LOADING

Type to search

[:pt]Revisão do Orçamento Geral em Angola prevê aumento no gasto com os serviços da dívida para 2017[:]

Share

[:pt]

As discussões sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) em Angola seguem intensas no Congresso Nacional do país, à medida que se discute um aumento no pagamento dos serviços da dívida pública. Em relação ao Orçamento em vigor neste ano (2016), prevê-se um aumento de 700 milhões de dólares no pagamento dos serviços da dívida pública, o que implica em um comprometimento de 31,64% dos recursos orçamentários de 2017 neste tipo de despesa.

O endividamento angolano tornou-se objeto de preocupação entre autoridades nacionais e internacionais, bem como entre os investidores estrangeiros presentes no país. A queda nos preços do petróleo reduziu expressivamente as receitas do Governo e a atividade econômica no país, influindo em uma singela previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% neste ano, segundo o Banco Mundial.

Essa questão recebeu expressiva atenção no cenário mundial na semana passada, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a avaliação final – chamada de Artigo IV – de uma missão de duas semanas no país, liderada pelo economista brasileiro Ricardo Velloso. Na nota, a instituição financeira ressalta que apesar do controle de gastos proposto pelo Governo, principalmente a partir da revisão do OGE de 2016, em setembro, isto não evitará com que a dívida pública atinja o valor de 70% do PIB.

Um déficit fiscal da magnitude projetada no projeto de Orçamento para 2017 iria deixar a economia vulnerável a preços de petróleo inferiores ao projetado e aumentar a preocupação quanto a sustentabilidade da dívida pública. Na nossa visão, o governo deveria almejar um déficit fiscal geral de não mais do que 2,25% do PIB, em 2017”, afirmou Velloso em nota.

No entanto, o Orçamento em debate no Congresso prevê um déficit fiscal de 5,8% do PIB para o próximo ano (2017), valor superior ao recomendado pelo FMI e por Velloso. A cifra é menor se comparada ao déficit esperado para este ano, de 6,8% do PIB, mas ainda elevada para transmitir confiança entre os investidores externos na solvência do Estado angolano.

A dependência na exploração de commodities revela a vulnerabilidade das contas públicas não somente de Angola, mas de outros países com pautas de exportação semelhantes. A diversificação da economia nacional auxiliaria na redução da dependência e em um fluxo constante de receitas no longo prazo, fato que permitiria melhor o planejamento fiscal do Governo. Além disso, outra medida que auxiliaria no incremento das receitas do Estado é a tributação de grandes fortunas, prática pouco comum na maioria das nações: nos últimos dez anos, o número de milionários em Angola cresceu 318%, aproximadamente 4 vezes a mais do que a média mundial.

———————————————————————————————–                    

ImagemBandeira de Angola” (Fonte Wikipedia):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Flag_of_Angola.svg

[:]

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!