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Relações Rússia-Japão e o caso das Ilhas do Norte

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No início deste mês, reuniram-se o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, na cidade de Sochi, Rússia, para discutir a relação bilateral entre os países e aprofundar o debate no âmbito do diálogo de paz. Os atores concordaram em manter a política de cooperação nos setores econômico, de segurança e de interação cultural, assim como em dar prosseguimento às negociações para um Tratado de Paz entre si, visto que o Japão reivindica soberania sobre as Ilhas do Norte, as quais permanecem sob administração russa, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

As Ilhas do Norte são quatro, Habomai, Shikotan, Kunashiri e Etorofu, cujas localizações compreendem a região da costa nordeste da península de Nemuro, em Hokkaido, e sofreram ofensiva da União Soviética, em 1945, até a posterior incorporação territorial, em 1949, apesar de Tóquio aceitar a Declaração de Potsdam, também em 1945.

Após o fim do conflito, os japoneses assinaram o Tratado de São Francisco, de 1951, o qual determinava a renúncia do país à soberania sobre as Ilhas Kurilas. Todavia, para os japoneses, as ilhas em disputa não abrangem o que se estipulou no Tratado, pois, segundo os mesmos, foram eles próprios quem descobriram as ilhas e ambas nunca estiveram sob dominação estrangeira. Para os japoneses, o que existe é desrespeito ao Tratado de Comércio, Navegação e Delimitação, de 1855, feito entre Moscou e Tóquio, no tangente a limites naturais sobre o Território do Norte. 

Atualmente, as ilhas encontram-se sobre controle russo e a viagem não-oficial do chanceler nipônico visa alavancar as conversações sobre as ilhas com o presidente Putin, assim como tratar de temáticas internacionais inerentes aos dois Estados, conforme salienta o Ministro de Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, que afirma: Como se trata de uma reunião de cúpula, gostaria de me abster de fazer comentários definitivos sobre o que poderia ser discutido; no entanto, eu acho que as discussões incluem a questão dos Territórios do Norte e a questão relacionada com a conclusão de um tratado de paz. Dentro da questão de litígio, o presidente Putin declarou: “Em virtude dos eventos conhecidos na esfera política e na esfera das relações comerciais e econômicas, temos algumas questões que requerem atenção especial. Talvez devido a este fato, devemos prestar especial atenção à construção de nossas relações, mantendo-as a um nível elevado.

A nível político, a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe à Moscou desagradou as expectativas de Washington, que mantinha esperança de ver um adiamento da decisão japonesa até a reunião do G7 (Grupo dos Sete), no fim deste mês (maio), da qual a Rússia não participa. A relação entre Estados Unidos e Japão, sem dúvida, é de grande relevância político-econômica e goza de diplomacia considerável no concernente à política global, porém, a urgência pelo favorecimento nacional mostrou ser maior no contexto de um diálogo pendente, do que no não-pendente, e aquece a perspectiva de um eixo político de caráter regional, em detrimento de um unilateral.

Consoante os analistas, percebe-se que a decisão final no tocante as Ilhas do Norte não será fácil, pois ambos os disputantes possuem forte nacionalismo. Entretanto, os fatores jurídicos tendem a convergir na redução de entraves, o que poderá ser objeto de uma solução pacífica em breve. É apreciável a ênfase dada na relação bilateral, sobretudo, no que tange à aproximação econômica e cultural, o que verifica o fortalecimento de políticas não belicistas e favoráveis a perpetuação da paz social.

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ImagemAssembleia Federal da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f1/Moscow_Russia_Flag_and_Hammer_and_Sickle.jpg

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Fontes consultadas, para mais informações:

[1] Rússia e Japão estão definidos quanto à melhoria das relações” (Acesso: 06.05.2016):

http://izvestia.ru/news/612780

[2]Conferência de imprensa do Ministro das Relações Exteriores Fumio Kishida, quintafeira, 28 de abril de 2016” (Acesso: 11.05.2016):

http://www.mofa.go.jp/press/kaiken/kaiken4e_000261.html#topic4

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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