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Rússia, EUA e a geopolítica do Twitter

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De acordo com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, os governos de diferentes Estados deveriam se utilizar da política externa, tendo a diplomacia como principal instrumento para o estabelecimento e desenvolvimento dos contatos pacíficos, visando uma efetiva continuidade das relações harmoniosas, bem como a tentativa de comunicação clara e precisa em seus objetivos.

Símbolo Twitter

Desde que o presidente norte-americano Donald Trump assumiu o governo dos Estados Unidos da América, foi presenciado um forte descolamento desses preceitos diplomáticos no tocante ao relacionamento com outros líderes mundiais, por meio da utilização de conta em redes sociais como o Twitter*, que se tornou um canal oficial para anúncios governamentais, onde até mesmo a utilização de insultos e a demonstração de ameaças foram presenciadas pelos mais de 50 milhões de seguidores, e espalhadas ao redor do mundo por outros meios midiáticos.

Conforme vem sendo disseminado na mídia, no dia 11 de abril de 2018, o presidente Donald Trump, além de desrespeitar a regra de segurança do usuário no quesito assédio e abuso do Twitter, publicou ameaça específica e direta contra a Rússia, no tocante ao envio de mísseis ao território sírio, em retaliação ao suposto ataque químico realizado no dia 7 de abril pela Força Aérea da Síria, na cidade de Douma, região de Ghouta Oriental, ocasionando em torno de 60 mortes e atendimento de mais de 500 pessoas com problemas respiratórios, segundo relatos de médicos locais.


A Rússia promete abater quaisquer mísseis disparados contra a Síria. Prepare-se, Rússia, pois eles estão chegando, bons, novos e ‘inteligentes’! Você não deveria ter se aliado ao animal assassino com gás que mata o seu povo e gosta disso!”. Com essa declaração no Twitter, feita por Trump, especialistas em segurança internacional a interpretaram como a maior ameaça à paz desde o fim da Segunda Guerra Mundial e, ao mesmo tempo, um aviso antecipado de como seria o ataque e com o que estariam atacando.

Algumas horas após a declaração, o porta-voz do Kremlin, Dimitry Peskov, declarou à imprensa que o presidente Vladimir Putin não negociava por meio de redes sociais – “Nós não participamos de diplomacia via Twitter… Nós apoiamos abordagens sérias”.

No dia seguinte às postagens realizadas, Donald Trump amenizou suas declarações se valendo novamente das redes sociais – “Nunca disse quando um ataque à Síria ocorreria. Pode ser logo ou não tão logo assim…” e, após pouco mais de 24 horas desse novo anúncio, no dia 13 de abril, os Estados Unidos lançariam um ataque em conjunto com Reino Unido e França sobre três alvos específicos na Síria, onde supostamente estariam locais de fabricação de agentes químicos utilizados nas ações com armas químicas.

Míssil Tomahawk

Ao todo, foram lançados nessa ofensiva 105 mísseis de longo alcance, sendo 66 Tomahawk, provenientes de navios de guerra localizados no Golfo Pérsico, Mar Mediterrâneo e Mar Negro; 20 mísseis Storm Shadows e 19 mísseis Ar-Terra JASSM, provenientes de bombardeiros B1 Lancer (EUA), caças Tornado e Typhoons (Reino Unido) e caças Rafales e Mirages (França).

O grande dilema do ataque dessa coalizão, segundo analistas internacionais, é que se deu sem um mandato das Nações Unidas, passando sobre preceitos de Direito Internacional que prezam pela soberania das nações e antes mesmo da apuração do alegado fato de fabricação de armas químicas que seria fiscalizado pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), levando a declarações por parte do embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, da implementação de um cenário premeditado que deverá ter sua responsabilidade atribuída a Washington, Londres e Paris.

No sábado, dia 14 de abril de 2018, após os ataques a Síria, o presidente Donald Trump se valeu mais uma vez do seu canal de comunicação no Twitter dizendo: “Um ataque perfeitamente executado na noite passada. Obrigado à França e ao Reino Unido por sua sabedoria e pelo poder de seu excelente exército. Não poderia ter tido um resultado melhor. Missão Cumprida!”.

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Nota:

* Twitter é uma rede social e um servidor para microblogging, que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos, por meio do website do serviço, por SMS e por softwares específicos de gerenciamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ataque de mísseis em Damasco” (Fonte):

https://s.hdnux.com/photos/72/56/12/15393432/627/core_breaking_now.jpg

Imagem 2 Símbolo Twitter” (Fonte):

https://www.revistaforum.com.br/segundatela/wp-content/uploads/2017/09/twitter_15fz.jpg

Imagem 3 “Míssil Tomahawk” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Defence_Imagery_-_Missiles_03.jpg

Edson José de Araujo - Colaborador Voluntário

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia de Empresas pela FEA-USP. Especialista em finanças (FP&A) com mais de 20 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Planejamento Financeiro e Controladoria com certificação 6Sigma Green Belt. Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional.

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