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[:pt]Relação EUA e Ásia na última viagem de Obama ao continente asiático[:]

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A 11º viagem do presidente Barack Obama à Ásia exprimiu um forte significado quanto aos esforços em produzir movimentos diplomáticos de reequilíbrio da região Ásia-Pacífico.

A visita à Hangzhou, China, para a Cúpula do G-20, e depois ao Laos, para reuniões com a Association of Southeast Asian Nations (ASEAN na sigla em inglês), foram centradas em compromissos cujas prioridades bilaterais e regionais, nesse fim de mandato, foram interpretados por observadores internacionais como mecanismos para manutenção dos canais diplomáticos abertos para este período de transição presidencial ao qual os Estados Unidos irão se deparar, em Novembro próximo.

Por ser provavelmente o último encontro entre Barack Obama e seu homônimo chinês, Xi Jinping, a Cimeira ganha em importância também pela necessidade de que os fluxos nas comunicações, as prioridades e preocupações, assim como o enlace de competição e cooperação se mantenham em linhas brandas, em que as disputas não se tornem crises e os atritos não se multipliquem ou se intensifiquem a ponto de desestabilizar a região que substituiu o Oriente Médio como principal parceiro comercial de Washington.

No Laos, Barack Obama fez a primeira visita de um Chefe de Estado estadunidense a Vientiane, ao participar da 4º Cúpula EUA-ASEAN, além de encontros bilaterais com vários líderes do pequeno país comunista localizado entre Tailândia, a oeste, e Vietnã, a leste. O diálogo iniciado no encontro abre precedentes para que o Pivot para Ásia, como é conhecida a política externa da atual administração norte-americana ganhe mais um ator.

O interesse do Laos em ampliar sua participação regional vai ao encontro com o desejo do presidente Bounnhang Vorachith e do primeiro-ministro Thongloun Sisoulith de diminuir a dependência à China e seguir os passos de Mianmar e Vietnã, que foram receptivos aos Estados Unidos, Japão e União Europeia, que, por meio de investimentos e diplomacia, ajudam a recrudescer a influência de Beijing.

Contudo a relação EUA-Laos não permite grande margem de manobra. A influência histórica do Vietnã, aliada à alta prioridade em manter o país sob sua política regional de influência, inviabiliza Vientiane, por exemplo, de aumentar seu potencial de energia hidroelétrica através de investimentos estrangeiros, graças ao impacto direto na parcela do rio Mekong em território vietnamita.

Diante de outras complexidades regionais, Beijing classifica o Laos com prioridade estratégica moderada. Já para os EUA, uma cooperação mais aprofundada não mudaria o peso do país nesse processo de reequilíbrio de forças na região, aliado ao fato de pouco ter a oferecer em matéria de apoio aos parceiros dos Estados Unidos no sudeste da Ásia, como as Filipinas, que está envolvida em disputas no Mar Meridional da China com o governo central chinês.

Na perspectiva econômica, embora o Laos tenha uma das economias que mais cresce na Ásia, o domínio de empresas da China, Tailândia e Vietnã inviabiliza a entrada de investidores estadunidenses. Nesse sentido, uma das tendências usadas para mudar este panorama é Washington incentivar programas destinados a proteger o meio ambiente, principalmente na bacia do Rio Mekong, projetos de melhoria na nutrição, além de iniciativas de cunho sanitário, porém esses programas não atraem grandes investimentos, tais como outros setores da economia, a exemplo dos cassinos e do setor de turismo, que também já estão saturados de empresas da França, Tailândia, China e Malásia.

Na perspectiva de segurança, há possibilidades de que a cooperação finde oportunidades de melhor proveito na aproximação bilateral, haja vista o Laos ser, ao lado de Myanmar e Vietnã, o país que mais recebeu assistência em segurança dos Estados Unidos no ano de 2015.

Grande parte dos investimentos destinados ao Laos é voltado para programas de desminagem, sendo um dos poucos países no Sudeste da Ásia que não teve o auxílio diminuído pelo Pentágono, cenários vistos para Tailândia e Filipinas.

Apesar dos esforços e das mensagens diplomáticas reiterarem os compromissos de Washington com a Ásia, a Europa e o Oriente Médio ainda são as prioridades em nível de investimentos. Com o advento do conflito civil na Ucrânia e com o surgimento do Estado Islâmico, o foco contínuo nessas regiões fez aumentar o aporte de recursos, em detrimento de ações mais efetivas para contrabalançar a influência chinesa na Ásia-Pacífico.

Embora esses cenários definam prioridades, possivelmente Barack Obama conseguiu desmistificar em parte que a centralização dos esforços de manutenção de ordem deve ser global. A Ásia é entendida por muitos analistas como o futuro, o centro de uma nova agenda desenvolvimentista e, por isso, os esforços do principal ator poderão fazer a diferença na manutenção da hegemonia no sistema.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f1/Lao_New_Year,_dancers.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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