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Republicanos pressionam Governo dos EUA para não receber refugiados

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Após os ataques na França, na última sexta-feira, dia 13 de novembro de 2015, vários candidatos do Partido Republicano, em campanha presidencial pelos Estados Unidos da América (EUA), defenderam que se interrompa o acolhimento de refugiados provenientes da Síria, por medo de que membros do grupo Estado Islâmico (EI) estejam infiltrados entre eles. Além disso, ao longo da presente semana, cerca de 50 Estados dos EUA anunciaram que bloquearão ou cessarão o programa de acolhimento, até que seja feita uma revisão minuciosa dele.

Essas declarações se intensificaram, particularmente, após notícias apontarem que um passaporte sírio foi encontrado no local junto ao corpo de um dos terroristas. O documento pertenceria a uma pessoa que teria entrado na Europa por meio da Grécia, como refugiado. No entanto, conforme ressaltaram diversos analistas, há possibilidades de esse passaporte ser falso, ou comprado, e que teria sido utilizado justamente para que os países não recebam mais refugiados[1]. Cabe destacar que, desde que se iniciou a guerra na Síria, em 2011, o conflito deixou mais de 240 mil mortos, cerca de 7,6 milhões de deslocados internos e mais de 4 milhões de refugiados, que tem buscado refúgio, sobretudo nos países vizinhos[2].

De acordo com estimativas, entre setembro de 2014 e setembro de 2015, chegaram aos EUA cerca de 1,3 mil refugiados sírios.  Ao longo deste ano (2015), o Governo estadunidense foi cobrado por países e Organizações NãoGovernamentais (ONGs) a adotar e coordenar maiores ações na crise migratória na Europa. Alguns analistas pontuavam naquele momento que os EUA não poderiam ver a crise migratória como um problema europeu, particularmente por que o Governo estadunidense e seus aliados têm a responsabilidade com os refugiados sírios, haja vista que eles estão armando os rebeldes sírios e lutando contra o Estado islâmico no país[3]. Assim, no início de setembro, a Casa Branca anunciou que adotaria medidas adicionais para receber em torno de 10 mil refugiados até 2016, além de aumentar os fundos para alojamento e alimentação, que, até então, eram de 4 bilhões de dólares[4]. Porém, essas medidas deveriam passar pela aprovação do Congresso dos EUA, que conta com maioria republicana e vê com ressalva a entrada dos refugiados sírios no país.

Desse modo, alegando preocupações com a segurança da população estadunidense, alguns estados posicionaram-se contra o acolhimento de refugiados, como Alabama, Arizona, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Georgia, Idaho, Ilinois, Indiana, Kansas, Luisiana, Maine, Massachusettes, Michigan, Mississipi, Nebraska, Ohio, Oklahoma, Tennesse, Texas, Wisconsin, entre outros. Nesse sentido, Rick Snyder, Governador do Michigan, que recebeu cerca de 200 refugiados sírios, declarou que o acolhimento de novos refugiados estava suspenso até que ocorra uma revisão completa do atual programa. Já Robert Bentley, Governador do Alabama, Estado que não recebeu nenhum refugiado, afirmou que não irá expor sua população a qualquer risco. Phil Bryant, Governador do Mississipi, foi ainda mais enfático ao declarar que fará todo o possível para interromper qualquer plano da Casa Branca em destinar refugiados sírios ao Mississipi. No entanto, segundo um PortaVoz do Departamento de Estado, ainda não estão claras que essas medidas para suspender o acolhimento dos refugiados são realmente legais[5] .

Destarte, como mencionado anteriormente, vários pré-candidatos republicanos a Presidência também se posicionaram contra o recebimento de refugiados.  O pré-candidato Bem Carson, por exemplo, afirmou que deixar pessoas dessa região do mundo chegar aos Estados Unidos é um enorme erro. Já Jeb Bush declarou que deveria se concentrar esforços nos cristãos que são massacrados na Síria. Por sua vez, Marco Rubio afirmou que não há meios de se verificar antecedentes de pessoas que venham da Síria[6].

Em contrapartida, grupos humanitários e ONGs que trabalham em apoio aos refugiados sírios chamam atenção para o aumento das questões sectárias em virtude desse tipo de discurso. Nesse aspecto, Michael Mitchell, do Serviço Luterano de Imigrantes e Refugiados nos EUA, pontua que é preciso levar em consideração que esses refugiados estão justamente fugindo da perseguição que sofrem no seu país[7]. Em setembro deste ano, James Zogby, Presidente do Instituto Árabe Americano, ressalvou que esse tipo de declaração, no caso, como as feitas pelos pré-candidatos presidências e governadores, traz à tona a visão de que sírios e iraquianos são terroristas e ainda acentua a islamofobia[8].

Em crítica às declarações dos pré-candidatos, Barack Obama, Presidente estadunidense, afirmou, durante reunião do G20, na Turquia, que os Estados Unidos tinham o dever moral de acolher os refugiados, assim como os países europeus[9]. Na última segunda-feira, dia 16, Ban Kimoon, SecretárioGeral da Organização das Nações Unidas (ONU), também chamou a atenção para o aumento das tensões. De acordo com o Secretário, a maior crise de deslocamento forçado desde a Segunda Guerra Mundial tem provocado ódio e preconceito contra os refugiados, e que é necessário a promoção da tolerância através do investimento dos Estados, para que essas pessoas possam ser integradas na sociedade e desfrutar de oportunidades[10].

Logo, os ataques em Paris fragilizam ainda mais a situação dos refugiados, que fogem do seu país em razão da guerra e que não encontram muitas vezes nos países que os recebem a acolhida necessária para sua inclusão. Por fim, vale ressaltar a declaração de Irina Bokova, DiretoraGeral da UNESCO, na qual assinalou que “quando seres humanos sofrem perseguição, exclusão ou discriminação com base nas suas religiões ou origens; quando crises econômicas acentuam divisões sociais e dificultam a aceitação de outros, como minorias, estrangeiros e refugiados; nós temos que oferecer um discurso diferente, uma mensagem aberta que apela por tolerância[11].

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Imagem (Fonte):

http://nacoesunidas.org/migrantes-e-refugiados-nao-sao-meras-vitimas-que-precisam-de-caridade-afirma-vice-chefe-da-onu/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.com/pt/o-que-se-sabe-sobre-os-terroristas-at%C3%A9-agora/a-18852493

[2] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/eua-sao-cobrados-por-uma-maior-atuacao-na-crise-migratoria-europeia/

[3] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/09/07/us-europe-migrants-usa-idUSKCN0R60SE20150907

[4] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/eua-sao-cobrados-por-uma-maior-atuacao-na-crise-migratoria-europeia/

[5] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3320391/Alabama-Michigan-governors-start-refusing-Syrian-refugees-wake-French-terror-attacks-Bobby-Jindal-hints-Louisiana-same.html

[6] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/11/17/us/politics/gop-governors-vow-to-close-doors-to-syrian-refugees.html

[7] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151116_paris_refugiados_sirios_eua_rm

[8] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0R727F20150907?pageNumber=1&virtualBrandChannel=0

[9] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/11/17/us/politics/gop-governors-vow-to-close-doors-to-syrian-refugees.html

[10] Ver:

http://nacoesunidas.org/em-comemoracao-mundial-chefe-da-onu-alerta-para-o-recrudescimento-da-xenofobia-e-do-extremismo/

[11] Ver:

Idem.

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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