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Revezes da “Nova Rota da Seda” no Sri Lanka

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A China está encontrando dificuldades para implantar as obras de infraestrutura relativas à “Iniciativa do Cinturão e da Rota” no Sri Lanka. De acordo com especialistas, Beijing já investiu 8 bilhões de dólares e pretende adicionar mais 25 bilhões nesse país, cuja posição geográfica é essencial para a efetividade das rotas de comércio no Oceano Índico. No entanto, os projetos chineses se deparam com forte oposição de setores políticos e movimentos sociais srilankeses. Dessa forma, notam-se os primeiros reveses no plano chamado de projeto do século pelo Presidente da China, Xi Jinping. 

Analistas apontam que a recente aproximação entre os dois países se originou em 2007, a partir do apoio político e econômico prestado por Beijing durante a guerra travada entre o Governo srilankês e o grupo Tigres de Liberação do Tamil Eelam. Posteriormente, as relações se intensificaram com o anuncio de Washington de cortes em 20% nos recursos destinados ao Sri Lanka, em função de alegações de abusos de diretos humanos em 2013.

Porto de Hambantota

Nesse contexto, do ponto de vista srilankês, os investimentos chineses são fundamentais para financiar o déficit que alcançou 94% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, em 2015. Na perspectiva da China, o que torna o Sri Lanka um parceiro atrativo é a sua localização geoestratégica no centro das rotas mundiais de comércio que passam pelo Oceano Índico. Com isso, nota-se que relações bilaterais entre os dois países envolvem não apenas a construção de infraestrutura, mas também incluem a venda de material bélico, cooperação militar, bem como apoios diplomáticos e humanitário.

Todavia, a inserção econômica chinesa encontra resistência de setores organizados srilankeses. Por exemplo, o atual Presidente, Maithripala Sirisena, elegeu-se prometendo investigar as irregularidades nos contratos firmados pelo governo anterior. Desse modo, sua administração paralisou por um ano o plano equivalente a 1,4 bilhão de dólares de construção da Cidade Portuária de Colombo. Alegou-se que ele concederia parte do controle do espaço aéreo do Sri Lanka para a China. Além disso, de acordo com a analista Ilaria Maria Sala, muitos projetos foram concebidos sem análises adequadas de viabilidade econômica, o que desperta suspeitas acerca da transparência das licitações. 

Porto de Hambantota

Recentemente, o foco das tensões é a concessão de 80% do Porto de Hambantota para Beijing pelos próximos 99 anos, bem como o estabelecimento de uma zona industrial de 15.000 acres para empresas chinesas em suas imediações. Em janeiro de 2017, tal iniciativa se defrontou com protestos organizados por centrais sindicais e movimentos sociais ligados aos ex-presidente Mahinda Rajapaksa. Nessa ocasião, Hon. D.V Chanaka, político local e organizador do movimento, afirmou à rede de notícias Al Jazzera: “nós somos contra a concessão de terras nas quais as pessoas vivem e plantam, enquanto há terras específicas para zonas industriais. Quando você cede uma área tão grande, é impossível impedir que ela se torne uma colônia chinesa”.

De acordo com a agência de notícias Reuters, os protestos resultaram na revisão dos termos do projeto, especificamente na diminuição em 20% dos direitos da China sobre o Porto de Hambantota. Portanto, percebe-se que a consolidação da “Iniciativa do Cinturão e da Rota” exigirá imensas capacidades diplomáticas de negociação por parte da política externa da China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da China, Xi Jinping, e o expresidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaska visitando os projetos de infraestrutura no Sri Lanka” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/presidentrajapaksa/15088957350

Imagem 2Porto de Hambantota” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Magampura_Mahinda_Rajapaksa_Port#/media/File:Hambantota_Port.jpg

Imagem 3Localização do Porto de Hambantota” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Magampura_Mahinda_Rajapaksa_Port#/media/File:Hambantota_location.svg

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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