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Reino Unido e União Europeia cada vez mais distantes de um acordo

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O Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), está cada vez mais próximo e as negociações que irão definir a futura relação entre o país e o bloco econômico ganham um contorno de maior dificuldade. O episódio mais recente que ilustra esta questão ocorreu em Salzburg, na Áustria, onde foi celebrada uma reunião entre líderes de países pertencentes à UE.

Theresa May, Primeira-Ministra Britânica

Um dos principais tópicos abordados foi o Acordo de Chequers: Plano Ministerial que a primeira-ministra Theresa May endereçou ao Parlamento sobre como o Governo Britânico intenciona conduzir as negociações do Brexit. A consolidação do plano foi responsável pela saída de dois políticos-chave da base governista: David Davis, negociador britânico do Brexit; e Boris Johnson, Ministro das Relações Exteriores.

O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o Acordo de Chequers não é viável para se trabalhar, em função da dificuldade de conciliar os interesses britânicos com os do bloco europeu, sobretudo no aspecto econômico. As principais divergências são a adesão de um “guia de regras comum” a ser adotado pelo Reino Unido, no intuito de seguir as regras da UE quanto à participação em agências e em determinações internas do bloco; e a manutenção do regime tarifário que seria coletado pelo Estado e repassado à UE.

Daí surge o impasse da Irlanda do Norte, em que a falta de acordo sobre como será a situação da fronteira entre o Reino Unido e a República da Irlanda frente ao Brexit direciona as discussões travadas até então. O interesse britânico é de que a União Europeia permita que o país continue adotando as tarifas praticadas pela UE; já o bloco defende que somente a Irlanda do Norte tenha essa permissão, gerando algum tipo de “fronteira” entre as ilhas da Irlanda e da Grã-Bretanha, algo que o Reino Unido não está inclinado a aceitar.

Publicidade contra a Fronteira entre as Irlandas

Especialistas apontam quatro possíveis cenários. Primeiro, no caso de um acordo, que tem se mostrado cada vez mais improvável, resta saber se o Reino Unido será capaz de abrir mais concessões à UE e se esta se mostra disposta a fazer o mesmo, evitando que ambas as partes não cheguem a um consenso, algo que nenhum dos lados deseja. Segundo, ainda que o acordo não ocorra, a relação entre o país e o bloco econômico será pautada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), praticando os mesmos regimes a que Estados Unidos da América e Brasil, por exemplo, são submetidos. Um terceiro cenário é de que há ainda a remota possibilidade de permanecer na UE, mas isto levaria a um suicídio político dos governantes britânicos. Ademais, a permanência de Theresa May nas últimas Eleições Gerais de 2017 é um forte indicativo de que isso não irá acontecer. Por fim, há também a possibilidade de um novo Referendo, nos moldes do que foi o de 2016. Entretanto, existe o risco político, apesar de menor, e a ideia proposta é de que o acordo final seja votado no Parlamento e não posto em novo escrutínio à população.

A proposta europeia oferece duas opções ao país: ou adotar o modelo norueguês, que manteria a circulação de pessoas e a permanência do Reino Unido na Corte Europeia de Justiça, algo que os britânicos já acenaram não estarem interessados pelo próprio Acordo de Chequers; ou uma variação do modelo canadense, que ainda não foi implementado na UE, em que não se remove todas as obrigações tarifárias do Reino Unido sem perder acesso ao mercado europeu. Nesse último ponto, o próprio Partido Conservador não possui uma clara posição, uma vez que os mais radicais conservadores, como Boris Johnson e David Davis, aceitam essa proposta, que, por sua vez, não é vista com bons olhos pela base governista.

A partir do dia 30 de setembro até 3 de outubro, os Conservadores estarão em conferência para tomar decisões futuras. É o último momento antes da reunião final dos negociadores do Brexit, tanto do Reino Unido como da UE, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de outubro. A possibilidade, cada vez mais provável, de que não haja um acordo final entre as partes já leva a ambos os lados se prepararem para este cenário. Ainda assim, é possível que ocorra alguma reviravolta no âmbito político que consiga resolver a situação, mas ainda é incerto e há boas chances de que ocasione algum tipo de custo político no fim das contas.

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Fontes da Imagens:

Imagem 1Bandeira do Reino Unido escrito BREXIT” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/brexit-ue-reino-unido-1478565/

Imagem 2Theresa May, PrimeiraMinistra Britânica” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Theresa_May_(Sept_2017).jpg

Imagem 3Publicidade contra a Fronteira entre as Irlandas” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/tiocfaidh_ar_la_1916/25754240267

Matheus Mendes - Colaborador Voluntário

Bacharel em Defesa e Gestão Estratégica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN). É pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura, participando da produção do Boletim Geocorrente, ambos da mesma instituição. Suas principais áreas de interesse envolvem as políticas de Defesa do Reino Unido, com enfoque na Marinha; Brexit e movimentos separatistas europeus; questões marítimas globais; e Geopolítica.

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