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Relações Internacionais da prefeitura São Paulo

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O Prefeito de São Paulo, João Dória Jr., vem sendo alvo de críticas positivas e negativas por conta de suas viagens internacionais, muitas delas voltadas para seu programa de privatização de áreas públicas dentro da capital paulista.

Independentemente deste programa, as ações do Prefeito e da Secretaria de Relações Internacionais da cidade de São Paulo vem apresentando resultados positivos. Desde os protocolos de cidades irmãs e a atração de empresas asiáticas até as ações feitas em relação às tradicionais nações europeias e aos vizinhos na América do Sul.

Prefeito de São Paulo, João Dória Jr. (à esquerda), e o Prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (à direita)

Neste ano (2017), a cidade recebeu as visitas dos embaixadores espanhol e cubano, de cônsules latino-americanos, além da visita do Prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, dentre outras importantes autoridades estrangeiras que lá estiveram.  Essa série de eventos e visitas tem como objetivo promover e reforçar o projeto paulistano* de “Cidade Inteligente”, ideia que, associada aos programas de cooperação de cidades-irmãs, facilita a assinatura de variados acordos entre São Paulo e diversas cidades com as quais esteja coligada pelo mundo.

No mês de agosto, a Câmara Brasil-Alemanha (AHK São Paulo) promoveu um evento envolvendo grandes corporações alemãs localizadas tanto no município como no Estado de São Paulo para recepcionar o prefeito João Dória.

Atualmente, o Estado abriga a maior parte das empresas alemãs no Brasil. Das 1400 existentes em todo o território nacional, 900 delas estão dentro do Estado, e 500 na cidade de São Paulo, ou seja, aproximadamente 36%, o que demonstra a importância das relações externas entre a capital paulista e os alemães.

As empresas alemãs querem aumentar sua atuação na região e no país e as propostas da gestão paulista podem agradá-las muito. Além disso, elas devem começar a intensificar os contatos graças às últimas ações de cooperação entre a Prefeitura e o Governo do Estado com corporações chinesas, algo que vem deixando os empresários germânicos com certo incômodo, devido ao receio de perderem espaço para os concorrentes asiáticos.

Vale lembrar que a proposta da Prefeitura de São Paulo é deixar seus processos mais digitalizados até o ano de 2018, e com essa ideia fechou diversas parcerias com empresas da China no intercâmbio de tecnologia voltada para vigilância, segurança e para aplicativos visando melhorar a comunicação interna da Prefeitura, evitar processos burocráticos e agilizar a gestão.

A parceria entre asiáticos e paulistanos vem dando certo e já está sendo expandida do campo municipal para o estadual, onde, hoje, conta com a parceria entre a Universidade de São Paulo (Universidade pública estadual) e empresas asiáticas para evoluir em projetos de segurança e para trabalhar nos conceitos de Smart Cities.  

As corporações alemãs, por sua vez, estão apostando em ir além do intercâmbio e da troca de benefícios tecnológicos para chegar ao campo social. Empresas como a BASF, Bosch, Commerzbank, Drees & Sommer, Faber-Castell, Mercedes-Benz, Rödl & Partner, Roland Berger, SAP, Siemens e Volkswagen, além de entidades como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a Câmara Brasil-Alemanha e a Agência Alemã para Cooperação Internacional (GIZ), estão apostando no desenvolvimento da cidade para obter vantagens comerciais na região.

A proposta é trabalhar na melhoria do bem-estar social, no campo ecológico e no fomento cultural e do turismo empresarial e tradicional na cidade, já anunciando até a mudança da tradicional festa alemã no Brasil, a October Fest, para a cidade de São Paulo, saindo, portanto, do Estado de Santa Catarina.

Pensando de forma similar aos alemães, o Prefeito de Buenos Aires, Horácio Larreta, também voltou seus esforços para ampliar suas relações com o Brasil, principalmente com o seu homólogo, João Dória.

Durante o encontro entre os dois, na sede da Prefeitura de São Paulo, foi enfatizada a proposta de desestatização no município brasileiro, e centraram foco na intensificação do intercâmbio e do turismo cultural entre as duas cidades.

Atualmente, as trocas comerciais entre paulistas e argentinos são de 583 milhões de dólares por ano e, com propostas e desafios similares, Larreta destacou a necessidade de enfatizar a indústria criativa e do talento, além de trabalhar na ampliação da exportação de serviços para ganhar mais espaço no setor alimentício de São Paulo, principalmente no setor de frutas.

Os acordos assinados pelo Prefeito paulistano com chineses, argentinos, alemães, dentre outros, demonstra como a cidade está trabalhando mais com suas relações internacionais. Dória tem buscado aproveitar melhor o trabalho de paradiplomacia, que usa dos espaços em que não há necessidade de aval do Governo Estadual e do Governo Federal, uma burocracia excessiva que dificulta a formalização até mesmo de projetos simples, os quais podem trazer benefícios para as grandes, médias e pequenas cidades brasileiras, mas são impedidos por esse excesso de centralização.

As ações com foco no Protocolo de Cidades-Irmãs, por exemplo, ganharam nova ênfase para o Governo paulistano, e deixou de ser uma sigla para se tornar um mecanismo mais aproveitável em prol do desenvolvimento do município.

Caberá, no entanto, verificar o que está certo dentro dessas relações e parcerias que estão formalizadas; além de analisar se elas serão efetivas e eficazes; e, no caso de um provável sucesso, identificar até onde elas poderão servir de modelo para outras administrações municipais e estaduais pelo território brasileiro.

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* Usa-se o termo “paulista” para designar os cidadãos que são naturais do Estado de São Paulo, ou seja, que nasceram em qualquer cidade dentro da área abrangida por esta subunidade brasileira. Para aqueles cidadãos nascidos na Capital do Estado de São Paulo, ou seja, na homônima cidade de São Paulo, o termo que se usa é “paulistano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Prefeito de São Paulo, João Dória Jr. em evento da Câmara Brasil-Alemanha” (Fonte):

Foto cedida por Fabrício Bomjardim o Autor

Imagem 2 Prefeito de São Paulo, João Dória Jr. (à esquerda), e o Prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (à direita)” (Fonte):

Foto cedida por Fabrício Bomjardim o Autor

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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