1][2]. Dos mais de 1 milhão de refugiados, apenas 300.000 estão vivendo em acampamentos ao longo da fronteira volátil e a grande maioria vive em condições precárias nas grandes cidades, como Istambul[2]. Há mais de 20 campos de refugiados em território turco, ao longo da fronteira de aproximadamente 500 quilômetros com a Síria, abrigando mais de 220.000 pessoas. Contudo, a maior parte dos que cruzaram a fronteira está vivendo em cidades turcas, principalmente nas províncias de Hatay, Gaziantep e Sanliurfa e não nos campos de refugiados[1].

Os primeiros refugiados sírios cruzaram a fronteira com a Turquia em abril de 2011, levando o Governo do país a criar um acampamento de emergência na província de Hatay, ao sul. Em 2012, foram criados seis campos de containers, incluindo um em Kilis, que foram elaborados para oferecer um melhor nível de abrigo aos refugiados que chegavam[1]. Neles, moradores têm acesso à eletricidade, parques infantis e escolas. Recebem dinheiro para comida e o índice de criminalidade é baixo[3]. Contudo, a Turquia tem lutado para lidar com o grande número de refugiados que entram no país e as condições de vida em diversos outros campos são bastante duras[1]. Este é o caso de Bab al-Salameh, na cidade de Azaz, ainda uma zona de guerra, sem sistema de esgoto ou asfalto[3].

A violência já irrompeu em alguns do Campos na Turquia, levando ao uso canhões de água e bombas de gás lacrimogêneo pela polícia, como em março de 2013, quando manifestantes protestavam contra as condições no Campo situado perto da cidade de Akçakale[4]. No último domingo, 13 de julho na cidade de Kahramanmaras, a polícia entrou em confronto com os habitantes locais que protestavam contra o afluxo de refugiados sírios na Turquia[2].

O país anunciou nesta quarta-feira, 16 julho, que tomará “medidas drásticas” para lidar com o afluxo de dezenas de milhares de refugiados em sua maior cidade, Istambul, incluindo “enviá-los forçosamente aos campos no sudeste[2]. O governador de Istambul,Avni Mutlu, afirmou que, atualmente, há 67 mil refugiados sírios na cidade e a legislação permitiria agora sua efetiva expulsão da cidade em direção aos Campos[2].

No último dia 10 de julho, o Alto Comissariado da ONU divulgou que 799.457[5][6] era o número total de refugiados sírios registrados e com agendamento de registro na Turquia. Nos 22 Campos localizados em 10 províncias turcas vivem atuais 219.227 refugiados registrados e fora deles outros 580.230[6]. Pouco mais de 20% se instalaram em acampamentos – o restante está vivendo em vilas e cidades[6].  Os moradores locais da cidade fronteiriça de Gaziantep estão descontentes com a crescente população refugiada em sua cidade, onde muitos sírios vivem em condições inadequadas, amontoados, sem água corrente ou eletricidade[7]. Muitos se queixam da nascente concorrência comercial síria, da maior oferta de trabalhadores e da aceitação de menores salários, defendendo sua permanência exclusivamente nos campos e questionando a política turca de “Portas Abertas[7].

Dados publicados pela ONU no último dia 15 de julho, terça-feira passada, demonstram que os refugiados sírios representam hoje impressionantes 2.914.092 indivíduos fora da Síria. Destes, 799.457 estão registrados na Turquia; 606.653 na Jordânia e outros 1.126.131 no Líbano[5]. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR), cerca de 860.000 refugiados vivem fora dos campos para refugiados em abrigos abaixo do padrão[5]. A ampla maioria dos 2,9 milhões de refugiados sírios fugiu para os países vizinhos e norte da África, sendo que 1,7 milhão necessita de assistência alimentar[5].

No quarto ano da crise, 6,5 milhões de crianças sírias precisam de assistência humanitária imediata, seja dentro do país seja vivendo como refugiados. O número representa um aumento de mais de dois milhões em comparação com há apenas um ano[5]. Com o crescente fortalecimento do ISIS no Iraque, o influxo de refugiados nas cidades fronteiriças da Turquia poderá aumentar ainda mais[7].

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Imagem (Fonte):

http://www.thedailybeast.com/articles/2014/04/14/millions-of-refugees-from-syria-s-war-are-clinging-to-life-in-toxic-conditions.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/jun/19/syrian-refugees-turkey-exceed-million

[2] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/istanbul-threatens-force-syrian-refugees-camps

[3] Ver:

http://www.thedailybeast.com/articles/2014/04/14/millions-of-refugees-from-syria-s-war-are-clinging-to-life-in-toxic-conditions.html

[4] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-21958773

[5] VerRelatório UNHCR ‘Resposta Regional Interinstitucional para Refugiados Sírios – Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Turquia’ Período 6-12 de Julho de 2014

http://Inter-AgencyRegionalResponse-SyrianRefugees20140712%20.pdf

Disponível também em:

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/country.php?id=224

[6] Ver Relatório UNHCR ‘Refugiados Sírios na Turquia – Report Diário’ 10 de Julho 2014 Relatório sobre a situação de Emergência síria na Turquia base 9 de julho de 2014”:

http://UNHCRTurkeySyriaSitrep10July2014%20.pdf  

Disponível também em:

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/country.php?id=224

[7] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-28133015

        

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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