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Rússia e o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas

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Entre os dias 10 e 20 de abril de 2018, foi realizada a 15ª sessão da Comissão Consultiva Bilateral em Genebra, onde representantes da Rússia e EUA mantiveram conversações sobre a implementação de novos controles sobre o Tratado de Redução de Armas Estratégicas conhecido como START III (do inglês Strategic Arms Reduction Treaty), assinado em abril de 2010 pelos respectivos Presidentes das duas nações, Dmitri Medvedev e Barack Obama, e, desde então, vem se desenvolvendo para atender ao objetivo de reduzir o número de armas nucleares em seus arsenais.

Míssil Minuteman

Historicamente, as conversações bilaterais sobre a limitação de armamento nuclear ocorrem desde maio de 1972, quando Estados Unidos e a antiga União Soviética começaram negociações sobre um tratado antimísseis balísticos que impedia o lançamento de armas nucleares no espaço e limitava sistemas de defesa, ao mesmo tempo que firmavam o tratado SALT I (Strategic Arms Limitation Talks), onde, depois de exaustivas negociações, os presidentes Leonid Brézhnev (URSS) e Gerald Ford (EUA) assinaram, em Moscou, o acordo que limitava pela primeira vez a construção de armamentos estratégicos e fixava um número para os mísseis intercontinentais (ICBM – Intercontinental Ballistic Missiles).

Esse primeiro Tratado, segundo especialistas em segurança internacional, mostrava de forma clara o já observado paradoxo do “equilíbrio do terror”, pelo qual a dissuasão existente em ambos os lados permitia que as duas superpotências defendessem as suas populações de um ataque nuclear devido a certeza de que haveria completa destruição nos dois campos, sendo isto o que se denominou por “Mutua Destruição Assegurada” (MAD – Mutual Assured Destruction), o que, também paradoxalmente, se tornou a forma de impedir o conflito.

Gráfico das Forças Nucleares 2017

Segundo o último relatório (2017) sobre dados das forças nucleares mundiais, lançado pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz (SIPRI – Stockholm International Peace Research Institute), as nações nucleares possuem um arsenal com um número registrado de 14.935 armas nucleares, das quais a Rússia alcança a primeira posição com 7.000 (47% do total), seguida pelos Estados Unidos com 6.800 (46% do total).

De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, a Federação Russa já sinalizou em 5 de fevereiro de 2018 (data controle do Tratado) que está cumprindo todas as obrigações impostas a Moscou e que está trabalhando para que a troca de dados seja efetivada de forma positiva com os Estados Unidos.

A sessão da comissão foi realizada posteriormente à Conferência das Nações Unidas sobre o Desarmamento, também realizada em Genebra, quando o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ressaltou os perigos da acumulação e proliferação de armas e, ao mesmo tempo, elogiou os esforços entre as principais nações nucleares no intuito de diminuir a corrida armamentista global.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Veículo transportador de míssil balístico” (Fonte):

https://www.globalsecurity.org/wmd/world/russia/images/r-2pm-image8.jpg

Imagem 2 Míssil Minuteman” (Fonte):

https://dinamicaglobal.files.wordpress.com/2011/11/missile-minuteman.jpg

Imagem 3 Gráfico das Forças Nucleares 2017” (Fonte):

https://www.sipri.org/sites/default/files/styles/node/public/2017-07/nuclear_forces_2017_pie_chart_0.jpg?itok=XfjnOeOY

Edson José de Araujo - Colaborador Voluntário

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia de Empresas pela FEA-USP. Especialista em finanças (FP&A) com mais de 20 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Planejamento Financeiro e Controladoria com certificação 6Sigma Green Belt. Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional.

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