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Relações entre Peru, Panamá e China na Rota Transpacífico

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A primeira visita de Estado do Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski (PPK), foi à China (12 de setembro de 2016). Certamente, a Parceria Transpacífico é uma prioridade de sua administração.

Está ocorrendo na América do Sul o desenvolvimento de vários projetos financiados pelos Bancos chineses, dentre eles a Ferrovia Transoceânica. Esta ferrovia tem início no Brasil, no Porto de Açu, no Rio de Janeiro, passando pelos Estados brasileiros de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, fazendo a integração entre a outra ferrovia no Brasil, denominada Norte-Sul, e o Oceano Pacífico, via Peru.

Visita do presidente da China Xi Jinping ao Peru e o presidente Pedro Pablo Kuczynski

Dois meses depois da visita de Kuczynski à China, os peruanos receberam a visita do presidente chinês Xi Jinping (em 21 de novembro de 2016). Ele participou da Cúpula de Cooperação Ásia-Pacífico (APEC), que ocorreu em Lima. Na ocasião, afirmou que a China pretendia ocupar o espaço deixado pelos Estados Unidos no Tratado de Associação Transpacífico. Enfatizou também a necessidade da construção da Ferrovia Transoceânica, pois uniria Brasil, Bolívia e Peru e o seu Ministro de Comércio, Gao Hucheng, afirmou que pretende incrementar o Tratado de Livre Comércio com os peruanos. Como exemplo da importância deste Tratado, na primeira metade de 2016 o volume comercial entre os dois países alcançou 7,191 bilhões de dólares.

Em 23 de janeiro de 2017, no terceiro dia de seu mandato, o presidente Donald Trump assinou uma Ordem Executiva de retirada dos Estados Unidos do Tratado de Associação Transpacífico. Após o anúncio, imediatamente, o Governo Xi Jinping declarou que os chineses pretendem fazer uma parceria econômica abrangente com os países pertencentes a esta associação, tanto que, em 12 de julho de 2017, o Panamá e a China publicaram comunicado conjunto para o estabelecimento de relações diplomáticas. A importância deste país centro-americano se deve ao Canal do Panamá, que é uma via que liga o Oceano Pacífico ao Atlântico, esteve sob controle dos Estados Unidos desde o início do século XX, e somente em 31 de dezembro de 1999 voltou ao controle panamenho.

Atualmente, a China é o segundo usuário mais importante do Canal. O presidente Juan Carlos Varela, em cadeia nacional de rádio e televisão, afirmou: “Grandes multinacionais chinesas (…) tem se estabelecido no Panamá (…), ambos os países apostam em um mundo cada vez mais integrado, acreditamos também em uma nova era de oportunidades para a relação que iniciamos a partir de hoje”. As previsões indicam que a contribuição adicional do Canal do Panamá à economia panamenha supere 1 bilhão de dólares em 2017, segundo informação do administrador da Autoridade do Canal do Panamá (ACP), Jorge Quijano.

Peru e Panamá são dois países que ocupam posições geográficas muito importantes, e podem possibilitar o acesso da China ao Oceano Atlântico pelo Pacífico, integrando-a à Europa e África. A Ferrovia Transoceânica e o acesso ao Canal do Panamá serão suas principais rotas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PPK na China” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/775740963549503490/photo/1

Imagem 2 Visita do presidente da China Xi Jinping ao Peru e o presidente Pedro Pablo Kuczynski” (Fonte):

https://twitter.com/prensapalacio/status/800734715326136320/photo/1

 

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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