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A Revolução dos dados e o real uso das informações pelos líderes

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Embora o tópico não seja novo, o uso de dados para a melhor tomada de decisão ganhou um novo fôlego nos últimos anos. Do lado da oferta, o mundo se depara com um volume extraordinário de informações estruturadas ou não estruturadas – rotuladas como big data. Do lado da demanda, empresas, governos, instituições e sociedade civil têm buscado compreender a complexa cadeia de ideias, interesses e regras que permeiam a sociedade e, por essa razão, têm incorporado a análise desses dados para redefinir estratégias, economizar recursos, otimizar decisões e incentivar a transparência.

Capa do Relatório do AidData

A própria Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável incentiva a criação, o aperfeiçoamento e o desenvolvimento de dados desagregados confiáveis, acessíveis, de qualidade e em tempo hábil para a tomada de decisão. No entanto, como ressaltado na economia política por Herbert Simon e Daniel Kahneman, a decisão econômica nem sempre é racional e é condicionada por questões cognitivas. Dessa forma, embora haja um enorme volume de recursos disponíveis para a tomada de decisão, isso não significa que dados e informações serão utilizados, pois implica em gastos com pessoal, variados tipos recursos e tempo.

Diante dos atuais paradoxos existentes no lado da oferta e da demanda por informações de qualidade, o Think-tank americano Aid Data, especializado no uso de dados em matéria de cooperação internacional para o desenvolvimento e agenda do desenvolvimento sustentável, consultou aproximadamente 3.500 líderes de 126 países com o propósito de identificar quais tipos de dados eles usam, de quais fontes e com quais objetivos.

O Relatório “Decoding Data Use: How do leaders source data and use it to accelerate development” (“Decodificação de uso de dados: como os líderes originam dados e usam-nos para acelerar o desenvolvimento” – Em Tradução Livre) buscou sistematizar quem usa, onde busca e o que faz com os dados, permitindo compreender o atual equilíbrio entre demanda e oferta. Aproximadamente 81% dos líderes mundiais utilizam dados dos sistemas de estatísticas nacionais, o que fortalece os recentes esforços do Banco Mundial e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no treinamento, acompanhamento e/ou construção de melhores estatísticas nacionais.

Em relação às análises de impacto com metodologias rigorosas, 73% dos líderes afirmam que usam evidências produzidas em relatórios de avaliação de projeto. Isso rejeita a hipótese de que o público dessas avaliações rigorosas se restringia às organizações internacionais. Além disso, o relatório destaca que o investimento em sistemas de avaliação eleva a performance do projeto e contribui para a internalização do que funciona e do que não funciona, assim como as suas respectivas causas.

Três tópicos emergem no fim do relatório, como recomendações para produtores, financiadores e defensores do uso de dados e estatísticas. Em primeiro lugar, contexto é fundamental para capturar a atenção de líderes. Por essa razão, a informação deve trazer um claro entendimento das realidades locais de países menos desenvolvidos e em desenvolvimento. Em segundo lugar, os líderes não buscam apenas o diagnóstico dos problemas, mas também recomendações práticas. Por último, líderes esperam diferentes informações quando buscam dados em plataformas domésticas e internacionais. Por esse motivo, a especialização em tópicos é de suma importância para garantir dados confiáveis, acessíveis, de qualidade e dentro do tempo adequado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Tela com Gráfico de Dados” (Fonte):

https://www.pexels.com/photo/blue-and-yellow-graph-on-stock-market-monitor-159888/

Imagem 2Capa do Relatório do AidData” (Fonte):

http://aiddata.org/publications/decoding-data-use

João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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