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A resposta sino-russa à crise da Coreia do Norte

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China e Rússia vêm empreendendo ações para lidar com a crise de segurança na península coreana. Os dois Estados realizaram no mês de setembro (2017) exercícios militares conjuntos envolvendo submarinos a 100 milhas da costa norte-coreana. Os corpos diplomáticos destes países percebem, no entanto, que a intimidação e balanceamento apenas aumentam as tensões. Adicionalmente, estes países fazem fronteira com a Coreia do Norte, o que naturalmente torna mais cautelosa a sua postura e menor a sua margem de ação.

Mapa demonstrando a diáspora norte-coreana

China e Rússia têm coordenado o seu discurso oficial demandando uma solução pacífica para o impasse. A atitude do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tentar responsabilizar a China pela não resolução das tensões com a Coreia do Norte acabou por produzir uma repercussão negativa na mídia e nas sociedades orientais, destacando-se que a China representa cerca de 90% do comércio realizado pela Coreia do Norte.

Além disso, uma eventual intervenção militar liderada pelos Estados Unidos poderia fortalecer a posição estratégica dos chineses na Ásia. Desconsiderando o alto risco de tal curso político, devido à questão dos recursos nucleares, a China sairia de tal situação com maior legitimidade mundial, na medida em que se mostraria capaz de projetar a imagem de um Estado conciliador e habilitado a promover a distensão. Isto, por sua vez, aportaria soft power e influência.

A perspectiva de um provável conflito armado na península coreana é vista como tendo baixa probabilidade devido à dissuasão aportada pelos armamentos nucleares. Entretanto, as irracionalidades por vezes acontecem no âmbito da política internacional. Ademais, deve-se considerar o caráter singular dos Chefes de Estado da Coréia do Norte e dos Estados Unidos, que empregam estratégias e ações de negociação não convencionais.

Bandeira da Coreia do Norte

China e Rússia denunciaram fortemente os últimos testes nucleares realizados por Pyongyang em uma declaração conjunta, reafirmando a necessidade de promover o desarmamento nuclear. O posicionamento de armas nucleares táticas dos EUA na Ásia, ou a eventual nuclearização do Japão ou da Coreia do Sul seriam fatores extremamente negativos para Beijing. Acrescente-se que a Rússia também veria este fato como uma derrota estratégica, embora em menor grau.

O mandatário chinês, Xi Jinping, afirma que a crise deve ser resolvida com diálogo e concertação. A China já afirmou que não acredita que as sanções econômicas sejam o melhor instrumento para promover a distensão, pois a Coréia do Norte não abandonaria o seu programa nuclear sem ter garantias de que teria proteção em questão de segurança internacional, acrescentando-se que uma garantia de proteção advinda dos Estados Unidos não teria credibilidade. Por essa razão, a garantia de proteção vinculada à esfera de influência da China, ou em relação à parceria sino-russa, são os rumos mais viáveis no âmbito do complexo de segurança asiático.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chefes de Estado da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladmir Putinrespectivamente” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping%2C_BRICS_summit_2015_01.jpg

Imagem 2 Mapa demonstrando a diáspora nortecoreana” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d4/North_Korean_diaspora_and_defector_routes_map.png

Imagem 3 Bandeira da Coreia do Norte ” (Fonte):

https://cdn.pixabay.com/photo/2016/01/20/09/03/north-korea-1151137_960_720.jpg

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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